Fatores de Risco Devido à Carência de Vitamina E no Organismo

Fatores de Risco Devido à Carência de Vitamina E no Organismo

*MELO, Juliana Pereira de.

Resumo:

A vitamina E é um excelente antioxidante para defender as células contra o dano causado pelos radicais de oxigênio, e a deficiência dessa vitamina pode causar disfunções neurológicas, miopatias e atividade anormal das plaquetas.

Palavras-chave: Alimentos; Antioxidantes; Vitamina E.

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*Acadêmica do 3º semestre de Farmácia, da Faculdade de Quatro Marcos – FQM.

  1. Introdução:

Vitamina E é a denominação genérica de oito compostos lipossolúveis, cada um dos quais com atividades biológicas específicas, sendo que o a-tocoferol é o mais potente antioxidante. O interesse é cada vez maior por essa vitamina devido, especialmente, às funções que desempenha no organismo como agente antioxidante. A vitamina E previne o dano oxidativo celular pela inativação de radicais livres e espécies reativas de oxigênio. Atualmente, além da sua ação antioxidante, são discutidas as suas propriedades não – antioxidantes como modulação da sinalização celular e da transcrição de genes.

  1. Desenvolvimento:

Vitamina E é um termo genérico adotado para um grupo de oito substâncias encontradas na natureza, com graus variados de atividade vitamínica, fazendo parte de duas séries de compostos: os tocoferóis, a, b, g e d  e os tocotrienóis, a, b, g e d. De todos eles, o  a-tocoferol é o que apresenta maior atividade biológica e o mais encontrado em fontes naturais.

O a-tocoferol natural, antes designado como d-a-tocoferol, é o RRR-a-tocoferol. O a-tocoferol totalmente sintetizado, antes chamado de dl-a-tocoferol, agora é designado como all-rac-a-tocoferol. Todas as formas da vitamina E contém um grupo de hidroxila no anel aromático, grupo esse importante não só para a função biológica desempenhada pela vitamina, mas, inclusive, na esterificação dessa vitamina com ácido acético, dando acetado de  a-tocoferila (forma comercial da vitamina E), que se hidrolisa no organismo, liberando a forma ativa da vitamina. No anel aromático há, também, grupos metila, cujo número e posições ocupadas servem para diferenciar um tocoferol de outro.

Os alimentos que contém vitamina E

A vitamina E aparece nos alimentos predominantemente como   a-tocoferol. Os tocoferóis ocorrem em grandes concentrações no germe do trigo, amêndoas e avelãs e são encontrados, também, nos óleos vegetais, principalmente aqueles com ácidos graxos poliinsaturados, como o extraído do germe do trigo, o de girassol, caroço de algodão, dendê, amendoim, milho e soja. A quantidade varia com os processos usados na extração e na refinação. Evidentemente, produtos fabricados com esses óleos, como margarinas e maioneses, também conterão a vitamina. Esta é termoestável na ausência de oxigênio, mas se oxida lentamente por ação do oxigênio atmosférico, ação essa acelerada pela exposição à luz, calor, álcalis, gorduras rançosas e a presença de íons metálicos.

Nos alimentos de origem animal o teor de   a-tocoferol é bem menor de que nos anteriores e depende principalmente, da quantidade de vitamina E existente na ração consumida pelo animal. Nesse grupo, os principais fornecedores são a manteiga, o toucinho e os ovos.

Metabolismo

A vitamina E necessita para sua absorção, como as demais lipossolúveis, das secreções biliar e pancreática normais, da formação de micelas e do transporte através das membranas intestinais. A porcentagem de absorção da vitamina decresce com o aumento da dose, mas cresce quando ela é ingerida como lípides dietéticos, especialmente quando formados por triglicérides de cadeia média.

A vitamina E absorvida no intestino passa, em associação com os quilomícrons, para a corrente linfática, sendo transportada na fração LDL, e é transferida principalmente para as células do parênquima hepático. O a-tocoferol é secretado no fígado para o intestino em associação com o VLDL “very low density lipoprotein”, regulado por uma proteína hepática ligadora de tocoferol, porém esse mecanismo necessita, ainda, maiores estudos, assim como o da absorção intestinal, da transferência do plasma para as células e do transporte intracelular.

Função

Uma das principais funções atribuídas à vitamina E é a proteção que confere as às membranas celulares contra a destruição oxidativa, talvez atuando em conjuntos com pequenas moléculas e enzimas, para defender as células contra o dano causado pelos radicais de oxigênio. Assim, essa vitamina apresenta propriedades antioxidantes. A vitamina E quebra a formação da cadeia de radicais livres, reagindo com estes e convertendo os numa forma menos perigosa, de fraca ou nenhuma toxidade; além disso, ela protege da oxidação todos os lípides e compostos relacionados, como a vitamina A.

Deficiência em seres humanos

A deficiência de vitamina e pode causar disfunções neurológicas, miopatias e atividade anormal das plaquetas. Nos recém-nascidos, principalmente se prematuros ou com baixo peso, a deficiência causa anemia hemolítica, pelo fato dos PUFA das membranas dos eritrócitos serem sensíveis à ação dos radicais livres.

A deficiência da vitamina em questão aparece em fumantes e, também, quando há problemas em relação á absorção gordurosa, como na atresia biliar, na fibrose cística e na síndrome do intestino curto.

Pelo fato da vitamina E ser um antioxidante poderoso, desempenhando importante papel na imunocompetência, tem-se sugerido ser essa vitamina útil na prevenção de certos cânceres; assim, alguns estudos concluíram que o risco relativo de desenvolver câncer era maior em indivíduos com vitamina E orgânica diminuída.

O papel da associação entre vitamina E, e varias doenças cardiovasculares, a função imune e redução do risco relativo de desenvolver catarata são outros aspectos que têm sido pesquisados.

Um nível adequado de ingestão é de 10mg por dia. Por isso, a deficiência nessa vitamina é rara.

  1. Considerações Finais:

Devido à sua capacidade antioxidante, além dos benefícios para a saúde, a vitamina E tem ações benéficas sobre o alimento, minimizando a formação de radicais livres. A deficiência de vitamina e pode causar disfunções neurológicas, miopatias e atividade anormal das plaquetas entre outros, e o nível adequado de ingestão é de 10mg por dia. Por isso, a deficiência nessa vitamina é rara.

Bibliografia:

FRANCO, Guilherme; Tabela de Composição Química dos Alimentos. 9ª ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2003.

MURRAY, R. K. [et. al]. Harper: bioquímica, 9ª ed. São Paulo: Atheneu Editora, 2002.

OLIVEIRA, J. E. Dutra de; MARCHINI, J. Sérgio; Ciências Nutricionais. São Paulo: Editora Sarvier, 1998.