Aprendendo com a política – Reginaldo Rodrigues

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Dia desses falei em uma palestra que campanha eleitoral pra mim se compara a uma Copa do Mundo, dado meu envolvimento profissional e pessoal. No mesmo momento ouvi alguém da plateia comentar: “Tem gosto pra tudo”. Minha história com a política, na prática começou em 1989, quando, juntamente com alguns amigos caminhamos ao lado do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva pelas ruas de Divinópolis, cidade do interior de Minas Gerais. Naquela época torcer e fazer campanha pelo Partido dos Trabalhadores era sinônimo de rebeldia e protesto, era paixão pura. Desde então sempre estive envolvido de alguma maneira nas campanhas, hoje, porém, sem paixão. Política pra mim é trabalho, ótima possibilidade de negócios. Sem nenhum idealismo, a minha preocupação é trabalhar estrategicamente para que meus clientes sejam vencedores nos pleitos. Portanto, em qualquer eleição, o melhor candidato, sem dúvida é aquele que nos contrata, independente de ideologia, partido ou convicções. Como profissionais da política buscamos as informações nas entrelinhas, observamos todos os detalhes pelo viés do Marketing. As cinco campanhas atuando profissionalmente me proporcionaram o privilégio de saber o que funciona e o que não dá certo no período pré-eleições na busca pelos votos. O primeiro dia de campanha pelo rádio e Tv já deu uma noção do que viria a seguir neste ano de 2010. O programa de rádio do candidato José Serra foi muito bom, deu um show nos demais. Com textos criativos e envolventes, interpretações perfeitas dos comunicadores conseguiram prender a atenção de quem ouvia. Em contra partida na televisão acorreu o inverso, a equipe de Dilma Roussef foi mais eficaz, focando na sensibilidade dos telespectadores. Ficará sob responsabilidade de um dos dois a liderança do país pelos próximos anos e a escrita de mais páginas no Livro Brasil. Deixando paixões partidárias de lado, todos os presidentes tiveram importante papel na escrita dessa história recente. O que o país vive hoje começou com Fernando Collor, se lembram da abertura de mercado? Itamar Franco, Fernando Henrique, Lula e o Brasil crescendo e se firmando no cenário mundial. É hipocrisia e falácia qualquer um dos líderes citados quererem assinar o “Projeto Brasil”. Vez por outra vemos um deles “batendo no peito” e dizendo eu fiz. Em todas as administrações temos que abrir parênteses para denúncias de corrupções e fatos que evidenciaram as mazelas sociais e desrespeito com o ser humano e com o povo em várias esferas. Todos os governos tiveram virtudes e falhas. Voltando à campanha, a candidata do Partido Verde Marina Silva, terceira colocada, não inovou e seu discurso foi pautado no meio ambiente, como já era de se esperar. Coube aos demais canditados reclamarem do tempo destinado a eles na mídia e criticar de maneira veemente as políticas públicas brasileiras, como se tivesse tudo errado. Regionalmente, “tudo igual como era antes”, já dizia um velho amigo. Com raras exceções, parece programa de humor. Mesmo que pareça paradoxal, já que o Marketing Político é considerado frio, estratégico e calculista, como ser humano gosto de observar pessoas no meio e aprender com elas. Citei em um dos meus textos, sinceramente não me lembro qual, a capacidade do vice presidente José Alencar em lidar com o adverso, sua luta pessoal é exemplo para todos os brasileiros fiquei fã desse ser humano ao vê-lo discursar emocionado em um encontro em Belo Horizonte. Foi fantástico e me acrescentou muito. Gravando com Paulo Abi-Ackel, há alguns dias observava o ex-ministro da justiça, Ibraim Abi-Ackel, pai do nosso cliente, enquanto conversava com ele. Outra aula. Sua simplicidade, calma e humildade contrastam com sua sabedoria política conquistada pelos mais de 40 anos de vida pública e pelos oito mandatos como Deputado e cinco anos como Ministro da Justiça. Doutor em Direito público, ministro em uma das épocas mais decisivas da história do Brasil, Ibraim é verdadeira uma enciclopédia de História e Direito. A sensatez das observações chamou não só a minha atenção, mas de todos que lá estavam. E todas as vezes que tive contato com ele foi a mesma coisa, ele tem prazer em conversar com a gente e compartilhar o conhecimento. Para “amarrar o texto” como nós jornalistas dizemos, seria importante se todos, sem exceção se conscientizassem da grande responsabilidade que é votar. É um dos raros momentos que exercemos nossa cidadania e temos a possibilidade de “dizer não” a várias atitudes e situações que não nos agradam nos nossos representantes nos poderes públicos. É oportunidade para aprender também, muitos têm ótimos projetos. Existem ótimos candidatos, profissionais, bem intencionados, entendedores de política e de leis, mas a grande maioria dos que vemos na Tv ou ouvimos pelo rádio, nem sabe o que diz. Portanto não faça parte da turma que fala que odeia campanha, período eleitoral e programa político, do contrário, estará contribuindo para o cenário de corrupção, inércia e má vontade que vemos vez ou outra pela mídia.

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