O Uso de Anticoncepcionais sem prescrição médica – Farmacoepidemiologia

Resumo:

Com o objetivo de fazer uma pesquisa sobre o uso de contraceptivos sem a prescrição de um médico, foi realizado um estudo com mulheres na faixa etária de 17-37 anos de idade, no bairro 25 de Agosto, município de Duque de Caxias, RJ. Com o intuito de avaliar o conhecimento da população feminina sobre os riscos do uso deste medicamento sem antes consultar um médico, a pesquisa foi realizada durante o mês de outubro de 2009, por meio de um questionário aplicado a 50 mulheres na idade fértil. O resultado foi satisfatório. Palavras-chave: contraceptivos, conhecimento, consultar, médico.

Abstract:

In order to do a research on the use of contraception without a prescription from a doctor, a study was conducted with women aged 17-37 years of age in the neighborhood August 25, Duque de Caxias, RJ. In order to assess the knowledge of women about the risks of using this medication without first consulting a doctor, a survey was conducted during the month of October 2009 through a questionnaire answered by 50 women of childbearing age. The result was satisfactory.

Keywords: contraception, knowledge, consult doctor.

1 – Introdução

A população brasileira tem por hábito freqüente, o uso de medicamentos sem consulta previa, caracterizando o ato da automedicação. O Brasil está entre os dez maiores consumidores de medicamentos do mundo (BOCK & TARANTINO, 2001).  A automedicação não é nada mais do que o uso de medicamentos sem a orientação de um médico, sendo que esse uso indiscriminado dos medicamentos pode trazer sérios riscos à saúde da população (CASAGRANDE et al., 2004).

A pílula anticoncepcional é um dos métodos usados para o controle da natalidade e essencialmente utilizadas para o planejamento familiar. Considerado um dos melhores métodos de prevenção, o anticoncepcional é um dos mais procurados para esse fim, e sua eficácia está relacionada ao modo pelo qual a mulher o utiliza, não deixando de tomar nenhum dia. O uso correto do pacote de pílulas para vinte e um dias é tomar as pílulas todos os dias, no mesmo horário do dia, durante vinte e um dias, seguidos por uma pausa de sete dias.

Antes de adotar a pílula como método contraceptivo é indispensável procurar um médico, pois existem diversos tipos e somente este poderá identificar a pílula que tenha menos efeitos colaterais para o organismo de cada mulher.
A pílula pode ser usada também no tratamento da síndrome de ovários policísticos, endometriose, acne, cólicas e distúrbios da menstruação, tais como tensão pré-menstrual e cólica menstrual.

2 – Objetivo

Esta pesquisa visa avaliar o uso irracional de pílulas anticoncepcionais por mulheres em idade fértil no bairro 25 de Agosto, localizado na cidade de Duque de Caxias – RJ. Foi possível avaliar o uso de medicamento contraceptivo sem prescrição médica, identificar um significante número de mulheres que fazem o uso dessa classe de medicamentos, separadas por idade, nível de escolaridade de cada mulher, os nomes comerciais de anticoncepcionais mais usados, e após constatar algumas que optaram pela automedicação, conscientizá-las sobre os riscos.

3 – Metodologia

Realizou-se um estudo transversal. Uma pesquisa no mês de outubro de 2009, no bairro 25 de Agosto, na cidade de Duque de Caxias – RJ. Participaram da pesquisa 50 mulheres em período fértil, entre estas, uma minoria não faz uso de pílula anticoncepcional. Foi utilizado como instrumento para a coleta de dados um formulário de perguntas fechadas com variáveis dependentes (faz uso ou não da automedicação) e independentes (dados sócio-demográficos como idade, escolaridade, nome comercial do medicamento utilizado, quem prescreveu o motivo do uso, tempo de utilização, possíveis efeitos colaterais causado pelos medicamentos). Foi explicado a cada uma separadamente sobre os riscos que o uso de medicamentos sem orientação médica pode trazer a saúde.

4 – Resultado

A tabela 1 descreve os resultados obtidos com a aplicação do questionário. A faixa de idade que apresentou mais entrevistadas foi à faixa etária de 21-30 anos, correspondente a 64% (n=32) das avaliadas, seguido por mulheres com idade entre os 17-20 anos, com 26% (13), na faixa etária de 31-37 apresentou 10% (05).

TABELA 1 – Características sócio-demográficas das mulheres que participaram do estudo.

Numero de mulheres               Porcetagem
n                                         %
Faixa Etária

17-20                                                     13                                      26%
21-30                                                     32                                       64%
31-37                                                     05                                       10%

Dentre estas;

Entre 17-20 anos :

6 fazem uso do medicamento com prescrição médica ;

4 fazem uso do medicamento sem a prescrição médica, porém, indicado por amigas.

2 fazem uso do medicamento sem a prescrição médica, porém, indicado pelo farmacêutico.

E somente 1 não faz uso de pílula anticoncepcional.

Entre 21-30 anos:

25 fazem uso do medicamento com prescrição médica ;

3 fazem uso do medicamento sem a prescrição médica, porém, indicado por amigas

1 fazem uso do medicamento sem a prescrição médica, porém, indicado pelo farmacêutico.

3 não fazem uso de pílula anticoncepcional.

Entre 31-37 anos:

Todas as 05 entrevistadas fazem uso do medicamento com prescrição médica;


Escolaridade    num. Mulheres Porcentagem
Ens. Fund. incompleto                           0                                       0%
Ens. Fund. completo                             0                                        0%
Ens. Médio incompleto                        1                                          2%
Ens. Médio completo                            7                                          14%
Ens. Sup. incompleto                           28                                         56%
Ens. Sup. completo                               14                                         28%

Na tabela 2 verifica-se os nomes comerciais de medicamentos utilizados pelas entrevistadas, organizados em ordem decrescente, e os efeitos colaterias causados.

Observa-se que 92% das mulheres entrevistadas alegaram fazer uso de medicamento anticoncepcional, porém, uma minoria sofre ou já sofreu com os efeitos colaterais causados por tais medicamentos.
Considerando que esses efeitos são mínimos, que surgem em função das alterações hormonais e físicas, como enjôo, retenção de liquido e inchaço, seios dolorido, e até o próprio ganho de massa corpórea, que também é comum entre as mulheres que usam a pílula anticoncepcional.

TABELA 2 – Principais nomes de medicamentos utilizados pelas mulheres entrevistadas que fazem o uso da pílula anticoncepcional.

Total de mulheres entrevistadas: 50

Total de mulheres que usam pílula anticoncepcional: 46 (92%)

Total de mulheres que não usam pílula anticoncepcional: 4 (6%)


Medicamentos                          Numero absoluto                Numero relativo

Diane 35 9 18%

Yasmin                                                    7 14%

Ciclo 21 5 10%

Femiane 4 8%

Selene 4 8%

Yaz 4 8%

Tamisa 20 3 6%

Nociclin 2 4%

Ciclofemme 2 4%

Concepnor 1 2%

Micronor 1 2%

Gestinol 28 1 2%

Nordete 1 2%

Microvlar 1 2%

Mínima 1 2%

Efeitos colaterais causados por tais medicamentos:

Medicamento Num. mulheres Efeito colateral

Diane 35 2 enjôo.

Selene 2 enjôo.

Tamisa 20 1 enjôo.

Concepnor 1 retenção de liquido, inchaço

Mínima 1 retenção de liquido, inchaço

Ciclo 21 1 seios doloridos

A tabela 3 mostra o motivo, ou seja, as enfermidades, doenças, problemas que levam as mulheres entrevistadas a fazerem o uso da pílula anticoncepcional. Do total de 46 mulheres, divididas por idade, a maioria (29) disseram fazer uso da medicação por querer prevenir a gravidez, em seguida, o tratamento de ovário polimicrocistico (15), endometriose (4) e por ultimo, dismenorreia (2).

TABELA 3 – Motivos pelo quais levaram as mulheres entrevistadas a fazerem o uso do medicamento contraceptivo oral ( de acordo com a idade) e há quanto tempo o fazem.

Mulheres entre 17-20 anos:

Motivos num. mulheres

Ovário polimicrocistico 2

Dismenorreia 1

Endometriose 1

Prevenção da gravidez 8

Entre 21-30 anos:

Motivos num. mulheres

Ovário polimicrocistico 8

Dismenorreia 1

Endometriose 2

Prevenção da gravidez 19

Entre 31-37 anos:

Motivos num. mulheres

Ovário polimicrocistico 5

Dismenorreia 0

Endometriose 1

Prevenção 2

5 – Discursão

Ao analisar este estudo, podemos comparar a quantidade de mulheres que fazem o uso de anticoncepcionais orais, tais mulheres de diferentes estratos socioeconômicos, idade, e também com diferentes objetivos em relação aos efeitos que os anticoncepcionais orais podem promover.

Os resultados mostraram que maior parte das mulheres entrevistadas no bairro 25 de Agosto, Duque de Caxias – RJ, têm um conhecimento satisfatório sobre os riscos de se usar o medicamento sem a prescrição de um médico, tendo em vista, uma grande parte fazendo o uso da pílula com acompanhamento médico.

Os presentes achados confirmaram que, em geral, a pílula, vem depois da camisinha como método anticoncepcional mais procurado.

Pesquisadores têm demonstrado que a anticoncepção, em suas diferentes formas, desempenha um papel de importância na redução da fecundidade (MERRICK, T. & BERQUÓ, E).

A alta prevalência do uso de contraceptivos orais foi confirmada nos resultados do nosso estudo, sendo que o uso de pílulas mostrou-se maior nas faixas etárias mais jovens.

Neste trabalho, observa-se que a grande parcela das mulheres que usam a pílula anticoncepcional concentra-se em faixa de idade inferior a 30 anos, fato este que pode contribuir para automedicação em razão da imaturidade, influencia de outros e falta de experiência de vida.
Quanto ao nível de escolaridade informado pelas entrevistadas, pode-se observar uma maior distribuição em relação àquelas que possuem ensino superior incompleto e completo. Segundo dados apresentados na tabela 1, cerca de metade das mulheres entrevistadas faz prática da medicação com o acompanhamento, o que demonstra que o nível cultural e educacional são motivos plausíveis do uso racional do medicamento.

As diferenças por faixa etária parecem refletir uma mudança em atitudes das diversas coortes frente à contracepção, ou seja, mulheres mais jovens fazem maiores uso de contraceptivos orais. Este fato é observado em todos os estratos, mesmo no interior rural onde há menor consumo de pílulas. Porém, não se dispõe de informações sobre o uso de métodos alternativos que poderiam explicar, em parte, as diferenças observadas.

Estudos têm mostrado, em geral, que a prática anticoncepcional é mais freqüente em zonas urbanas, em mulheres com nível de instrução mais elevado (RODRIGUES, W. et alii.); (TAVARES, T. et alii).

Em estudos realizados, (Dias da Costa et al., 1995a e b), relativos a outros aspectos vinculados ao Programa de Atenção à Saúde da Mulher (exame de mamas e exame citopatológico), encontraram-se marcadas diferenças em relação à classe social. Demonstrou-se que, quanto mais baixa a classe social, pior a qualidade da atenção. Como não se evidenciou diferença na adequação de consumo entre as classes sociais, concluiu-se que os anticoncepcionais orais podiam ser considerados como o método contraceptivo disponível no sistema local de saúde.

A grande maioria das mulheres consumidoras de anticoncepcionais orais seguiu orientação médica. Quanto à inadequação do consumo, não se encontraram diferenças significativas em relação à indicação do método por iniciativa médica. Assim, foi preocupante a falta de esclarecimento por parte dos médicos para a indicação dos anticoncepcionais orais.

Ao analisar 449 situações em que ocorreram casos de uso de medicamentos sem prescrição médica, 219 (48,8%) foram efetuadas por conta própria e os 230 (51,2%) restantes foram por indicação de pessoas leigas, sendo que desses, 119 (51,7%) eram de receitas antigas, 61 (26,5%) indicados por amigos ou familiares, 31 (13,5%) por balconistas de farmácias, 11 (4,8%) terapeutas alternativos e 8 (3,5%) por paramédicos (Vilarino et al.,1998 )
Em seu estudo demonstra que em relação a escolha do medicamento, 40% dos entrevistados, recorreram a prescrições antigas e que 51% utilizou medicamentos não prescritos por sugestão de pessoas não qualificadas (Arrais, 1997).

¹ Unicef. Pesquisa: a voz dos adolescentes. Disponível em URL: http://www.unicef.org/brazil/pesquisa.pdf [2005 nov 24].

6 – Conclusão
O uso de anticoncepcionais orais sem prescrição e/ou orientação médica no presente estudo foi uma prática realizada pela minoria das entrevistadas, mesmo sendo um resultado satisfatório, sabe-se que algumas mulheres ainda não procuram um médico antes de começar a tomar o medicamento, e até fazer algum tratamento ginecológico, colocando assim, sua saúde em risco. Pois só um médico é o profissional capaz de diagnosticar e prescrever qualquer tipo de medicamento.

Das mulheres que fazem uso da pílula, constataram-se poucos resultados sobre efeitos colaterais, como enjôos, acúmulo de líquido corporal, dor no corpo. Também se pode constatar que muitas entrevistadas usam concepcionais indicados por amigas e até o mesmo medicamento que a amiga toma o que contribui para o uso sem as devidas informações técnicas sobre a posologia, dose e duração do uso.
Durante toda a execução da pesquisa e coleta de informações nos locais de atendimento das entrevistadas, notou-se a baixa divulgação de informações na forma de murais, folders e campanhas educativas, com o objetivo de melhor informar sobre os riscos do uso indiscriminado de medicamentos. Como principal medida a ser tomado na contribuição de se reduzir o consumo de medicamentos não prescritos, sugere-se a realização de campanhas educativas e materiais informativos que alertam sobre os riscos e as contra-indicações de alguns fármacos.

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