Crítica – Prisma da Visão (Ana Luísa Escorel – O Efeito Multiplicador do Design)

A definição da identidade brasileira é uma problemática perplexa e desafiadora, em diversos campos da sociedade, todavia, principalmente, no que concerne a área do design. A ânsia pela caracterização de uma identidade “própria’’, em desenvolver um design tipicamente brasileiro, em renegar a cópia ou a reprodução de algo já desenvolvido por outras nações, gera embate para produção de uma identificação perante o mundo.

O design brasileiro é considerado pragmático devido à opressão dos valores nacionais e a aceitação dos valores das metrópoles, munido do receio em deixar o designer brasileiro criar sua imagem, pois idealiza mais seguro perpetuar algo pré concebido e aceito mundialmente. Isto tudo gera estagnação da criação de uma imagem do design brasileiro para o mundo.

No Brasil, o design não alcançou louvor próprio, por conseguinte fazer um projeto tipicamente brasileiro é bem complexo devido à representação do nosso país se estabilizar e não se dinamizar tornou-se uma cultura clichê, o que de fato é um ledo engano. A dificuldade mor na produção da identidade nacional, principalmente no design, é que o Brasil remete ao mundo sempre os mesmos estereótipos (Futebol, carnaval, samba), não que sejam vilões, porém transforma em inexorável a comparação do Brasil a eles, com isso coibindo a divulgação da nossa cultura como um todo.

O mundo mostra seu estereótipo, nos Estados Unidos a cozinha americana, na Alemanha o cantinho Alemão, portanto salientar a cultura da sua nação, por meio do design, é um meio de tornar a cultura de cada país mais globalizada e bem quista. Foi-se a época que o reflexo da boa qualidade é copiar clássicos europeus, ou consagrados, o mundo ambiciona novidades e o design nacional se destaca. O Brasil tem um poder cultural intenso e pouco explorado e isto corrobora para o desenvolvimento no design.

O Brasil renegando a cópia, acreditando na própria capacidade, vai ter oportunidade de apresentar nossa cultura ao mundo, seja por meio do design, ou de outra área, devido ao Brasil não ser apenas um estereótipo, mas ser uma miscelânea dele.