Avaliação de agentes físicos no consultório odontológico

Resumo

Este trabalho apresenta uma revisão sobre agentes físicos presentes no consultório odontológico. As pesquisas realizadas mostraram que o cirurgião-dentista está exposto a vários riscos, principalmente causados pelos materiais de trabalho.

Introdução

Vários dos materiais utilizados em odontologia podem causar efeitos nocivos e doenças ocupacionais ao cirurgião-dentista e auxiliares. A equipe odontológica deve estar sempre consciente dos efeitos. Sendo o cirurgião dentista um trabalhador que usa e depende cada vez mais da tecnologia está também exposto a um risco muito grande de contrair doenças profissionais. De acordo com Saquy et. al. (1994), à medida que o trabalho torna-se mais dependente da técnica, o número de acidentes e de doenças profissionais aumentam. Sendo o cirurgião dentista um trabalhador que usa e depende cada vez mais da tecnologia está também exposto a um risco muito grande de contrair doenças profissionais. Dentre os riscos a que esse profissional está sujeito diariamente pode se citar seus principais agentes: físicos, químicos e biológicos, sendo o ruído, a iluminação,calor, frio, pressões anormais, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações, alguns agentes físicos arteriais durante seu emprego rotineiro. A prevenção dos riscos físicos é essencial ao bom desempenho profissional e está diretamente relacionada à qualidade do trabalho desenvolvido.

Objetivo

Este estudo tem como objetivo, conhecer os riscos de agentes físicos do consultório odontológico e doenças causadas por estes materiais. Com objetivo específico destacam-se:

– A prevenção e controle dos riscos físicos, que é essencial ao bom desempenho profissional e está

diretamente relacionada à qualidade do trabalho desenvolvido.

– Propor recomendações que permitam uma melhoria do ambiente.

Metodologia

Com o propósito de conhecer os riscos causados pelos agentes físicos de um consultório odontológico, e propor uma melhoria para o ambiente, foram realizadas pesquisas em artigos e livros.

Controle dos Riscos Físicos

Os riscos físicos se caracterizam por:

– Exigirem um meio de transmissão (em geral o ar) para propagarem sua nocividade.

– Agirem mesmo sobre pessoas que não têm contato direto com a fonte do risco.

-Alguns exemplos de riscos físicos, ruído, a iluminação,calor, frio, pressões anormais, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes, vibrações.

Radiação

A utilização da radiação na odontologia está relacionada à melhoria e/ou à manutenção da saúde do paciente. As radiografias têm sido excessivamente utilizadas, causando preocupação quanto aos riscos radiológicos. Os possíveis efeitos deletérios à saúde causadas pela radiação vai depender principalmente do tempo de exposição a uma fonte radioativa, por isso deve ser doses a níveis aceitáveis e proteção do paciente e profissional. Manter os equipamentos em perfeitas condições de funcionamento e proceder ao exame com técnicas atualizadas e adequadas.

Ruído

A preocupação com a perda de audição surgiu com o uso de motores de alta rotação no final da década de 50. Costa (1989), citado por Saquy (1996), observa que o cirurgião dentista está exposto a várias fontes de ruído, como: compressores de ar, turbina de alta velocidade, sugadores de saliva, além de outros fatores como som ambiente e ruído externo ao ambiente de trabalho. Nogueira (1983), em relação ao ruído das turbinas de alta rotação, afirma que não se conhecem casos de perda auditiva pela utilização de peças de mão, de velocidade média e baixa, porém, as peças de mão com turbina produzem níveis de ruído extremamente altos, que são considerados como causa da perda de audição. Segundo Gonçalves (1989), os ruídos chegam a provocar uma redução de 60% na produtividade, pois dificultam a concentração, propiciando erros, desperdícios e acidentes por distração. De acordo com a Legislação do trabalho (1986) o limite máximo de tolerância de ruído em 8 horas de trabalho é de 80 dB. Para Naressi (1983), os ruídos devem situar-se entre 60 e 70 dB, entre 70 e 80 dB aumenta a sensação de desconforto e acima de 90dB há um grande risco para a acuidade auditiva. Para melhoria ergonômica do ambiente recomenda-se:

– Revisão de aparelhos

– Estabelecer intervalos entres os atendimentos, com o desligamento dos equipamentos.

– Posicionar aparelhos estrategicamente.

– O equipamento de alta rotação deve ser mantido em ótimas condições de uso, a fim de minimizar os perigos dos ruídos das turbinas.

– Instalação do compressor fora do ambiente clínico, em local construído para o fim.

Iluminação

De acordo com SIMURRO (2000), a intensidade de iluminação e a coloração da luz devem combinar com a coloração da luz ambiental. São aconselhadas, para a iluminação, lâmpadas fluorescentes de luz natural branca, com coloração a mais semelhante à temperatura cromática. A iluminação do lugar de tratamento, ainda de acordo com SIMURRO (2000), deve possibilitar ao Cirurgião-Dentista a realização de trabalhos de precisão fora do campo de operações propriamente dito. Entende-se como lugar de tratamento todos os aparelhos terapêuticos, bem como os demais acessórios de uso imediato do profissional e de sua auxiliar. As luminárias devem estar instaladas na cobertura por sobre e em frente ao paciente, para que se consiga uma direção de luz apropriada para providências terapêuticas em pacientes deitados ou sentados. Para se manter tão baixa quanto possível a ofuscação do paciente, são preferidas as luminárias de grande área. O teto sendo a principal superfície refletora da luz que provém do exterior, é responsável pelo redirecionamento da luz aos planos verticais e horizontais mais distantes das janelas, não podendo causar ofuscamento, fornecendo condições lumínicas necessárias para o bom desempenho da atividade

visual. Outro aspecto a ser considerado é o formato. Grandes quantidades de reentrâncias dificultam o redirecionamento da luz natural, visto que obstruem o caminho usual da reflexão do feixe lumínico. A disposição do menor número possível de cavidades e a simples inclinação do teto de forma descendente até a janela, proverão uma distribuição de luz mais eficaz e uniforme no ambiente interno. FALZON (1996) observa que o nível de iluminação interfere diretamente no mecanismo fisiológico da visão e também na musculatura que comanda os movimentos dos olhos, levando com isso à fadiga visual. Para evitá-la, deve haver um cuidadoso planejamento da iluminação, assegurando a focalização do objeto a partir de uma postura confortável. A iluminação adequada diminui a fadiga ocular e aumenta a velocidade e eficiência da leitura. Luz fraca não causa doença ocular, mas aumenta o cansaço ocular.

Formas de Iluminação para Consultório Odontológico

SAQUY (1994), sugere como deve ser iluminado corretamente um consultório odontológico. Discutem a forma correta de iluminação, e que o profissional de odontologia adquira conhecimentos básicos das regras de iluminação para colaborar na concepção de um ambiente de trabalho que se coadune à terapia dos pacientes. Enfatizam os locais dentro de um consultório odontológico com funções diferentes: sala de recepção, sala de consulta e sala de tratamento, que devem ter iluminação diferenciada por serem ambientes diferentes. Chegaram à seguinte conclusão:

a) Se o ambiente não dispõe de luz natural ou só é utilizado durante a noite, deve-se utilizar lâmpadas fluorescentes do tipo “quente”, com “excelente reprodução de cores”.

b) Se o ambiente é servido com pouca quantidade de luz natural (uma

pequena janela ou clarabóia), utilizar lâmpadas fluorescentes do tipo “fria”, com “boa reprodução de cores”.

c) Se o ambiente dispõe de luz natural abundante (uma grande janela ou área

aberta), utilizar, como complemento de luz, lâmpadas fluorescentes do tipo que acompanham a luz natural, com “boa” ou “excelente reprodução de cores”.

Cores do consultório

As cores têm grande influência no cotidiano dos seres humanos e saber usá-las da maneira correta contribui de forma positiva para o sucesso de um consultório. Uma sala de espera de uma clínica de endodontia ou de implante, por exemplo, deve ser o mais agradável possível, pois o cliente geralmente tem medo do procedimento pelo qual vai passar e precisa ficar mais relaxado. Nenhuma cor estimulante como vermelho, laranja ou amarelo deve ser usada na pintura das paredes, a não ser talvez em pequenos adornos. Para ambientes assim devemos dar preferência para os tons de azul e verde, cores frias e repousantes. Imagine sempre um local em que o cliente preferia estar naquele momento, como um jardim, e procure recriar este ambiente, inclusive nas cores. Perceba que em um jardim, que costuma agradar e acalmar a maioria das pessoas, a grande massa de cor vem do verde da grama e do azul do céu, e que as cores quentes como o vermelho, o laranja e o amarelo surgem apenas em pequeninas flores coloridas que aparecem para quebrar a monotonia da paisagem. Usar a lógica das cores presentes na natureza é um artifício que sempre dá certo.

Dicas para a escolha das cores do seu consultório odontológico

– Cores fortes podem ser utilizadas, desde que em pequenas porções (apenas uma parede), em locais de pouca visualização, ou em elementos decorativos que possam ser trocados facilmente (almofadas, quadros);

– Sempre que possível, combine cores quentes com cores neutras e um pequeno toque de cor fria;

– Os tetos devem ser em tons mais claros que as paredes quando o objetivo é ampliar o espaço;

– Tons de verdes quentes são mais agradáveis.

– Empregue cores neutras, mais fáceis de combinar, onde é mais complicado e caro trocar os materiais (pisos, sofás, etc.)

Referência bibliográfica

 

COSTA, E. G. C. (1989). “Ergonomia – prevenção dos riscos ocupacionais em Odontologia”. Jornal do Dentista. CRO – Belo Horizonte, n.48, v. 3, p. 48-51.

 

NOGUEIRA, D. P. (1983). “Riscos ocupacionais de dentistas e sua prevenção”. Ver. Bras. de Saúde Ocupac. v.11, n. 41, p. 14-6.

 

SAQUY, P. C. et al. (1994). “Intensidade de ruído produzido pelas canetas de alta-rotação”. Ver. Gaúcha de Odontologia, n. 42, v. 3, p. 131-3.

 

CAPELOZZA, Ana & CASTI, Luiz. Avaliação das condições de radioproteção em

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DABI-ATLANTE. Manual Técnico de Ergonomia Odontológica.

 

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SAQUY, Paulo C. Iluminação do Consultório Odontológico. Revista da APCD, São

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SOUZA Cloves C.(2003). A ILUMINAÇÃO EM CONSULTÓRIOS ODONTOLÓGICOS:

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DICAS DE COMO MONTEAR SEU CONSULTÓRIO. Equipe Projergonet, p. 02.

 

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. (2006). Serviços Odontológicos: Prevenção e Controle de Riscos, Brasília, p. 41.