Fracasso Escolar: repensando a Escola

Maria José de Araujo Filha[1]

RESUMO

O fracasso escolar tem sido um desafio a ser enfrentado pela educação formal. Entendemos o mesmo como sendo a evasão, a repetência e, num sentido mais amplo, a aprovação sem a aquisição do conhecimento científico historicamente acumulado. Os índices de fracasso escolar continuam alarmantes entre as escolas públicas brasileiras.

Surge uma tomada de consciência e um agir crítico dos envolvidos no processo ensino-aprendizagem, no sentido de verificar o que determina e quais ações poderão contribuir para a construção do sucesso escolar. Colocamos a necessidade de novas práticas pedagógicas, no sentido de uma verdadeira democratização da escola pública e, aos educadores, a continuidade da luta por uma escola enquanto espaço de humanização do homem.

PALAVRAS-CHAVE: Escola pública, fracasso escolar, prática pedagógica.

INTRODUÇÃO

Este artigo tem sua origem nas inquietações enquanto profissionais da educação ao enfrentarmos, constantemente, as dificuldades e o fracasso evidenciados na forma de reprovações e evasão dos alunos do Ensino Fundamental da educação brasileira.

No que diz respeito ao fracasso escolar, esse é algo preocupante e desafiador para todos que fazem parte da educação. É um fato que ocorre desde o início da escolarização brasileira, vale salientar, já foi introduzida de maneira imposta e classificatória na qual nem todos.

São diversos motivos que levam ao fracasso escolar, distribuindo-se entre fatores ligados diretamente aos alunos e às escolas. Relativamente às características dos alunos, sobressaem-se o seu universo familiar, o nível socioeconômico e a escolaridade dos pais. A família, por sua vez, também é responsável pela aprendizagem da criança, já que os pais são os primeiros ensinantes e as “atitudes destes frente às emergências de autoria do aprendente, se repetidas constantemente, irão determinar a modalidade de aprendizagem dos filhos” (FERNÁNDEZ,2001).

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As relações professor-aluno, geralmente iniciadas, mantidas ou concluídas através da mediação direta ou indireta do professor, constituem um momento privilegiado de concretização do seu pensamento pedagógico e da transmissão, intencional ou não, de suas crenças e sentimentos sobre o aluno, sobre as causas responsáveis pelo sucesso e fracasso dos seus alunos na escola, sobre seu próprio papel como professor, sobre a função da escola e tantos outros aspectos importantes do contexto educacional (Coll & Miras; 1996; Coll & Solé, 1996; Sacristán & Gomes, 1998; Del Prette, 1990). Deste modo, o papel de agente e mediador de relações em sala de aula, requerido no trabalho docente, exige do professor não apenas conhecimento acadêmico e habilidades didáticopedagógicas, mas também, um conjunto de crenças e competências que se alimentam reciprocamente (Del Prette & Del Prette, 1997a; 1997b).

A ação pública no setor educacional pode combater o fracasso minimizando efeitos não desejáveis de progressão escolar sem aprendizado. Um aspecto importante é a necessidade de melhorar as condições da escolarização nas séries iniciais, mais precisamente, na etapa de alfabetização.

Faz-se necessário abandonar a ideia de que essa é uma etapa simples do processo de escolarização. Ela é crucial e irá contribuir para uma boa trajetória posterior da ampla maioria dos estudantes. Melhorar os processos de alfabetização, desenvolvendo as habilidades centrais, tais como a codificação e decodificação, a fluência na leitura, o domínio da associação entre fonema e grafema, a consciência fonológica e fonêmica são metas incontornáveis para o sucesso dos estudantes. Para que essas habilidades sejam desenvolvidas é preciso oferecer aos educadores condições para desenvolver essas competências no seu campo, incluir atividades desta natureza no material didático e prever a melhor forma de avaliar o progresso dos alunos. É o aprender a ler.

O letramento é uma etapa necessária, pois é nessa fase que o educando desenvolve sua da capacidade de utilizar a linguagem escrita e ler, com competência, textos de gêneros variados. É o ler para aprender. Os educadores podem e devem iniciar mudanças em suas práticas docentes cotidianas para o alcance desse objetivo. (Carlos Henrique Araújo, 2005)

Para superar os problemas de fluxo educacional e de aprendizado é necessário adotar políticas de transformação da vida cotidiana das famílias e das escolas. Este é um tema central de desenvolvimento da nação com impactos nas relações sociais e econômicas. É indispensável buscar a qualidade na Educação, para superar o fracasso evidenciado e experimentado por boa parte dos estudantes no sistema educacional brasileiro.

Referências Bibliográficas

  • Fracasso escolar: responsabilidade da família ou da escola? Disponível em: HTTP:/www.

/www.abrapee.psc.br. Acesso em: 04/01/20010.

  • Gestão Democrática Da Escola Publica: É Preciso Educar Todos. Disponível em: HTTP://www.artigos.com. Acesso em: 04/01/20010

  • Insucesso escolar: O caso portugués. Disponível em: HTTP://www.br.monografias.com. Acesso em: 04/01/20010.

  • FRACASSO ESCOLAR E ESCOLA EM CICLOS : TECENDO RELAÇÕES HISTÓRICAS, POLÍTICAS E SOCIAIS. Disponível em: HTTP://www.campinas.sp.gov.br. Acesso em: 04/01/20010.

  • Quem fracassa com o fracasso escolar? Disponível em: HTTP://www.educared.org.br. Acesso em: 04/01/20010.

  • Repensando a Escola: um estudo sobre os desafios de aprender, ler e escrever. Disponível em: HTTP://www.unesdoc.unesco.org. Acesso em: 04/01/20010.


[1] Aluna pós-graduanda em Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa