O PRINCÍPIO DE UM “ESCRITOR AUTOR” NA ESCOLA: FUNDAMENTADO EM FOUCAULT.


A questão maior é entender os conceitos e a profundidade em que estamos, quando lemos o que é um autor do livro de Foucault. Este campo de conhecimento nos revela uma grande quantidade de implicações:

Em uma visão mais centrada, vemos o autor como um ser profissional que tem condições de nos mostrar suas particularidades em seus textos, com sua própria maneira de escrever. Sinalizando através de seus discursos, suas características individuais e próprias de escrever seus textos. Consequentemente perceberemos conexões de seus textos com outros textos. Tendo aqui um modo de presenciar, a intertextualidade discursiva nos textos escritos pelo autor, que exibem o aspecto individual, e suas raízes históricas, tornando-se dessa maneira um autor que tem responsabilidade naquilo que escreve.

Para esclarecer melhor a questão dos discursos individuais e “intertextuais” citamos como exemplo; os textos de Machado de Assis, que tem como função principal, mostrar questões sociais de sua época.

E nessa seqüência de entendimento, podemos analisar os seus discursos e verificar a utilização de palavras simples, mas muito bem colocadas e elaboradas em seus textos. Onde automaticamente um leitor mais experiente e gabaritado, irá verificar facilmente a essência machadiana de ser, por suas palavras que vem caracterizada por uma especificidade já imortalizada pelo autor em seus textos.

Assim Machado concretiza o seu estilo único e criativo de escrever. Bakhtin (2003) nos orienta para está questão que “O homem tem uma necessidade estética absoluta do outro, da sua visão e da sua memória; memória que junta e o unifica”. Mostrando aqui que necessitamos da presença do outro para fazermos “individualmente” nossos discursos. Cabendo literalmente aqui a idéia que todo escritor autor toma posse de vários outros discursos para fazer deles uma simplificação e reorganização. Para sim torná-los seus indiscritivelmente. Tornando-se dono de seu próprio discurso, totalmente modificado e caracterizado.

Não esquecendo que o mesmo passou a utilizar seu conhecimento lingüístico, textual e histórico, para transformá-lo em totalmente seus. Para Foucault (2003). “O discurso, é atravessado não pela unidade do sujeito, mas, pela sua dispersão. Diferentes indivíduos podem ocupar o lugar de sujeito no discurso, que não é pois, um ego-todo poderoso, senhor do seu discurso fonte de sua palavra, é um sujeito descentrado”. Este discurso é modificado sob a necessidade de cada indivíduo, evidentemente o discurso passa a ter as vozes sociais que constituem cada elemento que o utiliza dentro da sociedade.

Fazendo uma abordagem mais realista e social, vemos a importância de mostrar que a escrita é uma questão de necessidade para nossa área escolar e social. Tendo consciência que os alunos e alguns professores não tiveram essa nova ideologia sobre o autor e não tem ainda uma base sobre a importância que tem a função do autor; e do texto escrito. E que através do texto escrito poderão situar-se como responsáveis por aquilo que escrevem.

Cabe lembrar que a escola não vai formar um escritor, de um dia para outro. Mas, é de súbita importância que aja uma evolução, mostrar ao aluno os caminhos que existem para chegar a ser um escritor, e que a prática é considerada uma das fases que direcionam para um futuro promissor.

É importante observar que a escola ainda, não está preparada para essa mudança, pois os textos escritos dos alunos são direcionados a um padrão histórico, sempre fundamentado em uma filosofia investigatória de verificar como o aluno escreveu? O que ele escreveu? E se é um texto que condiz com a ética e a visão da escola. Onde deixaram e deixam de lado muitos textos, que são relacionados muitas vezes com a realidade deles dentro de seu mundo social. E o mais importante é que esquecem o papel do “escritor” com suas ideologias, seus posicionamentos, suas atitudes individuais, não dão ao aluno “autor” uma responsabilidade, que provavelmente é um fator que o ajudaria muito na sua formação humana e social.

Pois ao escrever ele poderá se expressar com seus pensamentos sejam eles críticos ou não, e está prática levará a formar um cidadão mais atento e consciente das inúmeras habilidades que necessitamos em nossa sociedade.

A escola deve formar o aluno para que ele tenha a capacidade de ler e escrever entendendo as entrelinhas. E ter em mente que o homem não é um ser robótico programável, mas sim um ser inteligente, reflexivo e crítico, que precisa da leitura e da escrita para facilitar e criar condições que possibilitem um melhor avanço em sua vida social ou pessoal.