Conhecendo um pouco de natação

Introdução

Nos últimos tempos muito tem se falado sobre o respeito aos direitos e necessidades as pessoas com deficiência, percebe-se que esses indivíduos têm encontrado grandes obstáculos para sua participação na sociedade. A partir de então e por ter uma aproximação com o campo de pesquisa sendo o meio aquático, buscaremos compreender como esse público se interage com esse meio.
De acordo com Ferreira e Fonseca (s/d) na natação vários estímulos se apresentam tanto motores, visuais, auditivos, verbais e outros, desenvolvendo sua mente para uma melhor apreensão e percepção de algo novo.
Nesse sentido, consideramos a relevância de crianças tanto ditas normais, quanto com deficiência terem a oportunidade de desde cedo iniciarem uma pratica aquática, para possibilitar melhoras no desenvolvimento motor e psicológico.
Na cidade de Catalão, existem três espaços que desenvolvem a prática de natação para crianças, sendo estes: uma escola privada, uma creche Municipal e a Escola Santa Clara, sendo esta última nosso campo de investigação, visto que nas outras duas escolas não são encontradas crianças com deficiência que realizem esta prática.
Como esboça Rosa et. al, (s/d, p. 1) “ que estudos relatam a importância da natação no desenvolvimento motor da criança e também na formação da sua personalidade e inteligência”.
A natação por ser um dos mais complexos esportes, além de ser praticado por qualquer pessoa ajuda ao individuo a reconhecer seu próprio corpo, entre suas habilidades.
Percebo que um dos principais objetivos para que consigamos um desenvolvimento, em busca de saúde e equilíbrio, é desenvolver o gosto pela atividade, através das atividades lúdicas, prazerosas, com objetivos claros, dentro das capacidades psicomotoras, fazendo com que o individuo tenha uma longa vida útil na natação.
Segundo Castro (2008) a natação proporciona inúmeros benefícios, como a coordenação motora, noção de espaço e tempo, melhora o apetite, aumenta a resistência cardiorespiratória e muscular, melhora o sono, diminui algumas doenças bem como proporciona a socialização dos indivíduos. É recomendada normalmente, a partir dos 6 meses de idade e pode ajudar a criança a ter facilidade de se locomover e mostrar mais suas habilidades e potencialidades.
Neste artigo, utilizamos o termo deficiente por acreditarmos que, ao verificar diferentes nomes de estigmas e discriminação dados a essas pessoas, o termo deficiente apesar de caracterizar um determinado grupo, é o que melhor caracteriza as expectativas de uma educação que contempla todos, independente de suas diferenças.
Durante a sua história alguns movimentos sociais das pessoas com deficiência buscaram denominações que pudessem romper com uma imagem negativa e de exclusão. Segundo LANNA JÚNIOR e MARTINS (2010),

O primeiro passo nessa direção foi a expressão “pessoas deficientes”, que o movimento usou quando da sua organização no final da década de 1970 e início da década de 1980, por influência do Ano Internacional das Pessoas Deficientes (AIPD). A inclusão do substantivo “pessoa” era uma forma de evitar a coisificação, se contrapondo à inferiorização e desvalorização associada aos termos pejorativos usados até então (p. 17).

Logo depois com uma nova expressão “pessoas portadoras de deficiência”, como esboçam Lanna Júnior e Martins (2010), com o objetivo de identificar a deficiência apenas como um detalhe. Essa denominação foi adotada pela Constituição Federal de 1988 e nas estaduais, bem como em todos os conselhos e coordenadorias passaram a utilizar desta terminologia.
Varias críticas a esta classificação foram surgindo, assim sendo LANNA JÚNIOR e MARTINS (2010) citam que os

Eufemismos foram adotados, tais como “pessoas com necessidades especiais” e “portadores de necessidades especiais”. A crítica a esses eufemismos se deve ao fato de o adjetivo “especial” criar uma categoria que não combina com a luta por inclusão e por equiparação de direitos. Com a luta política não se busca ser “especial”, mas, sim, ser cidadão. A condição de “portador” passou a ser questionada pelo movimento por transmitir a idéia de a deficiência ser algo que se porta e, portanto, não faz parte da pessoa. Além disso, enfatiza a deficiência em detrimento do ser humano (p. 17).

Contemporaneamente passou-se a ser adotada a expressão “pessoa com deficiência” em oposição a terminologia “pessoa portadora”, sendo uma maneira de designar este grupo social. Lanna Júnior e Martins (2010) dizem que “esta expressão demonstra que a deficiência faz parte do corpo e, principalmente, humaniza a denominação” (p. 17).

Ser “pessoa com deficiência” é, antes de tudo, ser pessoa humana. É também uma tentativa de diminuir o estigma causado pela deficiência. A expressão foi consagrada pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006. Não raramente, o termo “excepcional” e a expressão “deficiente físico” são usados, erroneamente, para designar todo o coletivo das pessoas com deficiência. (LANNA JÚNIOR e MARTINS (2010, p. 17).

Silva (1986, p. 389) utilizando de um documento da Rehabilitation Internacional, diz que “deficiência [é] qualquer restrição ou prevenção na execução de uma atividade, resultante de um impedimento, na formação ou dentro dos limites considerados normais para o ser humano”. Diz ainda que a “deficiência como resultado de um impedimento pode consistir de dificuldades de marcha, visão, fala audição, escrita, de contar, de levantar-se ou de interessar-se em fazer contato com o meio-ambiente” (IBIDEM, p.390).
Entendemos que a deficiência mesmo com todos os seus obstáculos, restrições e dificuldades, deve ser encarada a fim de buscar desenvolvimentos e melhoria na qualidade de vida.
Com o intuito de inserir não só os deficientes, mas todos os excluídos da escola e da sociedade surgem as políticas de inclusão com sua origem nos Estados Unidos nos anos 70 com. Já no Brasil ganhou impulso nos anos 90 e efervescência nestes primeiros anos do século XXI. “No seu paradigma que determina as políticas de inclusão escolar, a educação especial tem outro significado, deixa de ser especial e de atender a um segmento da população, para ser uma educação que promove um ensino de especial qualidade a todos” (SILVA; SOUSA; VIDAL, 2008, p. 126).
Nesta análise podemos encontrar alguns pontos importantes para o nosso contexto, pois o que se tem visto na atualidade não são os aspectos que norteiam a inclusão com seu princípio básico de que todos são diferentes e, por isso, devem conviver com essas diferenças. Millen Neto e Silva (2008), após uma investigação numa escola dita inclusiva, nos esclarecem, em suas considerações finais, que os alunos deficientes investigados mais se integraram à escola do que participantes do processo inclusivo, pois esses é que tiveram de se adaptarem à escola. Dizem ainda que esses alunos faziam as aulas de Educação Física somente com alunos deficientes, enquanto os outros não deficientes ficavam realizando outras atividades em locais separados e as competições existentes na escola também eram divididas.
Compreendemos que a as políticas de inclusão existem, mas quando se observa na prática o que se tem visto, é algo totalmente contrario assim o processo de reabilitação dessas pessoas fica comprometido, pois o que deveria garanti-las plenas condições de se interagirem com o meio, acabam muitas vezes discriminando-as ainda mais. Nessa reabilitação o individuo necessita de uma equipe preparada e qualificada para promover a este, conquistas que para ele seria impossível e com isso promover seu próprio desenvolvimento. Para a Lei n.º 9/89 de 2 de Maio – Revogada pela Lei 38/2004

o processo de reabilitação compreende medidas diversificadas e complementares nos domínios da prevenção, da reabilitação médico-funcional, da educação especial, da reabilitação psicossocial, do apoio sócio-familiar, da acessibilidade, das ajudas técnicas, da cultura, do desporto e da recreação e outros que visem favorecer a autonomia pessoal (Lei n.º 9/89 de 2 de Maio – Revogada pela Lei 38/2004, p.4)

1. Historicizando a natação

As pessoas com deficiência apresentam dificuldades de inserção em sociedade desde o início dos tempos. Para um melhor entendimento dialogaremos com alguns autores que abordam estas questões desde os tempos mais remotos.
Segundo Silva (1986) as pessoas deficientes eram tratadas de duas formas: aceitação, tolerância, apoio e assimilação, e outra de eliminação, menosprezo ou destruição.
Carmo (1991) aponta que os “velhos, aleijados, doentes mentais, cegos e coxos” nas tribos indígenas eram muitas vezes ridicularizados e em algumas tribos eram colocadas em lugares afastados, para alimentar animais como os ursos, para que no inverno seu pelo servisse de casaco para se cobrirem do frio, assim os homens fortes e robustos da época tinham a função de caçar, pescar, mergulhar, nadar para que em um confronto entre uma tribo e outra os mais fortes e bem alimentos eram vitoriosos.
Silva (1986) diz que na tribo Havaí a prática de eliminar os velhos ou os que, por algum motivo, ficaram deficientes, era de enterrá-los vivos, por solicitações próprias ou mesmo contra suas vontades, considerando que a terra os protegia contra tudo e contra todos.
Carmo (1991) assim como Silva (1986), destacam que a deficiência em algumas etnias eram consideradas estigma do mal, a partir de crendices religiosas e espirituais, relatam ainda que muitas das pessoas eram sacrificadas em muitas culturas.
Para Silva (1986) nas tribos indígenas brasileiras, raras eram as que aceitavam os deficientes, e que as poucas anomalias existentes eram fruto de guerra ou acidentes na selva. Acredita-se que, nas deficiências congênitas, as crianças eram sacrificadas pelos pais logo após o nascimento.

No século XIX tiveram início as primeiras ações para atender as pessoas com deficiência, quando o País dava seus primeiros passos após a independência, forjava sua condição de Nação e esboçava as linhas de sua identidade cultural. O contexto do Império (1822-1889), marcado pela sociedade aristocrática, elitista, rural, escravocrata e com limitada participação política, era pouco propício à assimilação das diferenças, principalmente as das pessoas com deficiência. O Decreto n° 82, de 18 de julho de 1841, determinou a fundação do primeiro hospital “destinado privativamente para o tratamento de alienados”, o Hospício Dom Pedro II vinculado á Santa Casa de Misericórdia, instalado no Rio de janeiro. O estabelecimento começou a funcionar efetivamente em 9 de dezembro de 1852. Em 1854, foi fundado o Imperial Instituto dos Meninos Cegos e, em 1856, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos. Durante o século XIX, apenas os cegos e os surdos eram contemplados com ações para a educação. É importante destacar que a oferta de atendimento concentrava- se na capital do Império (LANNA JÚNIOR e MARTINS (2010), p. 22).

Como aponta Carmo (1991) após a colonização, os dados históricos relatam que houve um aumento significativo da população de deficiente físico, por maus tratos e acidentes de trabalho escravo.
Um fato marcante que se destaca na história é que, em 1854 foi criada, por D Pedro II, alguma forma de assistência e reabilitação das pessoas deficientes com a construção de três organizações destinadas ao amparo desses indivíduos. “São elas: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos; o Instituto dos Surdos-Mudos (1887) e o Asilo dos Inválidos da Pátria, todas destinadas aos ex-combatentes mutilados nas guerras em defesa da pátria” (CARMO, p. 25). Nesse sentido podemos observar que a população de maneira geral foi, durante muito tempo, carente de cuidados médicos e de reabilitação. A essas pessoas deficientes no pós guerra observa-se que sua inserção em sociedade foi marcada por dificuldades e esbarravam sempre em discriminações e pré-conceitos.
Em números, não se tem uma estimativa de quantos são os deficientes no Brasil, pois, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 10% da população brasileira (país de terceiro mundo) apresenta alguma forma de deficiência. Com isso, muitos estados têm usado essa estimativa como forma de elaboração de políticas para essas pessoas.
Ao avançar um pouco na história, considerando o século XX até os dias atuais, verificamos que não há grandes avanços quanto à forma em que são tratados os deficientes de maneira geral (CARMO, 1991). Podemos citar como exemplo, as instalações físicas das atuais escolas, onde verificar-se as difíceis formas de locomoção, de aceitação de uma escola que agregue toso os alunos de forma homogênea e dentre outros.
O século XXI tem se caracterizado por marcas e iniciativas importantes para a promoção e a defesa dos direitos humanos no Brasil, Lanna Júnior e Martins (2010), citam quem de maneira especial, aos direitos das pessoas com deficiência.

Os desafios ainda são muitos, mas são inequívocas e inúmeras as conquistas. O Ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em entrevista alusiva ao Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência (em 21 de setembro de 2010) sintetizou: “os avanços na área das pessoas com deficiência são visíveis, em termos orçamentários, institucionais, de participação social, no marco legal e de integração entre os ministérios.” O Decreto da Acessibilidade, a Lei do Cão Guia e a ratificação da Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência são os destaques no marco legal (LANNA JÚNIOR e MARTINS (2010), p. 85).

Nos esportes aquáticos a inserção desses indivíduos a essa prática, que é reconhecida desde os tempos pré-históricos, apresenta-se dificuldades em sua realização, podemos então realizar um paralelo com os deficientes.
Apresentando em seus registros mais antigos, nas pinturas rupestres de cerca de 7.000 anos atrás. Já as referências escritas apontam para 2.000 a.C.. Verificamos que as pessoas deficientes quase sempre então afastadas das vivências com o meio aquático ROSA et. al,( s/d, p. 1).
A natação de competição na Europa tem seu inicio no ano de 1.800 com o estilo bruços, e logo após em 1873 passando a se chamar estilo Trudgen conhecido nos dias atuais como Crawl. Em1896 a natação tem a sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos da era moderna em Atenas (Souza, Menezes & Amorim, 2009 p. 3)
Posteriormente os exercícios aquáticos começam a ser utilizados como meios corretivos. Buckardt e Escobar (1985 apud ARAUJO e SOUZA, 2009, p.1) ressaltam o surgimento de novos métodos de exercícios terapêuticos dentro da água, “em 1924, Lowman organiza uma hidroginástica terapêutica, dentro de tanques ou piscinas, para portadores de poliomielite paraplégicos e portadores de outros problemas ortopédicos”.
Com a ampliação da natação para crianças, os dados históricos apontam para o seu surgimento a partir de 1939, na Austrália objetivando seus benefícios para esse público, em alguns países como a Rússia e os Estados Unidos, em 1960 há uma preocupação quanto à metodologia utilizada, uma vez que, os métodos realizados geraram críticas na época por serem executados em água com temperaturas baixas.
Araujo e Souza (2009) nos dizem ainda que nos Estados Unidos alguns métodos terapêuticos utilizados na água, eram realizados em soldados com problemas psicológicos da Segunda Guerra Mundial
Segundo Bonacelli (2006), nos Estados Unidos com o aumento das piscinas nas residências e acidentes houve uma preocupação maior com as atividades aquáticas. No Brasil encontra se alguns estudos a partir da década de 60, com muitos mitos e preconceitos.
Percebemos que atividades aquáticas se fazem presentes no cotidiano de vários indivíduos desde os primórdios atuando como formas recreativas e também utilizadas como auxilio a reabilitação, como Araujo e Souza (2009 p.1) nos esclarecem “os gregos e romanos já utilizavam a água corrente para a cura de doenças”.
Os autores supracitados nos dizem ainda,
que a prática da atividade física era essencial somente para a manutenção da saúde. Fato que ignorava e muitas vezes excluíam as pessoas portadoras de necessidades especiais. Com a evolução científica, iniciou a preocupação com a reabilitação e com a integração social dessa população (ARAUJO e SOUZA, 2009, p. 1).
Compreende-se que a prática de atividade física no meio aquático era realizada muitas vezes por uma parte da sociedade, uma vez que, as pessoas deficientes eram marginalizadas e excluídas dessa pratica.
Percebe-se que desde os primeiros tempos as pessoas com deficiência apresentam dificuldades de inserção em sociedade, como a pratica de atividades físicas na água já era para poucos, para esse publico o número é ainda menor. No Brasil segundo estimativas da OMS 10% da população apresenta algum tipo de deficiência, não encontramos pesquisas que nos mostre, mas como a pratica da natação exige custos, então o número de deficientes que pratica esse esporte diminui ainda mais.
Em todas as atividades sociais, desportiva, laboral e outras, o exercício os deficientes apresenta seu desafios. “O desafio pode ser representado tanto no sentido de proporcionar uma equiparação de oportunidades, como também de compreensão e de tomada de consciência da inclusão a partir do olhar de pessoas sem deficiência” (CORDEIRO, FALKENBACH e MAZZARINO, 2009, p. 1)
Destacamos então a necessidade de manter os direitos e igualdade para os cidadãos, uma vez que as leis e normas são as mesmas para os todos. As maiores dificuldades estão na acessibilidade e inclusão, pois há a barreira do preconceito e do desconhecimento, que ferem a cidadania e afetam a organização da sociedade.
Neste contexto a modalidade da natação por constituir-se como desportiva e atividade de lazer, Reis (2000 apud CORDEIRO, FALKENBACH e MAZZARINO, 2009, p. 1)

explica que a natação contribui eficazmente para o desenvolvimento motor e eficiência física de pessoas com deficiência. Capacita-o a ter experiências e realizações bem sucedidas, a ganhar confiança, a orgulhar-se dos seus êxitos e daquilo que está fazendo, realizando-o pessoalmente.

Para Cordeiro, Falkenbach e Mazzarino (2009) com a possibilidade da educação física e o desporto para pessoas com deficiência, á importância dos recursos humanos, das instalações, dos materiais e equipamentos, bem como da necessidade de avaliação e da realização de pesquisas nesse campo educacional específico, uma vez que a precariedade pode dificultar e impedir o acesso a essas atividades.

2. A criança e seu desenvolvimento aquático

A natação tem importante papel no contexto educacional e no desenvolvimento infantil, tendo grande significados na formação cultural do individuo construindo e promovendo assim durante as aulas conhecimentos. Torna-se importante “ao adentrar nos aspectos infantis, nota-se a importância de buscar conhecimentos sobre o desenvolvimento da criança para ter uma compreensão maior sobre seu crescimento e entendimento de suas necessidades” (VENDITTI JUNIOR; SANTIAGO, 2008 p. 2).
A área de Educação Física hoje contempla múltiplos conhecimentos produzidos e usufruídos pela sociedade a respeito do corpo e do movimento. Entre eles, se consideram fundamentais as atividades culturais de movimento com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde.
Percebemos a importância da Educação Física, atuando no campo escolar como ensino de transformação e formação de uma cultura, tornando um aspecto psicológico social importante.

A Educação Física faz parte da formação integral da criança, onde ela passa a ser vista não apenas em seu aspecto biológico, mas também psicológico e social, envolvendo não apenas a mente, mas também com a amplitude e o aperfeiçoamento dos movimentos do indivíduo, para que ele possa melhorar sua relação com a natureza e com os outros homens, e tenha condições de aproveitar melhor a vida (BARBOSA, apud, FERREIRA et. al, p.1, 2010).

Observamos em algumas teorias que a natação vem sendo muito utilizada para ajudar pessoas com deficiência na saúde, melhorando consequentemente a qualidade de vida. Com a ludicidade o deficiente tem sua liberdade de movimento, aumentando sua auto-estima promovendo melhoras em seu quadro clinico. Percebemos assim que o educador-professor tem “extrema importância para o desenvolvimento psicomotor da criança, uma vez que é ele quem faz com que os alunos se sintam motivados para dar prosseguimento às atividades aquáticas e obter os melhores resultados” (FILHO, MANOEL, 2002 apud, FERREIRA et. al, p.1, 2010).
Compreendemos assim que é na água que o aluno tem maiores condições de aumentar seu nível de movimento, portanto a água atua como fator fundamental para o desenvolvimento psicomotor da criança.
Como afirma Bueno (1998 apud, FERREIRA et. al, 2010), a criança para poder atuar no mundo por meio de seus movimentos dispõe de suas capacidades motoras, intelectuais e afetivas. Com isso, ela estabelece a relação com o mundo na qual ela constrói no dia-a-dia, com as estimulações e limitações impostas pelo meio e pelas pessoas que convivem com ela, desenvolvendo-se movimentos como um ser integral, único e social
Os estímulos propostos pelo meio são importantes para que a criança seja estimulada a liberar movimentos que antes eram limitados ou impossíveis, assim o professor exerce grande influencia no desenvolvimento desses indivíduos.

O desenvolvimento harmonioso das crianças depende também da quantidade e qualidade dos estímulos proporcionados pelo meio ambiente. Através da experiência aquática surgirão relações sociais, através de jogos de jogos e brincadeiras, estímulos visuais, sonoros, táteis e sinestésicos, através das cores do ambiente, dos materiais utilizados, do som da água, das vozes e do suporte do professor. Infere-se que a combinação de movimentos fundamentais com estímulos proporcionados pelo meio aquático permita o maior e melhor desenvolvimento motor de cada criança (ROSA et. al, s/d, p. 1 e 2).

Podemos perceber que a vivência no meio aquático é importante para qualquer criança e para as deficientes, esta é indispensável, mas a grande maioria das escolas não possibilita aos seus alunos o contato com essa prática, como observamos na maior parte das escolas durante nossa formação acadêmica.
Para o aluno se desenvolver é importante que o professor disponha de habilidades e conhecimentos que transformem sua aula em um aprendizado agregando possíveis aptidões e habilidades em seus alunos. É notoriamente observado nas aulas de educação física, atividades voltadas para o treinamento e rendimento, assim privando aqueles alunos com maiores dificuldades de aprendizado. O educador deve ser um transformador de idéias e trabalhar como um multiprofissional, buscando em outras áreas de conhecimento reflexões que o subsidie para promover capacidades em seus alunos que antes não as encontrava.
Jahn (2009) nos esclarece que

…o papel das áreas de Biomecânica e Fisiologia do Exercício. Os conhecimentos produzidos nessas áreas têm exercido um papel importante no desenvolvimento da natação. Ademais, o ensino da natação é calcado dentro de uma orientação claramente desportiva (p. 17).

A maioria das crianças se movimenta bastante, partindo desse princípio, a autora supracitada salienta que não existe criança desatenta, o que acontece, inúmeras vezes, é o professor distraído que não corresponde às expectativas dos alunos. Reforça ainda que nessa fase de estruturação da lateralidade e das possibilidades do corpo nenhuma cobrança deve ser feita com padrões de movimentos e críticas às tentativas é dispensável.
Para o desenvolvimento motor da criança Lima (2007 apud JAHN, 2009) afirma que “o problema não é a mudança de conteúdos, mas a forma como eles são apresentados aos alunos. Os conteúdos, informações e materiais são irrelevantes: fundamental é a forma como se “opera” os dados da realidade” (p.16).
Outro ponto importante é quanto ao ambiente aquático, na sua relação direta com as possibilidades de movimentos existentes, o individuo passa a distinguir melhor características psicológicas como lateralidade, noções de espaço, objetos e pessoas como reforça Moreno e De Paula (2007 apud por SILVA et al, 2009)

o ambiente aquático estimula o desenvolvimento corporal ao provocar movimentos de intensidades e amplitudes diferentes, que muitas vezes não podem ser efetuados no solo; atua também no âmbito psicológico, pelo controle do medo à água; contribui para a distinção de diferentes objetos, espaços e pessoas. Além disso, pelas brincadeiras, são fornecidos estímulos externos que contribuem para o desenvolvimento motor e cognitivo . Segundo os mesmos autores, a prática aquática auxilia a aquisição da independência e personalidade, podendo influenciar o processo de aquisição da linguagem (p. 338).

Alguns estudos relatam que crianças submetidas ao desenvolvimento aquático apresentam algumas melhorias relacionadas à: tarefa e ambiente aquático, como movimentação dos diversos segmentos corporais, pequenos deslocamentos no meio líquido, aquisição de equilíbrio e estabilidade postural, mas o autor supracitado considera que

a especificidade das tarefas treinadas e o ambiente em que se desenvolveram, é possível que a transferência de tais habilidades para o contexto ambiental fora da água não ocorra. O ambiente aquático fornece muitos benefícios para a criança, porém, não se pode afirmar que o estímulo precoce nesse meio favoreça o desenvolvimento infantil em seus diversos aspectos. Neste estudo, de um programa de quatro a oito semanas de estimulação aquática de crianças típicas, não foram verificadas alterações nas áreas de desenvolvimento avaliadas. São necessários novos estudos, com maior tempo de intervenção, amostra maior e grupo controle para verificar se a estimulação aquática interfere, de fato, no desenvolvimento de crianças típicas (p. 339).

Deste modo é importante que dados e avaliações devem ser analisados a partir de vários fatores relacionados ao desenvolvimento das crianças ao meio aquático e que as transformações ocorridas ou não estas devem partir de estudos e verdadeiras análises para verificar se houve ou não alterações das habilidades existentes, e as conclusões devem partir de dados concretos e informações que sustam, com críticas ou subsidiem verdadeiros desenvolvimentos.
As relações diárias que para a maioria das pessoas podem ser consideradas simples, como amarrar um tênis, tomar banho com independência, poder trocar de roupa, ir ao banheiro e dentre outras, para alguns indivíduos essas tarefas apresentam alguns obstáculos intransponíveis. O fundamental é manter-se o seu alto controle como esclarece Costa et. AL (2010) a importância de a criança desenvolver o seu autocuidado, sua mobilidade e integração de funções sociais são as principais metas do desenvolvimento funcional que busca proporcionar.
Segundo Malta et al (2006 apud COSTA et. al. 2010), a facilidade na alimentação, higiene pessoal, banho, no ato de se vestir, no uso do toalete, nas transferências, na locomoção em ambiente interno e externo, no uso de escada, na verbalização, na resolução de problemas, no brincar, nas rotinas domésticas, entre outras ações.
Observa-se que a natação com seus estímulos pode possibilitar que seus alunos explorem melhor suas limitações diminuído as restrições em algumas atividades, deixar que sintam as sensações da realização das atividades são aspectos fundamentais. Segundo Costa (2010 p.5) “é recomendável deixar que flua diretamente a exploração e descoberta, sem necessidade de muita intervenção, permitindo que enfrente desafios e encontre soluções”.
Nesta perspectiva, Nogueira,Carvalho e Pessanha (2007) relatam que

a educação psicomotora é essencial ao processo de alfabetização e deve ser praticada desde a mais tenra idade, pois o movimento é um suporte que ajuda a criança a adquirir o conhecimento do mundo que a rodeia através de seu corpo, de suas percepções e sensações, além de prevenir as dificuldades e combater a inadaptação escolar. Essa educação psicomotora, que pode chamar-se, também, de educação pelo movimento, tem que estar voltada para o estímulo às habilidades psicomotoras, tais como: coordenação global, viso-motora, imagem corporal, esquema corporal, organização espacial, organização temporal, discriminação visual e auditiva, pressupostos para a aquisição de novos saberes (p. 22).

Com o desenvolvimento destas habilidades o indivíduo é capaz de melhorar sua qualidade de vida, o que irá refletir diretamente com a sua alto-estima, promovendo transformando o seu convívio em sociedade. Essas tarefas de forma consciente irão criar conhecimentos e autonomia que refletirá também na idade adulta, quando se espera que possam contribuir para que a pessoa encontre uma maior independência na vida, podendo ser um indivíduo integrado com o mundo.
Para Nogueira, Carvalho e Pessanha (2007), “a psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança” (p.23). Por meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se relacionam com o mundo em que vivem. Sua inserção na educação infantil, com objetivos e estratégias de melhorar e acelerar o desenvolvimento de aprendizagem será fundamental para provocar um aumento de potencial do aluno.
Percebe-se que a psicomotricidade é fundamental para crianças e para aquelas com deficiência ela se torna mais importante, pois ela poderá diretamente contribuir para grandes melhorias e desenvolvimentos desses alunos além de poder contribuir no convívio e nas relações interpessoais.
Assim evidenciaremos quatro categorias fundamentais, sendo elas: aspecto psicomotor quanto ao desenvolvimento dos alunos nas atividades aquáticas de sua percepção e melhoria na realização das atividades físicas; aspectos físicos observando seu desenvolvimento quanto ao correr, pular, saltar e outros, sociais quanto à interação e socialização em grupo; e como fator de reabilitação (trabalho interdisciplinar) desses indivíduos em sociedade na qualidade de vida das crianças.
Para Alves (2003) os aspectos psicomotores estão diretamente relacionados às implicações psicológicas do movimento e da atividade corporal na relação do organismo com o meio em que se desenvolve. Há certos componentes maturativos e certos componentes relacionais, que tem a ver com o fato de que através do seu movimento e de suas ações, a criança entra em contato com pessoas e objetos com os quais se relaciona de forma construtiva. A autora destaca ainda os aspectos sociais que ao mesmo tempo é fonte de conhecimento e expressão dos conhecimentos que já se tem, formas de gerar vivências e emoções através da relação e expressão de vivências e emoções com o meio.
Alves (2003) diz ainda que, as práticas de exercícios físicos regulares auxiliam as crianças a ter movimentos mais naturais e melhor desempenho na quadra. Entre os inúmeros benefícios da prática de esportes na infância está o estímulo à coordenação motora, que é que a capacidade da criança em executar movimentos precisos para atingir um determinado objetivo. Quanto melhor for sua coordenação motora, melhor será seu desempenho e mais naturais serão seus gestos, o esporte tem sido valorizado pelos especialistas para estimular os pequenos a melhorar seu desempenho físico. À medida que a criança treina, os movimentos associados se tornam mais harmônicos.
Mello (1996,) aponta a importância da intencionalidade do movimento no desenvolvimento da motricidade infantil para que a criança domine os tipos complexos de habilidades motoras que necessitará no processo de aprendizagem escolar e em sua futura atividade social.
A passagem da formação de novos movimentos para a diferenciação da tarefa específica de dominar conscientemente um novo movimento (observável pela primeira vez na idade préescolar) tem essencial importância para o desenvolvimento ulterior da motricidade infantil. (MEELO, 1996, p. 5).

Para Arruda e Silva (s/d) O desenvolvimento motor acontece de forma individual onde cada criança possui suas próprias percepções através de uma relação com imagem do corpo, sendo muito associada com o desenvolvimento das percepções do mundo em que vivem. Desse modo, cérebro e músculos influenciam-se e educam-se, fazendo com que o indivíduo evolua no plano do pensamento e da motricidade. O aluno em se processo de desenvolvimento, atua diretamente em sua reabilitação, sendo capaz de atuar em sociedade e aumentar suas habilidades motoras.
Segundo a Lei n.º 9/89 de 2 de Maio – Revogada pela Lei 38/2004, “a reabilitação é um processo global e contínuo destinado a corrigir a deficiência e a conservar, a desenvolver ou a restabelecer as aptidões e capacidades da pessoa para o exercício de uma actividade considerada normal” (p.5) . Diz ainda que o processo de reabilitação envolve o aconselhamento e a orientação individual e familiar, sendo que a cooperação dos profissionais de diferentes áreas de conhecimento e o empenho da comunidade é fundamental para que o individuo se estabeleça enquanto cidadão.

3. Espaços da natação

Primeiramente torna-se necessário destacar que ao buscarmos outros campos de investigações, como clubes e escolas de natação para crianças, pudemos identificar que a poucas crianças deficientes nestes espaços. Este fator já nos causou estranheza, visto que entendemos que estas crianças pelos motivos já citados anteriormente deveriam compor todos os espaços da sociedade, ainda mais quando pensamos que as aulas de natação apresentam um vasto caminho para a socialização e reabilitação destas pessoas.
A Escola Santa Clara é mantida pela associação Pestalozzi de Catalão, entidade filantrópica, conveniada com o Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério da Educação, Secretaria da Educação do Estado de Goiás e Prefeitura Municipal de Catalão. A associação, desde 1984, data de sua fundação é mantenedora da Escola Santa Clara. Atendendo hoje aproximadamente 180 alunos.
Ao observar o site da Associação Pestalozzi (http://www.pestalozzicatalao.org.br/) percebe-se que o objetivo geral da parceria entre esta e a Escola Santa Clara é proporcionar aos alunos condições necessário para desenvolver suas habilidades cognitivas, motoras e sociais, possibilitando-lhe a participação nas atividades cotidianas, desenvolvendo ao máximo suas potencialidades, preparando-os para uma vida em sociedade de maneira participativa e produtiva de acordo com a visão do exercício pleno da cidadania.
Compreende-se que esta instituição atende indivíduos independentemente de suas idades e se organiza para isso a partir da aproximação do nível de deficiência e da idade dos sujeitos. Os alunos cuja capacidade cognitiva não corresponde às expectativas mínimas para a inserção no mercado de trabalho, a escola potencializa, estimula as capacidades que dão condições para uma vida social mais independente e “autônoma”. Ao final de cada semestre os professores apresentam seus pareceres sobre cada aluno, na forma de estudo de caso, que possibilita seu encaminhamento para a turma que mais se aproxima de suas necessidades educativas especiais (http://www.pestalozzicatalao.org.br/).
Para acessar a escola, a comunidade dispõe de quatro meios, sendo eles, encaminhamento médico, iniciativa familiar, encaminhamento da secretária municipal de educação e/ou encaminhado pela instituição escolar. Com relação às condições arquitetônicas, pode-se dizer que a escola dispõe de total acessibilidade para as diversas deficiências presentes na instituição.
Sobre a relação arquitetura e acessibilidade, Carmo e Silva (1997), apud Santos e Santos, (2008) fazem as seguintes considerações:

[…], tem como objetivo servir ao homem de forma funcional em primeiro lugar, posteriormente agradá-lo através de sua estética, não ferindo seu primeiro objetivo. O que se observa são inversões de valores em que o estético é supervalorizado, ignorando desse modo todo um segmento da sociedade apenas porque foge aos padrões estabelecidos de normalidade (p.3).

Com base numa concepção considerada por muitos estudiosos como nova, porém que vem se sustentado desde a constituição de 1988, (Estatuto da criança e do Adolescente, artigo 54 e Diretrizes e Bases da educação Nacional de 1996 apud Carmo e Silva (1997), as crianças com necessidades educativas especiais devem ser incluídas e integradas no contexto das instituições regulares de ensino e não mais em escolas especiais, possibilitando uma melhora na aprendizagem de elementos cognitivos e da cultura na qual ela se insere.
Nessa perspectiva, como afirma Cidade e Freitas (1997), a inclusão é um processo que exige transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive da própria pessoa com necessidades especiais, com o objetivo de alcançar uma sociedade que não só aceite […] mas que aprenda a viver com a diversidade humana.
No entanto, sabe-se que nem todas as escolas estão preparadas para receber indivíduos com deficiência, seja no âmbito da qualificação dos profissionais que atuam na instituição, seja no entendimento dos alunos ditos normais, que não recebem informações de como lidar com a diversidade humana, ou ainda pela limitação nas condições arquitetônicas e recursos pedagógicos da escola.
Em estudo realizado por Santos; Santos (2008), onde objetiva-se analisar as condições arquitetônicas das escolas da rede regular de ensino da cidade de Catalão-GO, para garantir o acesso e permanência dos alunos com deficiência física e visual, percebemos que nenhuma das trinta escolas analisadas apresenta adaptações e recursos disponíveis para atender as necessidades do aluno com cegueira. Isso significa que as escolas não atendem o dever e a obrigatoriedade de eliminação de barreiras para o acesso das pessoas com deficiência, com vistas à promoção e facilitação do acesso aos bens e serviços públicos. Contrariando então, o que se prevê tanto na Constituição de 1988, quanto na declaração de Salamanca e conseguinte os PCNs.
Uma equipe que atua como multiprofissional, juntamente com o apoio familiar e do meio social, pode promover ao individuo de participar da sua própria reabilitação em busca de independência nas atividades de vida e nas atividades profissionais, então as aulas de educação física com a cultura corporal são fundamentais.

Para um programa de reabilitação efetivo é importante o trabalho de uma equipe multiprofissional além da integração familiar e da sociedade onde o indivíduo vive. Os objetivos de um programa de reabilitação enfocam a independência nas atividades de vida diária e nas atividades profissionais. É essencial considerar que o indivíduo, neste processo de reabilitação, necessita também de recreação e de atividade esportiva como qualquer outro (TSUTSUMI et. al 2004, p. 1)

A natação é capaz de oportunizar as pessoas momentos de conquistas e vitórias, levantando troféus pelo seu desempenho e desenvolvimento das habilidades motoras, psicológico sendo assim o seu maior premio, onde a socialização e a interação entre indivíduos se caracterização como aliadas a esse processo. “As atividades motoras em meio líquido visam o desenvolvimento cognitivo, afetivo, emocional e social, sendo mencionadas como um excelente meio de execução motora, favorecendo o desenvolvimento global do indivíduo portador de deficiência física” (TSUTSUMI et. al 2004, p. 2).
Jahn (2009) cita que é sabido que a criança, nessa faixa etária, gosta muito de se movimentar. Partindo desse princípio, o autor salienta que não existe criança desatenta, o que acontece, inúmeras vezes, é o professor distraído que não corresponde às expectativas dos alunos. Em nosso campo de pesquisa lembramos que o papel do educador é fundamental para que os alunos deficientes tenham seu processo de ensino aprendizado, observamos que o profissional naquela escola necessita sempre em estar se especializando buscando em outras áreas do conhecimento, pontos importantes que o subsidie para propiciar aos seus alunos meios que facilite o aprendizado.

É importante que o docente tenha consciência de buscar o aprimoramento de conhecimentos nas mais diversas áreas, constantemente, sempre planejando novos campos de pesquisa, verificando e instigando respostas de que precisa, levando seus alunos a conquistarem os objetivos propostos (MACHADO, 2006 apud JAHN (2009 p.16).

Uma vez que o aluno é reprodutor dos conhecimentos adquiridos e por ele absorvido, assim é fundamental que, como o autor supracitado nos esclarece, o educador tenha conhecimentos em diferentes áreas sendo então imprescindíveis para estabelecer plenos transmissores das aulas.
Segundo Bahia (2007), o corpo em movimento se torna uma condição fundamental para potencializar as condições motoras relativas de deslocamento no tempo e espaço.

O movimento é, ao mesmo tempo, requisito e resultado de uma ajustada relação entre o individuo e o seu meio, constituído – se, assim, em condição para a estruturação da condição para a estruturação da consciência corporal (BAHIA, 2007, p. 42).

Para Rosa Neto (2002) apud Bahia (2007), o movimento se projeta sempre pela satisfação de uma necessidade relacional. Desse modo, quanto maior for à necessidade de relacionamento do ser humano, maiores serão as suas possibilidades de movimento.
O autor segue dizendo que a partir da iniciativa de movimentar-se, o corpo estabelece relação com o mundo e vai gradativamente aperfeiçoando estruturas como a “coordenação, equilíbrio, organização espacial, organização temporal, lateralidade e, sobretudo, o ritmo, que constitui um importante elemento de aproximação do corpo com o mundo” (ROSA NETO (2002) apud BAHIA (2007) p. 43 e 44).
A Lei n.º 9/89 de 2 de Maio – Revogada pela Lei 38/2004, cita ainda que é imprescindível o apóio da família em qualquer reabilitação de quaisquer individuo, sendo assim uma base para todas as conquistas, o que irá favorecer ao deficiente uma maior autonomia pessoal e sua integração e participação social.
Para que o individuo tenha plenas condições de viver em sociedade é necessário que sua qualidade de vida faça parte de seu bem estar. Para alguns autores como Guidi e Moreira (1996) apud Martins e Rabelo (2008 p. 1) “a qualidade de vida está identificada no grau de autonomia com que o mesmo desempenha as funções do dia a dia, que o fazem independente dentro do contexto sócio econômico e cultural. Já Zucheto e Castro (2002) apud Martins e Rabelo (2008 p. 1), “a qualidade de vida está associada ao estado de saúde, longevidade, satisfação no trabalho, relação familiar e disposição para a vida, entre outros”.
Assim o envolvimento do indivíduo portador de deficiência física com a natação traz benefícios não só para sua melhora física como também para seu estado emocional, sendo um fator primordial na inclusão social, melhorando conseqüentemente sua qualidade de vida.
As exclusões de indivíduos em sociedade ocorrem sempre por fatores econômicos, sociais e de classe. Nas escolas isso tende a aparecer da mesma maneira, assim fica em evidencia a formação de indivíduos com um olhar crítico da realidade, desenvolvendo e criando concepções de um mundo pauta na ética e em valores importantes para uma sociedade contemporânea.

Pessoas que possam refletir sobre o acesso de todos/as à cidadania e compreender que, dentro dos limites da ética e dos direitos humanos, as diferenças devem ser respeitadas e promovidas e não utilizadas como critérios de exclusão social e política (CARRARA, 2009 p. 16).

Nas escolas durante as aulas de Educação Física em meio aquática, a inclusão deve fazer parte de uma metodologia que promova aos seres uma consciência de estigmas não discriminatórios e preconceituosos, pois é durante as atividades, da disciplina de Educação Física, que aparece com grande evidencia a cultura corporal.
No campo da cultura corporal, essa pode beneficiar o desenvolvimento de atitudes honradas e de respeito próprio, por parte do deficiente e a vivência com ele pode propiciar a construção de atitudes de solidariedade, respeito, aceitação e sem preconceitos.

A expectativa da Educação Física escolar, que tem como objeto a reflexão sobre a cultura corporal, contribui para a afirmação dos interesses de classe das camadas populares, na medida em que desenvolve uma reflexão pedagógica sobre valores como solidariedade substituindo individualismo, cooperação, confrontando a disputa, distribuição em confronto com apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de expressão dos movimentos – a emancipação -, negando a dominação e submissão do homem pelo homem (SOARES et al, 1992, p.27 e 28).

Portanto é durante as aulas de Educação Física e de natação, onde devem ocorrer atividades que proporcionem o desenvolvimento de atitudes afetuosas e capazes de ir de encontro a sociedade racista e que discrimina, para que com isso oportunizem as pessoas com suas diferenças plenas condições de conviver e participar de um ambiente de socialização e interação entre seres de uma mesma raça “humana”.

4. Considerações finais

Como uma filosofia social que prega a igualdade de direitos e o respeito às diferenças que, a Educação Física deve ser uma disciplina que promova plenas condições dos alunos se desenvolver, socialmente, psicologicamente e fisicamente.
Apesar de não poder ser considerada isoladamente, a escola tem que tomar partido no processo de inclusão educacional. Assim a escola deve fornecer as mesmas oportunidades de aprendizado a todos, sendo que devem adaptar-se as características de todos os alunos, atuando diretamente no respeito às diferenças.
De uma coisa sabemos: os professores precisam estar conscientes de sua importância e da função que desempenham, caso tenham alunos com deficiência em sala, pois é na relação concreta entre o educando e o professor que são fornecidos os elementos que possibilitam decisões educacionais mais acertadas.
No entanto, a necessidade de se ter um olhar crítico as práticas inclusivas, pois, as inclusões escolares devem ser formuladas e implantadas com a intenção de romper com a lógica excludente que vigora em nossas instituições escolares.
A Educação Física Escolar deve caminhar junto com as outras disciplinas escolares (Física, Química, Biologia, Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, Sociologia, Filosofia, Educação Artística), precisa repensar a organicidade escolar, rever os objetivos do processo de escolarização, discutir sobre as diferentes dimensões da formação humana, analisar o tempo e o espaço de aprendizagem escolar, e, em face da necessidade de superar os mecanismos de controle e exclusão das diferenças (étnico-raciais, de gênero, de classe social, de compreensão cognitiva, social e afetiva) no âmbito escolar, rever a sua prática sócio-político-pedagógica, no intuito de materializá-la como inclusiva.
Os educadores precisam aproveitar as propostas e experiências bem sucedidas de inclusão escolar, já implantadas no Brasil e no exterior, especialmente, às especificidades de cada deficiência e aos limites e possibilidades do aluno com deficiência.
Podemos perceber a importância dos benefícios da prática da natação aos indivíduos com deficiência. Apesar disso, este estudo parece deixar clara a confirmação entre o referencial abordado na literatura e as opiniões dos sujeitos em relação aos benefícios da prática da natação. Destacamos, assim, a importância do conhecimento teórico-prático dos profissionais da área de Educação Física, para propiciar oportunidades de que indivíduos portadores de deficiências participem de programas de atividade física, explorando o seu potencial e auxiliando no processo de inclusão social.

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