NÍVEIS DE CORROSÃO E PREPARAÇÃO DE CHAPAS METÁLICAS

INTRODUÇÃO

A pintura industrial é um processo complexo se visto da forma correta de se fazer, enquanto outros tipos de pintura visam à estética (beleza), a pintura industrial visa à proteção da superfície, mas proteção de quem?

Proteção à corrosão a qual é um problema para o setor industrial, pois ela destrói superfícies metálicas e causa um enorme prejuízo para as indústrias.

Neste trabalho iremos mostrar vários de tipos de corrosão em chapas metálicas sem pintura e pintadas, os graus de preparação de superfície e tentaremos aplicar uma ação corretiva que se aos casos que mostraremos no decorrer do trabalho.

GRAUS DE INTEMPERISMO

Ao estado de corrosão da superfície antes de qualquer preparo, damos o nome de grau intemperismo. Os graus de intemperismo de superfícies de aço sem pintura estão definidos na norma internacional ISO 8501-1 e são divididos desta forma:

GRAU A

Superfície de aço com a carepa de laminação intacta em toda a superfície e sem corrosão. Representa a superfície de aço recentemente laminada.

GRAU B

Superfície de aço com principio de corrosão e da qual a carepa de laminação tenha começado a desagregar.

GRAU C

Superfície de aço da qual a carepa de laminação tenha sido eliminada pela corrosão ou possa ser retirada por meio de raspagem e que apresente pequenos alvéolos (pontos arredondados de corrosão).

GRAU D

Superfície de aço da qual a carepa de laminação tenha sido eliminada pela corrosão e que apresenta corrosão alveolar de severa intensidade. Corrosão alveolar significa vários pontos (alvéolos) de corrosão distribuídos pela superfície da chapa de aço.

Já a superfícies de aço pintadas têm seus graus de intemperismo definidos pela norma americana ASTM D 610 e estão assim descritos:

GRAU 8

Pintura existente intacta

GRAU 6

Pintura de acabamento calcinada, podendo apresentar tinta primer exposta. É admissível leve manchamento ou empolamento após o tratamento de manchas. Menos de 1% da área deve ser encontrada afetada pela corrosão, esfolamento ou tinta solta.

GRAU 4

Pintura totalmente calcinada, empolada ou com manchas de oxidação, tendo até 10 % de sua superfície com corrosão, bolhas de oxidação, tinta solta e pequena incidência de pits (corrosão em forma de pontos).

GRAU 2

Pintura totalmente calcinada, empolada ou com manchas de oxidação, tendo até 33% de sua superfície com a corrosão, bolhas de oxidação, tinta solta e pequena incidência de pits.

GRAU 0

Intensa presença de corrosão, tinta sem aderência e formação severa de corrosão por pits e alvéolos

2 GRAUS DE PREPARAÇÃO DE SUPERFICIE

Os graus de preparação de superfície de aço com utilização de ferramentas manuais, mecânicas ou por jateamento abrasivo estão definidos na norma internacional ISSO 8505 – 1, já os graus de preparação de superfície de aço por hidrojateamento estão definidos na norma STG 2222.

GRAUS DE PREPARAÇAO COM FERRAMENTAS MANUAIS E MECANICAS

GRAU St2

Raspagem com raspadeira de metal duro e escovamento cuidadoso a fim de remover a laminação, oxido e partículas estranhas. Após a limpeza a superfície devera ter suave brilho metálico.

•Este padrão não se aplica às superfícies de Grau A
GRAU St3

Raspagem e escovamento com escovas de aço, de modo cuidadoso. Após a limpeza a superfície devera apresentar prenunciado brilho metálico.

GRAUS DE PREPARAÇÃO COM JATEAMENTO ABRASIVO

GRAU Sa1 – JATEAMENTO ABRASIVO LIGEIRO (BRUSH – OF)

O jato se move rapidamente sobre a superfície de aço a fim de remover as escamas de laminação, óxido e possíveis partículas estranhas.

* Este padrão não se aplica às superfícies de grau A.

GRAU Sa2 (JATEAMENTO ABRASIVO COMERCIAL)

Jateamento cuidadoso a fim de remover praticamente toda a laminação, óxido e partículas estranhas. Caso a superfície apresente cavidades (pites), apenas ligeiros resíduos poderão ser encontrados no fundo das cavidades, porem 2/3 da área de uma polegada quadrada deverão estar livres de resíduos visíveis. Após o tratamento a superfície devera apresentar coloração acinzentada.

•Este padrão não se aplica ao grau A.
GRAU Sa2 ½ (JATEAMENTO ABRASIVO AO METAL QUASE BRANCO)

O jato é mantido por tempo suficiente para assegurar a remoção da laminação e partículas estranhas, de tal modo que apenas possam aparecer leves sombras, listras ou descoloração na superfície. Os resíduos são removidos com aspirador de pó, ar comprimido seco ou escova limpa. Ao final da limpeza 95% de uma polegada quadrada de área deverão estar livres de resíduos e a superfície deverá apresentar uma tonalidade cinza clara.

GRAU Sa3 (JATEAMENTO ABRASIVO AO METAL BRANCO)

Jateamento abrasivo perfeito, com remoção total de laminação, óxido e partículas estranhas. Finalmente se faz a remoção dos resíduos com aspirador de pó, ar comprimido seco e limpo ou escova limpa. Após a limpeza a superfície deverá apresentar uma cor cinza de tonalidade muito clara e uniforme, sem listras ou sombras (coloração metálica).

ANÁLISE DOS NÍVEIS DE CORROSÃO, PREPARAÇÃO E CORREÇÃO DE CHAPAS METÁLICAS PESQUISADAS.

No decorrer do trabalho procuramos encontrar superfícies metálicas pintadas ou não em seus diversos graus de intemperismo e qual grau seria mais adequado para se tratar tal superfície, além do porque de que certas superfícies descascam e a tinta não segura no substrato. Em nossa ida a campo, visitamos o canteiro de obras da Tecnojato aonde chegamos a observar em campo vários tipos de chapas metálicas e seus graus de intemperismo, na foto acima (tirada no canteiro de obras da Tecnojato), observamos o grau A de intemperismo (chapa metálica intacta) onde se vê a Carepa de Laminação, neste tipo de grau tem que se aplicar um grau de jateamento abrasivo Sa2 ½ ou 3 para se remover a carepa, mas antes tem que se observar se a superfície está contaminada com óleos, graxas e gordura, pois se tiver tem que se descontaminar usando solvente (Thinner, aguarás, entre outros) ou mesmo lavar-se com água e sabão e depois do jateamento a superfície deve ser limpa imediatamente com aspirador, ar comprimido seco ou escova limpa, depois da superfície estiver descontaminada e limpa, aplica-se uma tinta primer, para depois para depois dar um acabamento com uma tinta apropriada, geralmente no padrão Petrobras o primer seria um 2630 e a 1ª demão de acabamento seria um poliuretano 2677.Em outra situação no mesmo canteiro de obras da Tecnojato vimos uma superfície com grau B de intemperismo, onde a carepa de laminação está começando a se desagregar e há principio de corrosão. Neste grau de corrosão a superfície metálica deve ser tratada com um jateamento abrasivo no grau Sa 2 ½ ou 3 para que seja retirada totalmente a carepa de laminação, com isso formando um perfil de rugosidade onde a tinta adere (perfil de ancoragem), antes do jateamento a superfície deve ser verificada afim de se ver se há contaminação, havendo usa-se água e sabão dependendo do caso ou solvente, depois de descontaminada aplicar o jateamento e depois com um aspirador de pó, ar comprimido seco e limpo ou uma escova limpa remover a sujeira do jateamento (granalha) e aplicar uma demão de prime e respeitando o tempo de cura aplicar as demãos de acabamento. Padrão Petrobrás – primer 2630 e o acabamento seriam dadas com poliuretano 2677 ou um alquídico 1259. Já em uma metalúrgica localizada no bairro da compensa foram encontradas várias superfícies metálicas em diversos graus de intemperismo onde se viam desde a chapa recém fabricada (grau A) até a severa corrosão (grau D), O grau C de intemperismo é onde a carepa foi eliminada neste grau de intemperismo pode se usar tanto jateamento abrasivo como ferramentas manuais ou mecânicas, pode-se aplicar um tratamento St2 usando raspadeira de metal duro e escova manual ou St3 usando raspadeira mecânica ou escova rotativa, devendo a superfície apresentar um brilho metálico, pode-se também aplica jateamento abrasivo dos graus Sa1 até o Sa3, já que a carepa de laminação foi totalmente eliminada pela corrosão, depois de tratada a peça tem de ser limpa com aspirador, ar comprimido seco e limpo ou escova de pelo, para se retirar os resíduos do tratamento, antes de se tratar dando ênfase novamente à observação da superfície para analisar se ela esta contaminada, pois caso tiver usar água e sabão ou solvente para descontaminá-la. Depois da preparação aplica-se um prime (1 demão) de 2630 e depois (2 demãos) de poliuretano 2677 ou duas de alquídico 1259. Finalmente chegando ao fim das superfícies de aço sem pintura verificamos o grau D de intemperismo onde a massa do metal é atacada de forma bastante violenta pela corrosão, um recipiente de água sem pintura, que ficava a mercê de sol, chuva e umidade, onde o substrato não havia sido pintado (protegido). Neta situação dependendo dos fiscais se não condenarem e mudarem trocar a superfície (chapa) deve-se aplicar um jateamento abrasivo de grau Sa 2 ½ ou 3 para se retirar toda a oxidação (ferrugem) ou se for o caso aplica um hidrojateamento no grau DW3 retirando toda ferrugem, depois limpar a peça com aspirador, ar comprimido seco e limpo ou escova de pêlo ( no caso do hidrojateamento esperar a superfície secar ou usar tinta que possa ser usada em superfície úmida), depois aplicar primer e duas demão de poliuretano. Em se tratando superfícies já pintadas observamos que os profissionais não fazem preparação de superfície, e quando fazem não são suficientes para assegurar que a pintura fique ancorada na superfície, formando assim defeitos com descascamento e empolação, em caso de superfícies de aço galvanizado além de não fazerem a preparação adequada eles usam uma tinta que não é adequada para esse tipo de superfície acarretando o defeito de saponificação e descascamento da tinta em muito pouco tempo. Neste grau de intemperismo a pintura quase intacta só precisando de retoques em pequenos danos físicos provocados pela movimentação e por batidas no decorrer do seu transporte. Neste tipo de grau de intemperismo deve-se limpar (descontaminar) a peça com solvente, depois lixar, escovar com escova de aço manual, depois limpar a superfície para depois aplicar a tinta, sendo ela ou um alquídico ou um poliuretano, com propriedades anti-corrosivas. Na superfície acima vemos o grau 4 de intemperismo em superfície de aço galvanizado com área de corrosão abaixo de 3 %, há empolação por ser sido aplicada a tinta errada, um prime alquídico, sem ter sido bem preparada a superfície corretamente, para esse tipo de superfície deve-se lixá-la leve e rapidamente para não se retirar o galvanizado (mínimo Grau St3 de preparação), depois de preparado deverá ser limpo e aplicar um wash prime ou um epóxi isocianato que são tintas para serem aplicadas em superfícies não ferrosas pois se aplicar uma tinta alquídica o vapor da água e a umidade irão penetrar na tinta e irão causar uma saponificação fazendo a tinta não aderir ao substrato e solta. Já na superfície a seguir é uma superfície de ferro e está no grau 4 de intemperismo, neste caso deve-se preparar a superfície no mínimo no grau St3 com raspadeira mecânica e escova rotativa, antes deve-se observar se a superfície está contaminada com óleos, gorduras ou graxas, se estiver descontamina-las com solvente, depois de preparadas limpar os resíduos do grau de preparação e aplicar a tinta para recuperar o esquema de pintura original. No grau 2 de intemperismo encontramos 3 superfícies onde a tinta estava soltando (esfolamento). No primeiro e no terceiro exemplo deve-se preparar a superfície com um grau St2 ou St3, ou dar um jateamento do grau Sa1 a Sa3, para depois dar uma demão de primer e depois dar duas demãos de acabamento com uma tinta alquídica ou uma poliuretânica. No segundo caso deve–se aplicar um tratamento St2 com escova, lixa ou raspador, limpar os resíduos do tratamento e aplicar um alquídico, neste caso a tinta descascou porque se aplicou a tinta em cima da carepa que se desagregou e soltou junto com a tinta. No grau 0 vemos duas superfícies que a tinta foi totalmente retirada pela corrosão e afetou seriamente o substrato metálico, no primeiro caso a peça estaria condenada e foi mostrado somente como exemplo da pesquisa. Vemos no primeiro caso um portão que teve sua tinta totalmente retirada pela corrosão que ataca o substrato de forma severa, o resto de tinta que ficou está sem aderência. No segundo caso é outro portão que a tinta foi atacada da mesma forma do primeiro exemplo, porém pode ser salva com um bom tratamento de jateamento abrasivo no grau Sa2 ½ e um remendo de solda, e uma pintura, com primer e acabamento com poliuretano (duas demãos). Nesta pesquisa vimos que todas as superfícies pintadas e sem pintura estavam à mercê do tempo, umidade, calor, com exceção da superfície que foi pintada em cima da carepa de laminação, e não foram preparadas de forma correta pra se pintarem de forma apropriada.

CONCLUSÃO

Neste trabalho de pesquisa foi evidenciado que uma boa preparação de superfície e as tintas certas fazem as superfícies de metal ter uma vida útil por mais tempo, concluímos que não se deve pintar uma superfície metálica ou de qualquer origem, devemos respeitar as normas técnicas.

Devemos ter a percepção de como devemos preparar a superfície, os graus de intemperismo e como foi que aconteceu (origem) a corrosão e finalmente depois de preparado qual tipo de tinta que devemos aplicar para não cairmos no erro de aplicarmos uma tinta sensível ou inapropriada para o tipo de substrato ou para qual será empregado a superfície, se ela será interna ou externa para que a pintura seja de qualidade.

BIBLIOGRAFIA

GRAUS de oxidação e preparação de superfícies de aço. Disponível em: . Acesso em: 21 mai. 2009.

MARQUES, João Carlos Marques; Trabalhos acadêmicos: normas e fundamentos. Manaus: Ed. da UFAM, 2006.

PETROLÉO BRASILEIRO S. A.; Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Pintor / Promimp. Rio Grande do Sul, 2007. 113 p.