Humanizar relações na área de Informática

Humanizar relações na área de Informática: O docente que ensina, e o educando que

aprende

Vanessa Nascimento*

Resumo

As modificações que estão ocorrendo no mercado de trabalho hoje em dia têm destacado uma exigência por parte do profissional da informática que vai além de uma formação especialista.

Para que haja a formação de um profissional responsável e ético, deve-se incentivar a criatividade, a autonomia e a capacidade crítica, propiciando uma formação profissional com habilidades interpessoais. Como em toda profissão, exige-se um mínimo de convívio social, quer dizer, é impossível para qualquer profissional interagir isoladamente. Portanto não é diferente com os profissionais da área de informática. Eles sempre estarão atuando com outros profissionais, gerentes, usuários e clientes ou fornecedores. O objetivo deste artigo, pauta nestas características que o profissional de informática tem de cultivar.

Palavras-chave: informática; ético; autonomia; habilidades interpessoais.

*Aluna concluinte do curso de pós-graduação lato-senso “Formação de docentes para o ensino superior”, da Universidade Nove de Julho. Trabalho realizado sob orientação da Profª Drª Eliana Sala.

1-Introdução

Toda profissão exige um mínimo de convívio social, quer dizer, é impossível para qualquer profissional interagir isoladamente. Portanto não é diferente com os profissionais da área de informática. Eles sempre estarão atuando com outros profissionais, gerentes, usuários e clientes ou fornecedores. Para tanto se faz necessário que este relacionamento seja o mais educado, e saudável possível. Isto tudo, somado ao fato, de os profissionais de informática terem a fama negativa de serem nerds, apáticos, rudes, frios, e incomunicáveis. Por tudo isso o mercado hoje requer que o profissional desta área tenha habilidades para trabalhar em equipe, ter espírito de liderança, além de saber lidar positivamente com situações de conflitos e pressões de cronograma. O analista de sistemas, não raras vezes, tem de lidar com profissionais que como ele, poderá estar sobre fortes situações de estresse e pressão.

O objetivo deste artigo, pauta nestas características interpessoais que o profissional de informática tem de cultivar. Enfocando na universidade, que precisa atender este novo currículo; no docente que deve ensinar para essas relações: e no educando que deve acatar e aplicar essas medidas.

2-Analista de Sistemas e suas relações

Conforme OLIVEIRA (apud STÁBILE, 2001), a definição do profissional “analista de sistemas”, é apropriada para o molde técnico de desenvolvimento de sistemas, mas não determina se o profissional possui habilidades sociais ou como este profissional se sairá em uma circunstância de conflito ou de estresse na atuação de suas funções profissionais. Isto não sugere um erro fatal no perfil deste profissional, mas uma habilidade não prevista neste mesmo perfil: a habilidade interpessoal.

É sabido que a relação Analista de sistemas versus usuário é uma relação inconstante, porque o usuário, sempre se vê em posição adversa, receando perder o seu emprego, seu dinheiro e seu poder, pois para ele, está entregando ao analista de sistemas todo o seu conhecimento sobre o que a duras penas e sacrifício aprendeu. Para o usuário, o seu conhecimento será entregue a um computador que vai democratizar um saber sofridamente contraído. Na percepção deste usuário, o analista de sistemas, é a pessoa instituída de sugar este saber, transferindo-o para a máquina. Neste respeito, é que o analista tem de evitar a falta de sensibilidade das inúmeras expectativas e receios do outro, com relação ao processo de entendimento das necessidades do usuário. Caso contrário, este encaminhamento desvirtuado pode implicar as relações entre o profissional de sistemas e o seu interlocutor, culminando na mútua insatisfação e na inconformidade da solução desejada por ambos. Resultando destes impasses uma trinca no relacionamento que afetam tanto ao usuário quanto ao analista de sistemas.

Além de uma desejável formação técnica, os Bacharéis em Analise de Sistemas da Informação precisam de uma formação mais sensível aos aspectos humanos, que permita sua sociabilidade. Os profissionais da área de informática convivem com sobrecarga de conflitos, estresse e cobrança por resultados e acabam não tendo o tato para lidar com pessoas, equipes e por conseqüência, culminam em ter um comportamento que mistifica os profissionais técnicos como ranzinzas, frios e conseqüentemente soberbos, pela falta de humanização em tratar clientes e parceiros de trabalho. Já que a área de Tecnologia da Informação é estratégica e está cada vez mais arraigada no processo de tomada de decisão das empresas, o profissional da Informática, que trabalhava de forma isolada, tem de estar preparado para se relacionar com outras pessoas. Esses profissionais carecem aprender a se relacionar com os outros e suas querelas, e a coexistir com a heterogeneidade. Precisam de conhecimento de si, e conhecer os perímetros pessoais, e isto ajudará a delinear planos de melhorias. A caça do aperfeiçoamento não deve ser apenas no componente técnico, mas do mesmo modo nas atitudes, na revisão dos valores e na melhora como ser humano.

Conforme TREPPER (apud STÁBILE, 2001), a imagem que se tem da área de tecnologia da informação é que sempre está sobre uma onda de caos, que prenuncia a colocar todos sob seu jugo, profissionais e usuários. Segundo ainda o autor, muito frequentemente, os profissionais dessa área não são encarados como fazendo parte dos negócios, pelo simples fato, que a forma de comunicação e de conduta dos mesmos não reflete uma coesiva disciplina.

Delineando sobre a estrutura dos clássicos departamentos de informática, SCAGLIA (apud STÁBILE, 2001), assegura que são locais cheios de profissionais que falam um dialeto conveniente, cheio de jargões e que julgam que os usuários, só servem para um fato: estorvar a vida dos gênios da programação. Ainda segundo o autor, esta estrutura independente e centrada em si mesma e em seus processos, sem o ínfimo envolvimento da empresa como um todo, não é mais funcional e prática nos dias atuais.

As organizações hodiernas têm na Tecnologia da Informação um artifício estratégico, na medida em que as soluções tecnológicas automatizam processos organizacionais e é fonte de prerrogativas competitivas através do diagnóstico de cenários, adesão ao processo decisório e significação e implementação de novas estratégias organizacionais. De outra forma, cada área com seus usuários apresentam a tendência de considerar apenas o seu serviço como prioridade. Sendo assim há constantes mudanças de escopos e de preferência, tornando quase impraticável o atendimento de todas as demandas. Estabelecendo assim o seu próprio critério de atendimento de prioridades, a área de informática, delibera quem serão atendidas: solicitações de usuários mais legais e que tenham bom relacionamento pessoal; solicitações de usuários que tenham prerrogativa política; solicitações de demandas mais atraentes em sentido desafiador e técnico.

Além disso, conforme afirmação de WANG (apud STÁBILE, 2001), há uma total falta de atrelamento entre a área de sistemas e os detentores do poder na empresa, a alta direção. A explicação do autor, é que há um desconhecimento completo do que um lado fala: clientes, qualidade, concorrências, feedback financeiro, etc. E o outro fala: plataformas, cliente/servidor, orientação á reuso, etc. Evidenciando cabal falta de nexo.

Neste panorama de rixa de poderes e acusações, aos quais, os únicos lesados são a própria empresa, é razoável crer que os profissionais de tecnologia de informação, desenvolveram cabal habilidade técnica necessária para atender a máquina, porém não possuem nenhuma habilidade de relacionamento e difusão com os usuários e executivos da empresa. Lembrando que fundamentalmente o sucesso da qualidade dos sistemas de informações disponibilizados, esta sujeito fortemente à colaboração de quem depende e sabe das necessidades informacionais: o usuário final.

Complementar a tudo isso, DRUCKER (apud STÁBILE, 2001), afirma que muitos tomadores de decisão nas empresas, tendem a pensar que os especialistas em computador, sabem precisamente quais, quando e para quem, as informações devem estar disponíveis.

SAVIANI (apud STÁBILE, 2001), alerta que o usuário deve ter responsabilidade das suas necessidades de informação, e que o pessoal da informática deve exclusivamente orientá-los tecnicamente para produzir essas informações da mais perfeita forma plausível.

Ainda segundo WHITAKER (apud STÁBILE, 2001), os desenvolvedores não são hábeis ao lidar com clientes.

GAUSE & WEINBERG (apud STÁBILE, 2001), declara que bilhões de dólares são despejados ralo á baixo, todos os anos, pois se fabricam produtos que não atendem aos requisitos, porque não foram nitidamente explicados, ou declaradamente entendidos.

Segundo LEITE (apud STÁBILE, 2001), os problemas apontados, pelas áreas de tecnologia, é oriundo de muitos anos de extremismo dos tecnocratas dos centros de processamento de dados, indivíduos que se idealizavam em patamares inacessíveis, determinando suas próprias regras de possibilidades, prazos, prioridades e etc. Claro que a autora não esta aqui depreciando este tipo de profissionalismo, porém ela deixa claro, que era válido esse comprometimento com a empresa dando o melhor de si mesmo, o problema era que essa visão totalmente tecnocêntrica, não aceita margens para atender o escopo real do negócio da empresa.

Corroborando com isso, GONÇALVES (apud STÁBILE, 2001), declara que os administradores detêm um sentimento de impotência e total consternação diante do departamento de informática, pois nunca conseguiram dominá-los como aspiravam.

É evidente que as características ressaltadas nos sistemas de informação têm sua faceta extremamente técnica. As atenções são voltadas sempre para a tecnologia empregada, em detrimento ao uso adequado e estratégico da informação pelos usuários.

De acordo com McGEE & PRUSAK (apud STÁBILE, 2001), os holofotes estavam todos direcionados para a tecnologia e os seus vultosos gastos com computadores e equipamentos, e não nas reais necessidades básicas: informações objetivas, claras, em tempo hábil e estratégico. O autor observa inclusive que na maioria da literatura brasileira, os teóricos do assunto, se concentram na técnica de processamento de dados, mas existe uma gama de outras questões conceituais.

Acrescentando-se a isso, McGEE & PRUSAK (apud STÁBILE, 2001), garantem que é fácil crer que problemas complexos, são facilmente resolvidos com recursos financeiros e de maquinas.

Segundo os autores, o que passa despercebido pelas pessoas, é que de maior valor é a informação, e não a tecnologia usada na informação, eles ainda acrescentam, que a atenção é toda voltada para as inovações tecnológicas. Inclusive acrescentam que os investimentos tecnológicos se anulam sem as informações certas, para as pessoas certas.

Conforme ABRAMSON (apud STÁBILE, 2001), a queixa geral é que todos da área tecnológica querem vender a s soluções, mas ninguém esta interessada em qual é o problema.

DRUCKER (apud STÁBILE, 2001), sugere de modo inclusivo que cada dia mais será as preocupações, com memórias potentes e velocidades á jato, e menos com informações úteis e com relacionamentos humanos, tão indispensáveis á execução do trabalho.

MARCHAND (apud STÁBILE, 2001), alerta que até mesmo a criação de redes de compartilhamento de informações entre administradores e usuários, não garante o uso inteligente da informação.

E conforme afirmação de COSTA & MIRANDA (apud STÁBILE, 2001), não se deve atribuir importância demasiada na tecnologia de desenvolvimento de sistemas, e que, conforme citaram, a Software Engineering Institute (SEI), destaca há muito tempo que o foco deve ser no processo de desenvolvimento de sistemas, e não na tecnologia ou ferramentas para tal uso.

Para MELLO & BURLTON (apud STÁBILE, 2001), a tecnologia pode até auxiliar e contribuir para uma maior comunicação entre as pessoas, mas, contudo, não gera conhecimento. Afirma ainda os autores, que como recurso necessário, a tecnologia é somente parte da resposta.

Ainda arrazoando sobre outras dificuldades arrecadadas com esse fadado apego total á tecnologia, SILVA (apud STÁBILE, 2001), mostra que uma tarefa complicada, é alinhar a tecnologia as reais necessidades do negócio. O autor cita entre outras coisas, dificuldades técnicas e políticas, problemas de comunicação e entendimento das necessidades dos usuários e o processo de desenvolvimento.

BELLOQUIM (apud STÁBILE, 2001), preconiza que a analise de requisitos é a tarefa menos estruturada, menos técnica e mais sujeita a influências das habilidades interpessoais entre analistas e usuários. Ele ainda acrescenta que o problema não se soluciona, com diagramas e outras ferramentas técnicas de especificação de requisitos, mas o ponto é descobrir o que o usuário quer. Assim, para o autor a questão não se limita apenas a termos técnicos, mas em termos multidisciplinares. O autor ainda comenta que é condenável a atitude de profissionais e instituições que detém seu foco em modismos e tecnologias passageiras. O autor ainda faz críticas aos cursos essencialmente técnicos, onde a carga das disciplinas são em exatas e aquelas ligadas somente á maquina em si, e o educando sai achando que desenvolver software é apenas e tão somente escrever códigos.

HUMPHREY (apud STÁBILE, 2001), tem afirmado que os profissionais de software são treinados como hackers, isto é, tem precisão em realizar uma tarefa, porém sem se ater ao seu real significado, com atitudes totalmente alheias.

Para SOARES (apud STÁBILE, 2001), as maquinas, enquanto computadores, são super valorizados e o trabalho humano exigido, fica ocultado.

Para MOREIRA (apud STÁBILE, 2001), o perfil dos profissionais de informática é outro, aquém daquele técnico, anti-social e detentor do único saber. Segundo uma pesquisa que ele fez tudo mudou para: o excelente relacionamento interpessoal, a clareza para transmitir idéias, a ótima comunicação integrando o negocio á tecnologia, a aptidão a mudanças e negociações, entre outros aspectos.

Vale ressaltar que para entregar o que o usuário quer, precisa-se entender sua necessidade, manter o usuário como aliado do projeto desde o inicio, manter um bom relacionamento entre as áreas, pois cada uma sabe um pedaço do problema e cada uma tem um pedaço da solução.

Incluindo á isso CHERMONT (apud STÁBILE, 2001), afirma que muitos especialistas garantem que projetos falham não por motivos técnicos, mas de recursos humanos.

Para HEHN (apud STÁBILE, 2001), o software de integração de uma empresa, é apenas um instrumento, não a integração em si, pois esta depende das pessoas. Ainda conforme ele destaca, mudar envolve sair da zona de conforto, onde a memória é a ferramenta mais usada para agir e ter sucesso, e entrar em uma região onde se faz necessário aprender, criar e pensar.

Mas é possível e necessária a aproximação e a tão sonhada integração entre usuários e analistas de sistemas de informação, visando com isso melhorias no desempenho da informática nas empresas.

3-Educação, Docentes e Educandos

Como mudar essa situação? Isso pode ser iniciado na educação, por meio de disciplinas inclinadas para as relações interpessoais. É claro que é imprescindível que as disciplinas sejam voltadas para área técnica da profissão, mas isso não é o suficiente para garantir a exigência do mercado de trabalho. A sugestão é que existam disciplinas de comportamento e relacionamento nos currículos das áreas técnicas. As pessoas precisam compreender como se comportar ante as pessoas, as situações de estresse, assédios e conflitos.

As competências necessárias ao desempenho das funções do profissional de Sistemas de Informação exigem uma ação profissional fundamentada no conhecimento teórico-prático aprofundado da aplicação das soluções tecnológicas oferecidas pela ciência da computação a problemas existentes nas unidades de negócio de uma empresa. Inicialmente esta exigência implica em uma capacitação profissional que integre conhecimentos técnico-científicos de ciência da computação; sistemas de informação e administração e áreas de negócio (marketing, produção, finanças, recursos humanos e comercial). No entanto, a capacitação deve incluir o desenvolvimento de habilidades de relacionamento interpessoal, comunicação e trabalho em equipe, na medida em que são características cada vez mais importantes na atuação profissional.

As pessoas anseiam além de resolver suas dificuldades técnicas, aliviar suas aspirações humanas com afabilidade, resignação e, conseqüente, perícia. Logo, é fundamental uma educação mais condescendente e notar que os profissionais e os clientes são seres com corpo, alma e mente.

Pode-se entender então, que a exigência do mercado é para o profissional que vai além de uma formação especialista. Não desmerecendo a necessidade de uma educação profissional através dos cursos técnicos e/ou profissionalizantes, mas que possibilite, além da formação técnica específica, o desenvolvimento de habilidades que possam diferenciar este profissional.

Portanto, existe a possibilidade de fazê-la de forma mais humanizada, tendo em vista que, os indivíduos não vivem isolados e sim são seres em constante relação. Faz-se necessário, então, pensar numa forma mais humana de atuar na área educacional, pois, é nesse contexto que se adquire grande parte dos conhecimentos que serão utilizados por toda a vida. E dessa forma, ao internalizar além de conhecimentos, cultura, valores e comportamentos, a educação pode ter uma função transformadora da sociedade, tornando, a vida em suas relações, muito mais engrandecedoras, mais amistosas e coesivas, onde o compartilhar seja uma prática real e constante. O tornar humano, ou humanizar, vai além da classificação da raça humana, é proporcionar uma forma mais cooperativa entre as pessoas, é convidar as pessoas a reconhecerem-se em suas necessidades, desejos, limitações e capacidades, possibilitando, assim, uma forma diferenciada de relacionar-se, respeitando o outro para ser respeitado. Pode parecer romântico e ingênuo até, esta forma de reconhecer que o espaço educacional possa se dar de forma mais humana. É evidente que a problematização e a reflexão por si só, não chegarão a lugar algum, entretanto estas não devem ser um fim em si mesmas, mas sim uma semente, para que as pessoas possam ampliar o prisma de seus olhares, conscientizando-se que o mundo com seus sistemas e suas formas de ação não são um modelo pronto e acabado, ao contrário, podem desconstruir-se e reconstruir-se a todo o momento; as idéias, as atitudes, os conceitos, os sistemas, enfim, nada é tão inflexível ao ponto de não poder ser questionado e, se necessário modificado, ainda que seja necessária muita luta, muita coragem e determinação. Isso não é um otimismo ingênuo, mas sim uma nova forma de pensar que merece ser expressa e debatida. Será que tudo isso é possível? Sim se forem construídas pontes entre docentes e educandos, se houver a edificação de um vínculo afetivo.

Vivemos numa sociedade em que as pessoas acham cada vez mais difíceis demonstrar o mínimo de afeto aos outros. Em vez da noção de comunidade e da sensação de fazer parte de um grupo, encontramos um alto grau de solidão e perda dos laços afetivos.

Necessário se faz que educandos e docentes interajam e tornem-se um instrumento de crescimento em busca do saber. A humanização do ensino há de ser imperativa. Atualmente é comum vincular o processo educacional de uma pessoa à sua inserção no mercado de trabalho, por meio de uma atividade profissional que o identifique dentro de uma determinada sociedade. As pessoas com essas perspectivas caracterizam-se pela sua identidade profissional e não pela sua vocação humana que ama, respeita, dialoga com o outro. É necessário que o educador, além de dominar conhecimentos específicos nas referidas áreas, apresentem também, domínios afetivos e sociais, ampliando a capacidade de conhecer e se relacionar consigo mesmo e com o outro, repensando seus valores, preconceitos, tabus, mitos e estereótipos, para que possa desenvolver um trabalho de compreensão e/ou aceitação e respeito ao outro e não de julgamento e/ou discriminação e exclusão.

Não é segredo para a sociedade, que a tecnologia tem se transformado num instrumento a serviço da política de exclusão, pois, o acesso às novas técnicas é ditado pelas condições materiais de cada indivíduo. Nesse sentido, a educação deve ser concebida como um meio de resistência e transformação das injustiças sociais, promovendo o desenvolvimento integral dos educandos, e, através das novas tecnologias, possibilitarem na inclusão digital, um caminho para a emancipação, para a humanização e ampliação do conceito de cidadania.

Em seu livro: Dez Leis para Ser feliz, CURY (2003), nos alerta para a necessidade de educar os jovens com palavras e, sobretudo com atitudes: a amar a espécie humana, através do gerenciamento de seus sentimentos. As palavras de Cury convidam a cultivar reflexões em torno da valorização de Ser Humano como elemento essencial da sociedade, não uma sociedade uniforme, autômata, mas uma sociedade onde as diferenças possam se complementar, e onde a educação tenha um papel extraordinário.

Ensinar, ou suscitar a aprendizagem é uma tarefa bastante sutil.  Envolve muita sensibilidade consigo e com o outro, a busca da percepção consciente das dinâmicas da relação e a permissão interna para se relacionar. Relacionar-se com outra pessoa implica entrar em acordos, conflitos, impasses, identificações e ter a vivência de diversas emoções prazerosas, desprazerosas e angustiantes, mas, com a possibilidade da realização de um encontro muito maior consigo e com o outro. Não é nada fácil ensinar. As relações são trabalhosas e exigem empenho e disposição. Ao docente não basta ter conhecimento técnico e teórico sobre a disciplina ministrada. Ele precisa estar disposto a preparar-se emocionalmente para trabalhar as relações com o educando, com os outros docentes e com a administração em sua instituição educacional. O seu maior instrumento profissional é o seu desenvolvimento como pessoa, o que, em outras palavras, lhe possibilitará ser um agente facilitador das relações interpessoais que vivencia em seu trabalho. E, conseqüentemente, criará um ambiente propício ao principal objetivo de sua profissão: a aprendizagem.

As novas disciplinas de ensino devem abranger dimensões humanas que, atualmente, são pouco difundidas e que, por sua vez, estão relacionadas aos sentimentos, às emoções, aos valores para, possivelmente, poder educar para a vida, isto é, humanizar. Nesse sentido, é imprescindível para a educação de hoje uma formação docente humanizadora capaz de ensinar motivando e entusiasmando. O ritmo acelerado da vida moderna causou uma ruptura com as questões relacionadas às emoções, os valores, a sensibilidade. Vive-se em uma época que por imposição do atual modelo econômico, o “ter” sobressai ao “ser”.

Deve-se continuar a buscar e formar profissionais capacitados, capazes de pensar, comunicar, analisar, comparar, criar, que respeitem as diferenças, que resolvam conflitos e que tenham habilidades interpessoais. Desta forma, a sensibilização das pessoas é uma das ferramentas mais importantes em um mundo de tantos desafios trazidos pela modernidade.

Gerenciar a emoção é o alicerce de uma vida encantadora. É construir dias felizes, mesmo nos períodos de tristeza. É resgatar o sentido da vida, mesmo nas contrariedades. Não há dois senhores: ou você domina a energia emocional, ainda que parcialmente, ou ela o dominará. (CURY, 2003). CURY (2003) nos alerta para a necessidade de educarmos nossa emoção, através de um gerenciamento de nossos sentimentos. As palavras de Cury nos convidam a refletirmos em torno da valorização de Ser Humano, do sentido da vida e da educação.

Uma excelente solução para tudo isso, são os Cursos de Formação docente, onde o foco principal, não deve ser apenas os conhecimentos específicos da sua profissão, com ênfase na técnica, mas é imperativo trabalhar com as cerne do elemento educativo por meio do ensino reflexivo. Pois esta não se restringe a uma demanda técnica, mas abarca multíplice saberes e extensão da vida humana. A educação deveria tentar garantir que cada um receba a instrução que patrocine a sua potencialidade individual, haja visto que já é de conhecimento popular que os indivíduos têm perfis diferentes uns dos outros, ao invés de oferecer uma educação padronizada.

Porém mudanças na área da educação correspondem a um processo gradual, que envolve a conscientização de todas as pessoas: comunidade acadêmica e em geral. Mudanças educacionais são possíveis, mas concebem um rompimento de paradigmas construídos historicamente. Este processo de humanização na educação pressupõe mudanças. Foram séculos de construção de um ensino tradicional, que promovia a repetição das idéias, desprezando o contexto dos conteúdos. Há ainda os que primam pela propagação da técnica enquanto técnica: há quase um culto à técnica. Segue-se o princípio de que, sendo tecnicamente possível, algo deve ser feito. O técnico seria bom porque é técnico. Portanto, construir novos paradigmas educacionais é um desafio que trata-se de preparar o profissional para um trabalho intelectual elaborado.

O docente consciente se preocupa com o valor do seu educando; e isto se reflete nas suas atitudes de atenção; confiança; amparo. O docente usa de empatia com o educando. Se o docente possui autoconfiança, na sua capacidade e afiança aos seus educandos veracidade e crédito, certamente o saldo será positivo, e os educandos alcançarão seus desígnios. É mister ver o educando como ser singular pensante que constrói o seu mundo, espaço e o conhecimento com sua afetividade, sua astúcia, sua expressão, sua crítica, sua reflexão, e seus sentidos. A contribuição que a afetividade proporciona no ambiente educacional para o processo ensino/aprendizagem, é enorme, considerando, que o docente não apenas transmite conhecimentos, mas também esta sempre atento as necessidades de seus educandos e ainda estabelece uma relação mão dupla. Também é muito valioso, além da atenção dispensada pelo docente ao educando, que assegurem o direito e a iniciativa a expressar-se, expor suas opiniões, apresentando respostas e tendo suas próprias escolhas, sabendo que irão arcar com as conseqüências dessas escolhas. Interessante notar que a afetividade não se dá somente por contato físico; debater a capacidade do educando, exaltar seu trabalho, reconhecer seu empenho e motivá-lo sempre, estabelecem maneiras de ligação afetuosa. A afetividade é imperativa na formação de pessoas felizes, éticas, seguras e capazes de conviver com o mundo que a cerca. No ambiente educacional além de dar carinho, e aproximar-se do educando, saber ouvi-lo, valorizá-lo e acreditar nele, dando oportunidade para a sua expressão, são primorosas formas de promovê-los. Carinho faz parte da trajetória, é apenas o princípio do caminho. O olhar do docente para o seu educando é imprescindível para a construção e o sucesso da sua aprendizagem. Isto abrange dar crédito as suas opiniões, apreciar sugestões, analisar, escoltar seu alargamento e oferecer acessibilidade, promovendo saudáveis e alegres conversas. A afetividade como substância que nutre estas ações, não é considerada um puro ato de “melosidade”. A intensificação das relações entre docentes e educandos, os aspectos afetivos emocionais, a dinâmica das manifestações da sala de aula e as inúmeras formas de comunicação, devem ser assinaladas como pressupostos basal para a ação da construção do conhecimento e da aprendizagem e igualmente , da condição organizativa do trabalho do docente. Afetividade no ambiente educacional é se preocupar com os educandos, é reconhecê-los como indivíduos independentes, com uma experiência de vida diferente da sua, com prerrogativas de ter primazias e aspirações muitas vezes diferentes das do docente.

Nesta abordagem do processo educativo a afetividade ganha relevo, pois se acredita que o intercâmbio afetivo subsidia mais a compreender e transformar as pessoas do que um raciocínio magnífico, mecanicamente repassado.

4-Considerações Finais

A relevância deste trabalho para as áreas educacionais e para os profissionais de analise de sistemas, se dá devido à demanda do mercado de trabalho, que exige um profissional mais ético e humano. O curso ministrado pela universidade de São Paulo – UNINOVE: Pós em Formação Docente para o Ensino Superior, felizmente contribuiu para essa tão desejada humanização. Onde os docentes ministraram magistralmente todas as disciplinas de caráter técnico e prático com bastante ênfase em autores humanistas, tais como: Paulo Freire, Piaget, entre outros.

As palavras de CURY (2003) nos convidam a refletirmos em torno da valorização do ser humano, do sentido da vida e da educação, e para a necessidade de educarmos nossa emoção, através de um gerenciamento de nossos sentimentos. Gerenciar a emoção é o alicerce de uma vida encantadora. É construir dias felizes, mesmo nos períodos de tristeza. É resgatar o sentido da vida, mesmo nos contratempos.

Por meio de uma educação integral, o educando poderia através do conhecimento compreender o mundo que o cerca, pois compreenderia a si mesmo; assim tornar-se-ia como ator participante, responsável e imparcial na edificação de seu tempo, de sua sociedade. Por isso não devemos esquecer que mais do que nunca a educação parece ter, como papel efetivo, atribuir a todos os seres humanos o livre-arbítrio de pensar, de discernir, de sentir e imaginar de que necessitam para desenvolver suas habilidades e permanecerem, tanto quanto plausível, possuidor do seu próprio destino. E inserir a noção de humanização nos estudos, no ensino que envolvem a vida humana, particularmente a educação denota adotar a implicabilidade dos sentimentos e emoções que fazem brilhar a presença do ser no mundo. As inquietações e perspectivas que ficam neste trabalho, é que não se desvanesca á busca por uma educação mais humanizadora, amorosa e ética. E que mais teóricos possam, convencer á todos, a real necessidade de uma educação profissional mais humana.

5-Referências

CURY, A. (2003) Dez leis para ser feliz: ferramentas para se apaixonar pela Vida, Rio de Janeiro: Sextante.

STÁBILE, S (2001) Um estudo sobre a desconexão entre usuários e desenvolvedores de sistemas de informação e sua influência na obtenção de informação pelo decisor, dissertação de mestrado em engenharia de produção, São Carlos: Escola de engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo.