Hipertensão Arterial : Avaliação da Adaptação do Idoso após Diagnóstico da Doença

Hipertensão Arterial : Avaliação da Adaptação do Idoso após Diagnóstico da Doença

* LIMA, Flávia Gouveia da Silva

Resumo:

Este artigo de cunho bibliográfico tem como objetivo trazer à tona informações que caracterize a hipertensão arterial no idoso em relação aos processos adaptativos do portador da mesma.

Palavras – chave: Hipertensão, Adaptação, Idoso

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* Acadêmica de 3 ° Semestre de Farmácia da Faculdade de Quatro Marcos – FQM .

1. Introdução:

A hipertensão arterial se apresenta como um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. Esse agravo se caracteriza por apresentar um curso clínico lento e assintomático, uma elevada prevalência, e quando não adequadamente tratada um grande número de complicações. Em um mundo, em processo de transformação permanente, as pessoas necessitam manter sua própria integridade, o que requer uma constante adaptação . Nesse contexto, está inserido o idoso, com necessidade de adaptar-se à hipertensão arterial , continuamente, ao processo de envelhecimento. Diante do exposto, percebemos que o envelhecimento poderá ser um momento muito difícil para alguns portadores da doença.

2. Desenvolvimento :

Observações trazidas por vários autores, nos revelam que a população de idosos cresce a cada dia e, com ela, também a necessidade de uma assistência mais adequada, com ênfase em uma melhor qualidade de vida, na tentativa de contribuir para um  envelhecimento mais promissor. Menos numerosos, porém, são os que se interessam pelo idoso, principalmente pelo portador de alguma doença e/ou  que possui baixo poder aquisitivo, considerado, muitas vezes, um “fardo” para a sociedade e, até, para a família. Percebemos, com isso, que, para o idoso usufruir de uma vida longa, com mais qualidade, é preciso haver um investimento maior nas ações de caráter preventivo, evitando malefícios provenientes de várias doenças que podem acometê-lo durante o processo de envelhecimento.

As doenças cardiovasculares destacam-se, como um fator de grande representatividade no aumento do risco de morbidade e mortalidade da população geriátrica. Dentre essas, merece destaque a HAS, por atingir, aproximadamente, 50% da clientela referida. Sendo assim, percebemos a necessidade de procedimentos específicos que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida do idoso, portador dessa doença.

Esclarece Ribeiro, que a hipertensão arterial sistêmica poderá levar a uma dramática alteração no estilo de vida das pessoas, principalmente pelas restrições impostas pelo tratamento, farmacológico ou não, exigindo uma forte cooperação por parte do cliente.

Em relação à doença, em si, podemos afirmar que o grande problema da hipertensão se baseia, principalmente, em seu caráter silencioso. Assim, na maioria dos casos, o cliente não aparenta ter nenhum sintoma, relutando, por isso, em tomar os medicamentos anti-hipertensivos, os quais, ocasionalmente, levam-no a sofrer efeitos colaterais. Esta concepção, como assinala o autor, poderá convergir para uma resistência à terapêutica farmacológica estabelecida, refletindo, possivelmente, em dificuldades de adaptação e respostas de caráter ineficaz. Cumpre ressaltar, ainda, que a mudança no estilo de vida, configurando a terapêutica nãofarmacológica, nem sempre tem uma boa aceitação. Diante dessa realidade, podemos perceber a importância da questão, principalmente se estiver inserida no contexto da população idosa, que, em razão do processo de envelhecimento, fica mais suscetível a várias mudanças.

Cabe, portanto, aos enfermeiros, implementar ações específicas de cuidado à saúde do idoso, portador de hipertensão arterial, orientando-o para um novo conviver com a terapêutica indicada e possibilitando a compreensão de todo o contexto que a envolve, sem esquecer que é preciso da ajuda do próprio idoso portador da doença , para que a doença seja facilmente controlada.

Ao observarmos o idoso portador de uma doença crônica, como é o caso da hipertensão arterial sistêmica, encontramos, com frequência, dificuldades na adaptação, o que, potencialmente, poderá gerar conflitos pessoais e familiares.

As doenças crônicas são caracterizadas pelo longo tempo de tratamento e pela limitação no estilo de vida, não só do portador, mas também de outros membros da família.

Para haver um controle adequado da hipertensão arterial, não bastam apenas medidas de orientação; é preciso, também, desenvolver estratégias que auxiliem o indivíduo nas mudanças de atitudes contributivas para o controle da doença. As medidas de educação devem ser contínuas, visto que várias são as causas da não adesão ao tratamento, sendo uma delas a falta de motivação, podendo estar associada, principalmente, a fatores externos, como carência de sistema de apoio, dificuldades financeiras e de acesso ao sistema de saúde.

Um dos grandes desafios para o portador da hipertensão é aceitar a convivência com o caráter crônico da enfermidade. A aceitação está, muitas vezes, associada a sentimentos de tristeza, raiva, agressividade e hostilidade, cuja superação só se faz através da conscientização do problema, com adesão ao tratamento proposto, tornando possível uma melhor adaptação à sua condição de saúde. Essa adaptação requer do indivíduo conhecimento relativo à doença, manifestações, sinais e sintomas, além de muita vontade de cooperar ativamente no tratamento.

Dentro desse contexto, merecem especial enfoque as mudanças no estilo de vida, tais como: redução do peso corporal e da ingestão de sal, diminuição do consumo de álcool, além de prática regular de exercícios físicos e a não-utilização de drogas; essas medidas nem sempre são bem aceitas, causando constrangimentos e até mesmo resistência para a adesão. Torna-se imprescindível, então, o desenvolvimento de estratégias para o controle do problema, capazes de contribuir para uma melhor qualidade de vida e longevidade.

O quadro de hipertensão, com frequência, faz-se acompanhar de transtornos diversos para o cliente e/ou família, podendo gerar respostas ineficazes que impedem ou dificultam a adaptação. Essas respostas, por sua vez, poderão contribuir para a não adesão ao tratamento e, consequentemente, para possíveis complicações. No âmbito da questão, o enfermeiro poderá intervir, mostrando formas alternativas para amenizar tais problemas.

A hipertensão, por ser definida como uma doença multifatorial, é capaz de produzir inúmeros estímulos e, consequentemente, gerar respostas comportamentais das mais variadas ao portador, principalmente se ele for idoso. Percebe-se, com isso, ser de extrema validade a aplicação do modelo teórico de Roy no planejamento e implementação da assistência, visto que, durante o tratamento da doença, é imprescindível a participação efetiva do cliente e a utilização de mecanismos de compensação aos estímulos que recebe. Por ser a adaptação o foco da pesquisa, considera-se que, para sua fundamentação teórica, o modelo conceitual avaliado é o mais adequado.                       Referido modelo de adaptação vislumbra os seres humanos, de forma individual e coletiva, como sistema holístico e adaptativo. Considerando a possibilidade de ser promovida uma melhor adaptação do idoso portador de hipertensão arterial à terapêutica, enfatiza-se, por oportuno, a importância da aplicação do processo de enfermagem : 1. Avaliação de comportamentos – reunião de dados sobre o comportamento do sistema adaptativo humano e o corrente estado de adaptação; 2. Avaliação de estímulos – identificação de estímulos internos e externos que estão influenciando os comportamentos; 3. Diagnóstico – formulação de classificações que interpretam os dados; 4. Estabelecimento de metas – envolve a declaração de resultados comportamentais do cuidado de enfermagem que irão promover o processo adaptativo; 5. Intervenção – descrita como a seleção de ações de enfermagem para promover adaptação, mudando os estímulos ou fortalecendo o processo adaptativo; 6. Evolução – julgamento da eficácia da intervenção de enfermagem, em relação ao comportamento do sistema humano.

Em decorrência dos problemas levantados anteriormente, são estabelecidos que implementações de ações de enfermagem são de suma importância para a melhor adaptação do portador idoso, sem deixar de lado o esforço que o mesmo deve fazer para o seu próprio processo de melhora.

3. Considerações Finais :

A partir dos achados, pode-se se revelar que o adoecer traz consigo uma série de estereótipos,principalmente se tiver um caráter crônico, ao exemplo da hipertensão arterial. Sendo de suma importância ao próprio portador idoso adaptar-se ao caráter crônico da doença,  repercutindo assim no seu próprio processo de melhora.

Bibliografia

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