A arte da estratégia 1

Nunca se falou tanto em estratégia quanto nos dias atuais. Na Gestão de negócios ou  pessoas, os líderes decidem e lideram a partir de estudo criterioso e planejamento de ações, que às vezes demandam muito mais tempo que as próprias ações. Prova de que a estratégia é realmente importante é o fato de “A arte da Guerra” ser livro de cabeceira não só de estudantes, mas também de presidentes de grandes corporações e, acredite, até de Big Brothers. O participante “Alemão” recitava trechos da obra para alguns colegas de programa em uma das edições. Quem não conhece, pensa tratar-se realmente de um livro da área de administração, marketing ou mesmo motivacional.

Certamente quando Sun tzu fez esses relatos há mais ou menos 2.500 anos não pensou em nada disso. O livro menciona diversas possibilidades num campo de batalha e apresenta sugestões de ações e reações de acordo com cada momento e situação. O general, responsável por grandes vitórias à frente do exército chinês, na maioria das vezes capturava os inimigos vivos. Era um profundo conhecedor de manobras e táticas militares. Tzu dizia que a arte da guerra era de total importância para o Estado.

Mas o livro do chinês que tinha como público alvo generais, chefes de estados e outros líderes militares, hoje é aplicado em todos os setores e segmentos onde existem adversários. O inimigo contemporâneo é o concorrente, àquele que pleiteia algo que alguém mais quer. Com a interdisciplinaridade, a Arte da Guerra é aplicada em várias áreas de atuação. Advogados conhecem, empresários utilizam, diretores praticam, gerentes contextualizam… dificilmente encontra-se um líder que nunca o tenha lido. Tornou-se um clássico. É a arte da estratégia. Terá mais sucesso quem for mais eficaz neste quesito. Diversos técnicos de futebol atribuem o êxito à aplicação dos conceitos da Arte da Guerra. Felipão, Parreira, Dunga e Luxemburgo são alguns dos nomes de líderes no futebol que trabalham com os conceitos de Tzu e às vezes até mencionam isto.

O conceito fundamental pregado pelo general chinês é de que nem sempre a luta direta é necessária para minar o adversário. É possível derrotar com simulações, enganando, induzindo ao erro e a atitudes precipitadas qualquer concorrente. Em se tratando de negócios e decisões mercadológicas, essa teoria encaixa como uma luva. Para o profissional do marketing é realmente interessante ser um estrategista já que a missão do marketing é encantar o cliente proporcionando satisfação e se preparar antecipando às ações do concorrente que disputa o mesmo cliente.

Quando o assunto é política, os profissionais dessa área não só dominam, como praticam entre si e contra o povo todas as estratégias possíveis para levar vantagem e enganar. Além da Arte da Guerra, os “representantes do povo” têm também um outro manual que é, “O príncipe” de Maquiavel, assunto para uma outra coluna.  Uma campanha eleitoral é um verdadeiro campo de batalha e a aplicabilidade das dicas do general é testada e aprovada por unanimidade.

Mesmo depois que estão no poder, utilizam artifícios legais e ilegais, morais e imorais para se darem bem. Há algum tempo pudemos assistir, pelo menos os mais atentos, a um “show de estratégia” dos políticos de Brasília. Enquanto o povo ia para as ruas ou não saiam de frente da televisão para ver o papa passeando, falando, celebrando e canonizando, os líderes da nação aumentaram os seus salários em 28,5%.

Aproveitaram-se do encantamento das pessoas com a presença do líder católico no Brasil e reajustaram seus vencimentos. Estratégia perfeita. Quase ninguém percebeu. Ótima estratégia também da Igreja católica naquela ocasião. A vinda de um Papa ao país pode sim frear um pouco o crescimento dos Protestantes nas terras tupiniquins, se bem que com essa onda de denúncias de pedofilia dentro da instituição… Voltando ao tema salário, alguém sabe o percentual de aumento do mínimo? Ah ! Isso não interessa, agora nós temos um santo brasileiro, São Frei Galvão. Se algo faltar, pedimos a intervenção dele. Pode ser uma boa estratégia.