A Nossa saúde e a sua influência

Conselho Brasileiro de Psicanálise

( I.N.N.G.)

http://www.cobrpsi.org

A NOSSA SAÚDE E SUA INFLUÊNCIA

Dr. Wagner Paulon

1977 – 2012

A popularidade e o poder pessoal não andam bem com uma pessoa de saúde fraca. Você terá oportunidade de ver que o poder de atração é maior, quando se está no auge da saúde, porque o vigor físico exerce uma influência enorme. Mais importante do que as pílulas que você toma, o descanso que você faz e a visita ao dentista duas vezes por ano é a personalidade, que precisa estar bem ajustada. Em outras palavras, estamos diante de um paradoxo: “Você não pode gozar de boa saúde se não se der bem com os outros e, ao mesmo tempo, não se dar bem com os outros se não tiver boa saúde”. Mas o paradoxo tem uma solução simples:

a) não considere sua saúde física e

b) sua saúde psicológica como duas unidades separadas.

“Um corpo são e uma mente sã andam juntas”.

Como já foi mencionado em outro artigo, essa aproximação das duas unidades é chamada medicina psicossomática.

1 – “Psyche” significa mente e

2 – “soma” significa corpo

Juntos querem dizer que a mente e o corpo devem ser considerados uma única unidade e que devem ser tratados em conjunto. Se seu estômago estiver dando complicações, é importante que seu médico examine suas emoções da mesma forma que o examina e lhe dá uma dieta.

Para alguns, incluindo muitos médicos, esse ponto de vista é o mais importante. Mas, ainda que outros o considerem moderno como as músicas dissonantes, é tão velho quanto os gregos. Há mais de dois mil anos Platão já dizia:

“O maior erro de nossos dias no tratamento do corpo humano é que os médicos separam a alma do corpo”.

Desde então, muitos têm se batido por essas ideias, como Hipócrates, o pai da medicina moderna e Freud, tentando demonstrar os efeitos das emoções sobre o curso de uma doença.

Mas foi Freud que mostrou como esses conflitos emocionais resultam de mudanças psicológicas.

Como resultado, futuramente, quando formos consultar um médico, ele não irá examinar seu coração e sua pressão sanguínea, tirar uma radiografia ou duas e depois fazer o diagnóstico, vai examinar a nossa mente e nossas emoções.

Isso é muito importante, porque mais e mais o medo e a preocupação têm feito vítimas. Complicações de coração e alta de pressão, que têm suas origens no psíquico, têm matado mais gente do que muitas outras doenças e são apenas uma parte de lista que inclui úlceras de estômago, diabetes, coutes e asma, sem mencionar as que não matam necessariamente, mas que são crônicas e produzidas por fortes emoções.

Isso não quer dizer que a medicina não tenha feito enormes progressos. Há muitos séculos atrás, os homens achavam que a doença e a morte eram castigos enviados por Deus e o único remédio era apaziguar os deuses fazendo sacrifícios ou chamar um curandeiro que, de acordo com “poderes mágicos” às vezes curava as pessoas doentes. Depois disso, o homem começou a observar o mundo ao seu redor e a estudar a estrutura e as funções do corpo humano, descobrindo muitas causas de doenças e deixando de culpar os deuses de tudo.

Entre as descobertas que fizeram uma das mais importantes foi a de que os micróbios é que transmitem as doenças, fato que explicou as pragas e epidemias a que o homem estava sujeito desde que nascia e que trazia tanta morte. E com a explicação e o isolamento dos germes, vieram à prevenção e o controle das doenças. Seria inacreditável que tivéssemos que passar outra vez por aquela praga que destruiu um quarto da raça humana em fins do século dezessete. Hoje em dia podemos evitá-la, pois se sabe, que é transmitida por pulgas de ratos, e já possuímos a vacina para prevenir a ocorrência.

A pneumonia, antes mortal, hoje é perfeitamente combatida com as novas drogas fabricadas. Na segunda guerra o medo das pestes foi desnecessário, pois o tifo foi controlado por inoculações e o estranho poder do D.D.T., a sulfadiazina aliviou o perigo da meningite e pequenas doses de atebrina muito fizeram para a cura da malária.

Sim, é verdade que a ciência conseguiu debelar os piores inimigos da humanidade. Graças aos soros, vacinas, antibióticos e a higiene preventiva, ficamos possibilitados de ter uma vida muito melhor.

Mas por ironia, enquanto a morte causada por infecções e doenças contagiosas diminuiu, as causadas por degeneração e doenças crônicas aumentaram. É verdade que mais gente hoje em dia chega a idades avançadas (não que vivam mais do que antes, mas sim maior quantidade de pessoas atinge a velhice) e as doenças degenerativas como as de coração e artério-esclerose estão geralmente ligadas com a idade avançada. Mas isso está se tornando um engano, porque o Serviço de Assistência Pública possui uma estatística, que mostra que metade daqueles que sofrem de doenças crônicas estão abaixo da idade de quarenta e cinco anos, e que cerca de 16% têm menos de vinte e cinco anos. Além disso, essas doenças, que cada vez mais são atribuídas ao psíquico de acordo com estudos recentes, estão atingindo os jovens, tanto homens como mulheres.

Por que será que está acontecendo tudo isso?

Sem dúvida você sabe qual é a resposta, pois basta olhar à sua volta e ver a tensão em que a maioria de nós vive. Lutando pelos “confortos” da civilização, arranjamos uma porção de preocupações. As máquinas, que nos prometem felicidade nos trazem a destruição e nossos ideais estão elevados demais parecendo uma miragem. Até nossos prazeres nos deixam excitados e insatisfeitos.

Todos nós conhecemos casos de chefes apressados que sofrem de úlceras de estômago, dos médicos ocupados demais que sofrem de ataques de coração, de dinâmicos advogados cuja pressão sobe a olhos vistos. São cidadãos respeitáveis, pilares de uma comunidade. Possuem esposas muito elegantes, casas maravilhosas e enormes automóveis. Suas preocupações, ódios e medos levaram-nos à doença. Como dizia Montaigne “Eles não morrem, simplesmente, matam-se”.

Vamos evitar seus exemplos tomando certas precauções para não ficarmos assim doentes. Naturalmente não podemos viver como se estivéssemos em uma redoma, mas poderemos adquirir alguns hábitos e seguir um certo plano que nos levam ao gozo de uma perfeita saúde.