A volta ao discipulado

Creio que a maioria dos cristãos conheça a famosa passagem em que Jesus comissiona seus discípulos a fazerem discípulos, localizada no versículo 19 do capítulo 28 do Evangelho segundo Mateus: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” [Mt 28:19]

Mas, o que exatamente é ser um discípulo? Quais as características que geram um seguidor?

Imitador seria um dos termos mais adequados e é esse o termo que Paulo usa diretamente cinco vezes, algumas referindo-se a ele mesmo como modelo a ser imitado: [1Co 4:16] [1Co 11:1] [Ef 5:1] [Fp 3:17] e [1Ts 1:6]

A instituição da Grande Comissão por Jesus é perpétua e toda pessoa que julga ser cristã deve ser diretamente um membro dessa comissão e perpetuar a mensagem de Cristo. Para um cristão fazer discípulos, não é uma opção, ou trata-se de um chamado apenas para alguns, mas o ide de Jesus é uma ordem, visto que está no imperativo. Além disso, há nessa ordem uma das maiores promessas que existem na Bíblia inteira: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”, conforme [Mt 28:20b].

A igreja cristã tem abandonado sistematicamente o discipulado, tal como foi instituído por Cristo e seguido à risca pelos apóstolos, trocando-o por modelos até interessantes, porém que não cumprem o propósito principal contido em Mt 28:19-20 que é “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” [Mt 28:20a].

Não existe nenhum outro método mais eficaz para imprimir em uma pessoa o caráter de Cristo que o discipulado. Entenda bem o que estou afirmando: não existe nenhum outro método mais eficaz!

As instituições religiosas cristãs têm diversos formatos e modelos de atuação e isto não é, a princípio, algo ruim. Podemos encarar isso como a multiforme graça de Deus que se manifesta de forma diversa e que dá características peculiares aos diversos ministérios levantados por Cristo.

O problema é quando uma igreja perde sua identidade de discipulado e vive de métodos humanos. Tais igrejas podem estar até cheias, lotadas e se expandindo, abrindo filiais em diversos países, porém conta em seu quadro de membros com um não pequeno número de zumbis espirituais, gente estéril e alienada, que nunca irá cumprir o IDE, por não ter a menor noção do que isso signifique. Não há problemas se determinada igreja tem como ênfase ministerial a palavra profética ou o ensino, ou ainda o evangelismo ou missões. Somente com o discipulado correndo nas veias dessa igreja, a começar pela liderança e havendo a “transfusão” desse sangue para todos os membros, é que tal instituição pode dizer que está agindo segundo o plano de Deus.

Existem igrejas que vivem de cultos. Não tenho nada contra uma igreja que faz um ou dois cultos por dia, todo dia e no domingo tem 6 cultos. A questão é que Jesus não disse “Ide e fazei cultos” mas sim “Ide e fazei discípulos”. Se uma igreja que vive de cultos, de campanhas, de revelações ou qualquer outro método não gera frutos que permanecem na doutrina dos apóstolos (discípulos) esta igreja está fora do propósito estabelecido por Cristo para sua igreja, razão pela qual Ele viveu e morreu.