A Imagem Social da Escola

Afinal qual a função social da escola?

A Imagem Social da Escola

A educação, num sentido mais amplo, não deixa dúvida da sua função social, sendo um fator decisivo da hominização e, em especial, da humanização do homem. Os grupos humanos, constituídos culturalmente como tal, elaboraram, ao longo do tempo, instrumentos, artefatos, costumes, normas, códigos de comunicação e convivência como mecanismos imprescindíveis para sua sobrevivência. Esses mecanismos não se fixam biologicamente nem se transmitem através da herança genética. Os grupos humanos põem em andamento processos externos de transmissão para garantir a sobrevivência das novas gerações e de suas conquistas sociais. Esse processo costuma ser genericamente denominado de educação.

A educação não pode ser considerada como um processo linear, mecânico. Pelo contrário, é um processo complexo e sutil, marcado por profundas contradições e por processos coletivos,contínuos e permanentes de formação de cada indivíduo, o que se dá na relação entre os indivíduos e entre estes e a natureza. A escola é o local privilegiado dessa formação porque realiza um trabalho sistemático e planejado com o conhecimento, com valores, com atitudes e com a formação de hábitos. Em muitos momentos a atuação da escola foi associada à função de formar a classe subalterna, o cidadão dócil e o operário competente, por priorizar a dimensão técnica, ensinando álgebra, ciências e outros conteúdos, sem os quais a força de trabalho não seria capaz, supostamente, de desempenhar de forma satisfatória o seu papel na indústria moderna.

A escola é uma instituição extremamente complexa. Sua função tradicional é a de facilitar a inserção do indivíduo no mundo social. O indivíduo deve aprender as formas de conduta social, os rituais e as técnicas para sobreviver. Ao longo do tempo as funções da escola foram sendo ampliadas, passando a abranger outras, tais como: cuidar das crianças enquanto os pais trabalham; socialização, colocando as crianças em contato com outras e ensinando normas básicas de conduta; aquisição de habilidades básicas como ler, escrever, expressar-se, lidar com a aritmética, os conhecimentos científicos; orientação às crianças nos ritos de passagem para a adolescência, visto que é uma fase bastante difícil devido às mudanças biológicas e psicológicas que ocorrem no organismo. A escola também promove ritos de iniciação de um nível escolar para outro, que às vezes submetem os indivíduos “a provas que servem de seleção para a vida social, que estabelecem discriminações entre elas, pois só as que adquirem as competências estabelecidas pela sociedade serão aceitas”. (FREITAG, 1980, p. 32). Então, a escola tem mais funções do que parece, sendo que o atendimento a tantas e tão diversificadas funções faz com que as crianças acabem permanecendo mais tempo na escola do que em companhia de seus pais.

A possibilidade de formar o cidadão para o mercado de trabalho e para a vida está diretamente ligada à freqüência escolar, à superação das exigências impostas nas instituições, às adaptações aos ritos de passagem. Portanto, as escolas contribuem para que as sociedades se perpetuem, pois transmitem valores morais que integram as sociedades. Mas elas também podem exercer um papel decisivo nas mudanças sociais.

Integra o conceito social da escola também um conjunto de imagens e representações que a revelam como uma pequena comunidade que realiza o trânsito entre o aconchego do núcleo familiar e a vida “lá fora”. Segundo Arroyo (1995, p. 36).

A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos, ora como um dos
instrumentos de conquista da liberdade, da participação e da cidadania, ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade, de civilização, de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas relações sociais entre os homens.