A taquigrafia e nova tecnologias

A TAQUIGRAFIA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

 

Maria das Graças Ramalho[1]

graca.ramalho@gmail.com

Maria das Graças de Oliveira Franco da Silva²

graca.franco55@gmail.com

RESUMO

Ao passar dos anos temos observado nos colegas taquígrafos as mais diversas posturas frente à revolução tecnológica. O surgimento de novas tecnologias em alguns casos, não suplanta antigas técnicas, como no caso da taquigrafia, sistema de escrita abreviada, adotada para o registro das falas dos integrantes dos Poderes: Judiciário, Legislativo e Executivo nas sessões plenárias, Comissões, Audiências Públicas, seminários, conferências, etc. Nesse sentido, busca-se, pois, evidenciar a taquigrafia como uma ação transformadora que atua como ferramenta capaz de registrar, rapidamente, informações históricas; cientificas e culturais proferidas pela linguagem falada, despertando a curiosidade na sociedade, diz Karl Faulmann, citado pelo Professor Waldir Cury no seu artigo “O Cérebro Taquigráfico: Um Superprocessador”.
Palavras Chaves: Taquigrafia, Escrita, Tecnologia.

 

ABSTRACT

Over the years we have seen fellow stenographers in the most diverse stands facing the technological revolution. The emergence of new technologies in some cases does not supplant the old techniques, such as in shorthand, shorthand writing system, adopted to record the statements of members of Powers: Judicial, Legislative and Executive plenary sessions, committees, public hearings, seminars, conferences, etc. In this sense, an attempt is therefore to highlight the shorthand as a transformation that acts as a tool able to record quickly, historical information, scientific and cultural spoken by the language spoken, arousing curiosity in the society, says Karl Faulmann, quoted by Professor Waldir Cury in his article “The Brain Taquifráfico: A overprocessed.”

Keywords: Shorthand, Writing, Technology

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

O surgimento de novas tecnologias, em alguns casos, não suplanta antigas técnicas, como no caso da taquigrafia, sistema de escrita abreviada. Em 3 de maio de 1823 (há 188 anos) José Bonifácio de Andrade e Silva instituiu, oficialmente, a Taquigrafia Parlamentar no Brasil sendo incumbido, por Sua Majestade Isidoro da Costa e Oliveira Junior, a criar o curso de Taquigrafia. No âmbito estadual, a Taquigrafia foi introduzida no Poder Legislativo, em 1 de junho de 1949 (há 62 anos) sob a presidência do, então, Presidente Flávio Ribeiro Coutinho quando instalou os serviços taquigráficos da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Portanto, os taquigramas, às vezes, chamados de “abreviações” ou “sinais convencionais” são sinais especiais simplificados, que abreviam a escrita taquigráfica tão sinteticamente, que geram uma fantástica “economia gráfica”. Essa “economia gráfica” tem como consequência direta um aumento significativo na fluência e na velocidade do apanhamento taquigráfico!

2 REFERENCIAL TEÓRICO

 

Conforme o Professor Waldir Cury “A escrita taquigráfica difere em muito da grafia comum: tem características peculiares”. Os sinais taquigráficos são, em geral, retirados da Geometria: pequenos traços horizontais, verticais, oblíquos, pequenos círculos, pedaços de círculos, pontos, semirretas, pequenos ganchos, traços que se vão unindo ou desunindo, assumindo diferentes posições, ora em cima, ora embaixo, ora no meio, ora na frente, ora atrás. Não há, como na grafia comum, uma linearidade. Nesse sentido, busca-se, pois, uma maneira de evidenciar a taquigrafia como uma ação transformadora que atua como ferramenta capaz de registrar, rapidamente, informações históricas, cientificas e culturais proferidas pela linguagem falada, despertando a curiosidade na sociedade.

Taquigrafia – etimologicamente “Tachys” (rápido) e “Graphy” (escrever), sistema de escrita abreviada, que utiliza símbolos, sinais de características grafodinâmicas e fonéticas especiais, aplicados de acordo com preceitos específicos, que permite alcançar velocidades de registro das palavras ou frases muito superiores às obtidas com a escrita comum. A utilização de tal técnica permite que uma pessoa registre, em tempo real, e transcreva a posteriori as frases de um discurso.

O Presidente Sérgio Zambiasi (Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul) no Unataq (XII Encontro Nacional da União Nacional dos Taquígrafos) ao enfatizar a importância da união entre os Poderes e afirmou que “a taquigrafia é um bem indispensável para o bom desempenho das atividades parlamentares e judiciárias, pois garante a disponibilização imediata do registro dessas atividades ao grande público e, também, a constituição do acervo histórico do Parlamento e que a adequação do serviço taquigráfico às novas tecnologias e às exigências daí decorrentes é o maior desafio a ser enfrentado pela classe”. O Presidente da ALSC (mesmo congresso) afirmou com veemência: “Parlamento sem taquígrafo é parlamento sem história”.

A Taquigráfica no Brasil teve várias mudanças, principalmente no que dizem respeito ao surgimento de novas tecnologias na área da informática, o que gerou afirmações de que a taquigrafia era uma profissão ultrapassada e em desuso. Mas, é preciso afirmar Mas, é preciso afirmar que mesmo a taquigrafia se utilizando dessas novas tecnologias para agilizar cada vez mais o registro das informações, a máquina não substitui o profissional de taquigrafia que transforma a linguagem oral em escrita mantendo o mesmo nível que o parlamentar se pronunciou.

Para aprender a escrever as palavras com as letras, precisamos conhecer nosso alfabeto, hoje, composto de 26 letras. Na escrita feita com sinais, também, temos um alfabeto composto de sinais que representam as consoantes e as vogais. A escrita taquigráfica baseia-se, exclusivamente, no som das letras – a fonética – (estudo do som da fala). A estas palavras grafadas com sinais dar-se o nome de “taquigramas”.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo o Professor Waldir Cury, “hoje, a taquigrafia continua sendo uma técnica altamente utilizada e ao taquígrafo cabe não trocar as palavras”. O Taquígrafo não pode deturpar; melhorar, apenas, transformar a fala em escrita. “Não se pode formalizar o informal”.

O principal objetivo do sistema tecnológico é facilitar a realização da tarefa dos taquígrafos e revisores, abreviar o processo como um todo e disponibilizar os apanhados o mais rápido possível. São os taquígrafos que permitem que todas as leis, decretos, resoluções, ordenamentos transcendam a história através do tempo. Portanto, a profissão de taquígrafos é tão importante que devemos encara-la com seriedade, dedicação e, fundamentalmente, vocação.

A Divisão de Tradução e Revisão Taquigráfica da Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba conta com a seguinte estrutura: 20 computadores com acesso a internet; gravadores; deks; fitas k7; headphones; 17 Taquígrafos Parlamentares; 8 Taquígrafos-Revisores; 9 Revisores; 4 Apoio a Taquigrafia;  1 Diretora.

 

A taquigrafia visa, de forma concisa, mostrar as práticas e atividades desenvolvidas no decorrer de sua experiência onde os taquigramas são sinais em lugar de palavras e não se limita somente a apanhar uma preleção, discurso ou ditado, estende-se, além, disso. Contudo, essa tarefa está intimamente ligada à criatividade, discernimento, intuição, contextualização e entre tantas outras características inerentes à natureza e genialidade humana.

4 REFERÊNCIAS

ARAGÃO, Maria das Graças Ramalho, 2006, Diretora da Divisão de Tradução e Revisão Taquigráfica – Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba.

XAVIER, Paulo – Diretor da Taquibras – Brasília –DF.

www.taquibras.com.br Acessado 18.06.2011

MAIA, Jório Eduardo Freitas. Professor de Taquigrafia.

www.taquigrafia.emfoco.nom.br/…/livro_nivel_avancado_90_a_110.pdf Acessado 18.06.2011

http://clientes.totaldesk.com.br/unale/site/?p=132 Acessado 18.06.2011 Acesso 18.06.2011

www.fiat-taquigrafos.org/Resumo02.doc 20.06.2011

http://www.cepss.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=372:taquigrafia-modernidade-e-tradicao-&catid=41:materias Acesso 20.06.2011

http://www.alep.pr.gov.br/noticia/assessoria-de-imprensa-da-alep-203 Acesso 20.06.2011

 

 

 

 

 

 


[1] Aluna do Curso de Especialização em Metodologia da Língua Portuguesa, da Universidade Vale do Acaraú – UVA.

² Aluna do Curso de Especialização em Metodologia da Língua Portuguesa, da Universidade Vale do Acaraú – UVA