Analítiras

Análise de tiras Hierárquica de Lances

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Analisando o primeiro bloco percebemos que a professora esta surpresa com o histórico de notas de Chico que esta cada vez pior.

Quando o aluno diz ‘ já sei!’ ele faz uma inferência das ultimas notas que teve e declara a última nota que tirou.

Esperando receber a notícia de uma nota zero, a docente já com um tom de conformidade fala a nota negativa. Ele se surpreende com o novo recorde, o estudante sentado logo atrás gosta da informação ri.

A seguir uma análise segundo o livro de Norman Fairclough (discurso e mudança social, 2001, 2008).

Segundo (Halliday, 1961) “Discurso em sala de aula, há 5 unidades de hierarquia descendente – aula, transação, troca, lance, ato-,de tal modo que uma aula é formada de transações, que são formadas de trocas, e assim por diante” .

“Um lance consiste de um ou mais atos. Sinclair e Coulthard distinguem 22 atos para o discurso em sala de aula, alguns dos quais (como ‘pronto’, quando uma criança pede o direito de responder, talvez levantando a mão) são bastante específico desse tipo de discurso. Outros são menos específicos: o lance iniciador de uma troca provocativa inclui, por exemplo, uma ‘provocação’ enquanto o lance iniciador de uma troca diretiva inclui uma “diretiva”.

Nesta tira ilustrada por Chico Bento e professora acontece um diálogo.

No primeiro balão dita pela professora acontece o lance iniciador, que instiga o seu receptor a uma resposta.

Na sequência o aluno da uma resposta errada e gera outro lance iniciador.

A professora responde com uma frase declarativa e não gera outro lance iniciador, porque seu receptor fica surpreso e sem resposta.

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Como lembra Norman Fairclough (2001, 2008), uma interrogativa frase poder se diretiva ou provocação.

Como de exemplo a ilustração acima: Floquinho, você nunca se o seu rabo com a cabeça?, sem a interrogação e uma frase declarativa ou informativa. Nessa sequência de figura Bidu e Floquinho pratica a função de lance iniciador.

Nesta conversação acontece o fenômeno aberturas e fechamentos conversacionais que funciona da seguinte maneira segundo os analistas Sacks, Schegloff e Jefferrson do livro de (Norman Fairclough 2001, 2008 analise da conversação).

“Os Analistas da conversação produziram estudos de vários aspectos da conversação: aberturas e fechamentos conversacionais; como os tópicos são estabelecidos, desenvolvidos e mudados; como as pessoas relatam estórias no curso de conversas; como e por que as pessoas “formulam” conversas (por exemplo, resumem-nas, sugerem o que implicam). Particularmente notáveis e influentes são os trabalhos sobre a tomada de turno de fala. Sacks, Schegloff e Jefferson (1974) propõem um conjunto simples mas poderoso de regras para a tomada de turno. Tais regras aplicam-se ao completar-se uma ‘unidade de construção de turno’; os praticantes da conversação constroem seus turnos com unidades, tais como a frase complexa, a frase simples, o sintagma, e mesmo a palavra, e os participantes são capazes de determinar qual é essa unidade e predizer, com grande precisão seu ponto de completude. As regras são ordenadas: 1) o falante atual pode selecionar o próximo falante; 2) se isso ocorrer, o próximo falante pode ‘auto selecionar-se’ iniciando a produção de um turno; 3) se isso não ocorrer, o falante atual pode continuar. Sacks, Schegloff e Jefferson argumentam que essas regras dão conta de muitos aspectos observados da conversação: que as sobreposições entre os falantes ocorrem, mas geralmente são breves; que ocorre um grande numero de transições entre os turnos sem lacuna e sem sobreposição, e assim por diante . Apesar da generalidade das regras, elas permitem variação considerável em aspectos como a ordem e a duração dos turnos .

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Escolhemos essa figura dos personagens em quadrinhos da turma da Mônica para explicar os fenômenos Pares Adjacentes assim explica Norman (2001, 2008), aquele que questiona provoca sequencialmente uma resposta de alguém. Papa Capim questiona El Kava, este responde a pergunta e gera outra que é respondida. No ultimo Balão a palavra progresso torna-se uma resposta positiva implicada, pois e a resposta foi gerada por todas as perguntas anteriores. Podemos constatar isso na seguinte citação:

“A evidência para que x implique sequencialmente y inclui: 1) o fato de que qualquer coisa que ocorra após x se for de qualquer modo possível, será tomada como y (por exemplo, se “Essa é sua esposa?” é seguida por “Bem, não é minha mãe”, a última deverá ser tomada como uma resposta positiva implicada; e 2) o fato de que se y não ocorrer, sua ausência será notada e comumente oferece margem para uma inferência (por exemplo, se os professores deixam de dar retorno as respostas dos alunos, isso pode ser tomado como uma rejeição implícita destes).

Segundo Atkinson e Heritage (1984:6),”vitualmente todo enunciado ocorre em algum local estruturalmente definido na conversa”. Uma implicação disso é que os turnos exibem uma análise de turnos prévios fornecendo evidência constante no texto de como os enunciados são interpretados. Outra implicação é que a posição sequencial de um enunciado é por si só bastante para determinar seu sentido. Mas esse ponto é altamente por dois motivos: 1) os efeitos da sequência sobre variam segundo o tipo de discurso; 2) como sugeri quando discuti Sinclair e Coulthard, pode-se recorrer a uma variedade de tipos de discurso durante uma interação, e os participantes como produtores e interpretes, constantemente tem de negociar suas posições em relação a esse repertório. (Análise do discurso Norman Fairclough (2001;2008) pg. 38.

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Podemos identificar a visão que Mafalda possui de sua mãe ao chamá-la de coitada, uma mulher frustrada e medíocre, apesar de pelas imagens aparentar ser uma mãe do lar dedicada. Mafalda acredita que somente com os estudos poderá ter um futuro diferente de sua genitora. Mafalda fala o que pensa e depois ironiza porque não quer seguir o exemplo de sua genetriz.

Por sua vez a dona lar ficar triste ao saber o que a filha pensa dela. Ironia é um instrumento que consiste em dizer o contrário do que se pensa. Ao Verificarmos o primeiro, terceiro e quarto quadro, percebemos a presença da Função e motiva nas palavras da malfada, pois a fala esta carregada de emoção, para melhor compreensão veja a definição de função emotiva:

“Consiste na exteriorização da emoção do remetente em relação aquilo que fala de modo que essa emoção transpareça no nível da mensagem. Essa função esta concentrada no próprio remetente já que é sua emoção que esta em jogo na mensagem. Um exemplo de função emotiva esta em uma situação em que um indivíduo, ao tentar martelar um prego, acerta o próprio dedo e profere um palavrão. Em mensagens marcadas por esta função, podemos detectar a emoção do remetente na entonação que usa (é difícil imaginar um locutor narrando uma partida de futebol com uma emoção sonolenta já que sua também é passar a emoção do jogo) ou em sua escolha vocabular ( entre as frases “ele saiu de casa” e “O canalha abandonou o lar”, a segunda é certamente mais emotiva já que reflete um envolvimento da falante com a situação).

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Nesta tira conseguimos perceber que o personagem pança declara nas três primeiras imagens a palavra morte, quer passar a mensagem de que todos os problemas do país irá se resolver com o extermínio de senadores, deputados e presidente.

Ao analisarmos o discurso do pança de fora do contexto, podemos ter algumas conclusões. O personagem esta em um país onde seus governantes não cumprem com seus deveres que ocasionou a revolta da figura aqui ilustrada. Outra possibilidade é que Pança tenha algum desvio psicológico que o faz pensar que tudo se resolve com a morte.

A tira acima exposta apresenta traços de função emotiva porque os personagem esta expondo com suas emoções o que pensa e deixa transparecer isso no texto como também a função referencia. Vejamos e definição de função referencial:

“Consiste na transmissão de informações do remetente ao destinatário. Essa função está centrada no contexto já que reflete uma preocupação em transmitir em conhecimentos. (Manual de Linguística, Mario Eduardo Matelotta 2011).

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Verificamos na tira acima que Chico Bento tem pretende repetir de ano e fala para seu colega. O rapaz logo pensa, que o motivo para Chico repetir de ano são as notas, e tenta confortá-lo dizendo, que ainda estão no meio do ano, e que Bento pode alcançar a média se estudar mais. Chico Bento Percebe que seu amigo não o compreendeu e diz que a professora é bonita, seu amigo fica surpreso com a afirmação e entende o real motivo de ele querer repetir de ano.

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Visualizamos na tira acima o questionamento do filho para o pai de como ele nasceu, o menino inicia a frase logo com o substantivo pai, pois ele quer enfatizar logo para quem se dirige a pergunta. Como se trata de um diálogo seu gerador logo responde mas não de forma objetiva, o pai responde especificamente de como conheceu seu mulher, e não conta com detalhes como a consequência dessa união gerou o nascimento do filho. A satisfeita com a história emociona-se, mas a alegria do menino dura pouco ao saber que ele nasceu de uma gravidez indesejada e que seu criador odiava sua mulher.

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Identificamos neste diálogo Edi questionando o pai se é errado se apaixonar pela professora, Ele prontamente responde que não tem problemas se ela for solteira, nos passando a imagem de um pai que é a favor do relacionamento de pessoas com grande diferença de faixa etária, e também a traição. Quando a mãe de Edi interfere na conversa seu pai muda logo de opinião.

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Visualizamos o diálogo dos pais a respeito da professora que chegou recentemente na escola. A mãe está preocupada com a possibilidade do filho Edi estar apaixonado pela professora, pois para ela, o filho não esta na idade para iniciar um namoro. Na resposta do pai identificamos que tem uma opinião diferente

Considerações

Este artigo tem a finalidade de analisar tiras, os estudos presenciados são hierárquica de lances, abertura e fechamentos conversacionais, pares adjacentes, função emotiva e função referência. Temos muitos aspectos para aprofundar nesses estudos levantaremos nos estudos futuros.