OBSERVAÇÃO GEOGRÁFICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DA DONA: UMA ANÁLISE

Os estudos sobre as bacias hidrográficas e suas ramificações, isto é, suas mudanças categóricas expressado em cada rio, canais e correntes etc., levados em considerações ou não, estão incorporados com as respostas ambientais dos seus respectivos espaço geográfico, sendo então, sem sombra de dúvidas, as abordagens empíricas e epistemológicas sobre a bacia hidrográfica do Rio da Dona, nesse sentido, vindo como, mais uma contribuição reducionista, porém esclarecida e esclarecedora com as realidades e tendências com a mesma e, principalmente, com os fatores que influenciam seus processos de cheias e baixas durante sua atividade de vida. Observando então, mais minuciosamente a gênese da bacia hidrográfica do Rio da Dona e seus fatores que a moderam, pois esse trabalho leva em conta, o canal principal do Rio da Dona e seus limites internos e externos dentro de sua bacia hidrográfica, ou seja, os objetos em seu redor que comprometem de alguma forma às dinâmicas naturais da bacia hidrográfica e seus percursos hídricos, assim como, observando a bacia hidrográfica do Rio da Dona influenciando seu espaço ambiental conpulsionado pelo o clima, o relevo, as rochas, o solo, a biosfera, o tempo, numa reciprocidade comum de explicação totalitária da Geografia Física.

Contudo, este trabalho tem por finalidade analisar o comportamento e expositar a bacia hidrográfica do Rio da Dona, situando-a, com seus dados de condicionamentos ambientais físicos (dados climáticos, geológicos e geomorfológicos), dados de condicionamentos bióticos (vegetação e uso do solo em relação à pedologia) e, sobretudo, os dados sócio-econômicos (população, atividade econômica predominante) dos três municípios do Estado da Bahia, onde a bacia hidrográfica do Rio da Dona se encontra, pois esta bacia, tem sua nascente em Santo Antônio de Jesus – BA, passando, por conseguinte, pelo município de Valença – BA e, tendo sua foz na zona costeira do município de Jaguaripe – BA, onde encontra seu nível de base final, isto é, o mar no Oceano Atlântico. Daí, observando a bacia hidrográfica do Rio da Dona como uma modalidade apreendida de forma geossitêmica, contendo, desse modo, retro-efeitos ao observar as capacitações físicas e sociais que comungam e, intrinsecamente, realizando respostas internas e externas na bacia e, inferindo que a bacia hidrográfica não é uma personificação estabilizada, pelo contrário, sendo passível a mudanças, em seus transportes sedimentares, por exemplo, transformando-se, retransformando-se e multitransformando-se, de acordo com as dinâmicas do espaço geográfico e, também, nas somas das respostas bio-geo-químicas e físicas de um determinado alvo em relação à bacia hidrográfica, em especial, a bacia hidrográfica do Rio da Dona estudado e interpretado, com seus respectivos dados morfométricos, avaliados.

As observações geossistêmica da bacia hidrográfica do Rio da Dona consistem em entender as capacidades hidrológicas do mesmo, salientando seu atual uso nos povoados próximos, observando suas interfaces com as dinâmicas humanas e natureza, comparando então, com outras bacias hidrográficas da região que se encontra em estados precários (uma catástrofe, pois os rios dos centros urbanos, em maioria, são esgotos) por causa de seu mau planejamento em contato com um sistema urbano. Entendendo, portanto a realidade do sistema hídrico do Rio da Dona.

Pois, ao avaliar sua morfometria, compreendemos que o Rio da Dona, é uns dos poucos que se encontram pouco modificado pelo o homem. Salientando, que sua sobrevivência se encontram porque a bacia hidrográfica do Rio da Dona, por enquanto se encontra fora das intencionalidades degradantes (com suas variadas atividades, representadas pelos órgãos públicos) dos gestores municipais, estaduais e federais, sendo estes mediadores dos interesses econômicos das grandes empresas, em especial, as internacionais.

Os dados dos condicionantes ambientais físicos, bióticos e sócio-econômicos da bacia hidrográfica do Rio da Dona, são relativos aos mecanismos que passam pelos territórios de três municípios do Estado da Bahia, a saber, Santo Antônio de Jesus, Valença e Jaguaripe. Tendo, portanto, nos dados dos condicionamentos ambientais físicos de Jaguaripe – BA, o clima é considerado úmido, a parte de Jaguaripe – BA litorânea por predominar influências da maritimidade e, nesse sentido, de clima úmido a subúmido sua extensão territorial localizado mais longe do oceano Atlântico e, por conseguinte, predominando e tendenciando efeitos de continentalidade. Sendo, sua geologia com predominância de Arcóseos, Arenito, depósitos costeiros (areia de praias), depósitos eluviais e coluvionarres, depósitos fluviais, folhelhos, rochas intermediárias básicas, siltitos. E, a geomorfologia de Jaguaripe – BA, considerada como de baixa litorânea, planícies marinhas e fluviomarinhas, de tabuleiros interioranos e, tabuleiros pré-litorâneos. Daí, seus condicionantes ambientais bióticos, serão e encontrarão pela orientação pedológica, solos com predominância na fração areia, tendo dunas, vegetação de restinga, vegetação de várzea, sendo e tendo, desse modo, solos comuns da área de Jaguaripe – BA como: Espodossolos, Neossolos Quartzarênicos, cambissolos, gleissolos, chernossolos. E, sua vegetação predominando para floresta ombrófila densa e, sobretudo, formações pioneiras, com influências marinhas (restingas), então o uso dos solos deste município, tendem para manutenção da reserva da flora e fauna, isto é, são solos desfavoráveis para o cultivo, porém e, contudo, Jaguaripe ainda retém um pouquíssimo de Mata Atlântica, pois tem uma altitude média de aproximadamente 11 metros, numa área de 891,35 Km2. Observando-se na sua atividade socioeconômica extrações pesqueiras de modo geral e, em especial, de caranguejos e marisco, com uma população de 16.207 habitantes (jaguaripenses) segundo o IBGE.

Já, o município de Valença – BA, os dados dos condicionamentos ambientais físicos são: o clima úmido a subumido, a geologia contendo a biotita – gnaisses, depósitos fluviais, folhelhos, gnaisses e rochas intermediárias básicas, nesse sentido sua geomorfologia apresentam planícies marinhas e fluviomarinhas, serras marginais, tabuleiros interioranos e tabuleiros pré-litorâneos. Com, por conseguinte, vegetação do tipo floresta ombrófila densa e, mangue. Sabendo, portanto, que a altitude média de Valença – BA é de 39 metros, com área de 259,21 Km2. Tendo entre outros, solos como: organossolos, gleissolos, plintossolos, argissolos, latossolos e, sobretudo, neossolos, observando que uma das suas atividades socioeconômicas são o turismo e o comércio (diversidade comercial).

Enfim, os dados condicionantes ambientais físicos, bióticos e sócio-econômicos do município de Santo Antônio de Jesus – BA (onde se encontra a nascente do Rio da Dona) são: o clima considerado como subúmido a seco e úmido; com geologia entre outros, depósitos eluvionares e coluvionares, gnaisses e granulitos. Daí, temos solos do tipo latossolos, argissolos, neossolos, nitossoslos, sendo os dois primeiros os mais úteis para alguns cultivos, tendo, portanto, vegetação ombrófila densa, tendo como principal atividade econômica a pecuária.

CÁLCULO DOS PARÂMETROS MORFOMÉTRICOS

Hierarquia fluvial (segundo Strahler).

É uma tentativa da reprodução da bacia estudada, sendo que a hierarquia fluvial mais confiável se encontra exposicionada no papel vegetal de 1 metro.

Números de rios e extensão dos canais por ordem.

RIOS

NÚMERO DE RIOS

N° DAS EXTENSÕES DOS CANAIS DOS RIOS POR ORDEM

1ª ORDEM

326

478

2ª ORDEM

155

261

3ª ORDEM

72

84

4ª ORDEM

4

7

5ª ORDEM

1

87

TOTAL

558

917

Perímetro da bacia hidrográfica do Rio da Dona.

O perímetro da bacia hidrográfica do Rio da Dona foi organizado usando uma régua de 30 cm, porém de forma conveniente.

Foram o somatório de: 73 + 92 + 6 + 16 + 8 = 195 cm.

Já que 1 cm é equivalente a 1 km, logo 195 cm é igual a 195 Km.

Resposta: o perímetro da bacia hidrográfica do Rio da Dona é igual a 195 km.

Cálculo de área (planimetria).

A bacia hidrográfica do Rio da Dona foi preenchida por quadricula de 4 Km2 cada. Onde coube para seu total preenchimento 263 quadrículas. Sabendo que das 263 quadrículas, 174 quadrículas foram consideradas como quadrículas de total ocupação (preenchido pela bacia hidrográfica do Rio da Dona) e, 89 quadrículas como de não total preenchimento pela bacia estudada. Daí, das 89 quadrículas não inteiras, se formou por mesclagens padronizada, 30 quadrículas inteiras de 4 Km2 cada.

Logo174 + 30 = 204 quadrículas. E, 204 x 4 = 816 Km2.

Então, a área da bacia hidrográfica do Rio da Dona é igual a 816 Km2.

1 Km2

1 Km2

1 Km2

1 Km2

→ = 4 Km2

Amplitude altimétrica.

Sabendo que os dados para o calcula da amplitude altimétrica estão obtidos na carta topográfica de escala = 1: 100.000

O ponto analisado, mais alto da bacia hidrográfica do Rio da Dona foi equivalente a 800 metros (em altitude, em relação ao nível do mar), nesse sentido, o ponto obtido na carta mais baixo, foi de 14.

Já que um ponto numa convexa sempre tende para no centro da convexa ser mais alta, aproximei 800 para 805.

Logo, 805 – 14 = 791 de altitude.

Portanto, a amplitude altimétrica da bacia hidrográfica do Rio da Dona é igual a 791.

Densidade de drenagem (Dd).

Entendendo que, a densidade de drenagem (Dd) se expressa em: Dd = Lt / A (onde Lt é comprimento de todos os canais e A é a área da bacia).

Temos então, a Densidade de drenagem (Dd) da bacia hidrográfica do Rio da Dona → Dd = Lt / A→ Dd = 917 / 816 → Dd = 1.1237745 → aproximando temos, Dd = 1.124.

Logo, a bacia hidrográfica do Rio da Dona é de densidade baixa (baixa densidade / drenagem), porque o valor encontrado foi 1.124, isto é, Dd = 1.124 aproximadamente, foi bem menor que 7.5

Pois, a bacia que tiver densidade de drenagem até 7.5 é considerada de baixa densidade e, a bacia que tiver densidade de drenagem acima de 7.5 e até 10, é considerada de média densidade. Já a bacia que tiver densidade de drenagem a cima de 10, é considerado de alta densidade hídrica.

Densidade de rios (Dh).

Compreendendo que, a densidade de rios se expressa pela fórmula: Dh = m / A (onde m é o número de canais de primeira ordem e A é a área da bacia)

Observa-se que a densidade de rios (Dh) da bacia hidrográfica do Rio da Dona é igual a 0.40 aproximadamente.

Pois, Dh = m / A → Dh = 326 / 816 = 0.3995098, que aproximando temos Dh = 0.40

Índice de forma (K).

Entendendo que o índice de forma (K) se expressa pela a fórmula, K = P / 2.2√¶. A (onde P é igual ao perímetro da bacia). E, quanto mais próximo a 1,0 mais circular é a bacia.

Logo, K = P/2.2√¶.A K = 195 / 2 x 68 K = 195 / 136 K = 1.4338235, que aproximando, K = 1.4338, isto é, K = 1.4

Então, a bacia hidrográfica do Rio da Dona, está um pouco longe de 1.0, sendo, portanto, pouquíssimo circular, se aparentando mais como um retângulo.

Índice de circularidade (IC).

O índice de circularidade de uma bacia hidrográfica, se expressa pela fórmula IC = A / AC (onde AC é a área de um círculo de mesmo perímetro que a bacia).

Pois, P = 2. Π . R Sendo que o maior valor poderá ser igual a 1.0

E, AC = π . R2

Logo: AC = π . R2

→ 816 = π . R2

816 = 3.14. x R2

→ 816 = 2 x 3.14 x R Ou, IC = 816 / 816 → IC = 1.0

→ 2 x 3.14 x R = 816

→ 6.28 x R = 816

→ R = 816 / 6.28

→ R = 129. 9363 que, aproximando fica R = 130

Daí, IC = A / AC → 816 / 130 = 6.276923 que, aproximando IC = 6.3

DESCRIÇÃO PESSOAL

Com base nas características das informações obtidas, tanto da reprodução da bacia hidrográfica do Rio da Dona no papel vegetal (delimitação da bacia hidrográfica), quanto das confecções do mapa base (perfis transversais: alto curso, médio curso e, baixo curso; e o perfil longitudinal), assim como, nas realizações dos cálculos dos parâmetros morfométricos, pois mesmo não tendo reambulação (ida ao campo, para confirmar os dados obtidos), sei como é organizado o sistema hídrico da bacia do Rio da Dona. Afinando então, meus saberes sobre o conceito de Bacia Hidrográfica, porque apreendi a entendê-la e, avaliá-la como produto de uma totalidade, integrada com outras engrenagens naturais ou antrópicas. Daí, reconstruindo meu paradigma sobre recursos hidrológicos do Estado da Bahia e, por conseguinte, do Brasil e do mundo.

Nesse sentido, entendi melhor as tendências hídricas do canal principais do Rio da Dona, reconhecendo vários distritos e povoadas vizinhos (isto é, logradouros que fazem fronteiras com o Rio da Dona). Pois eu sei, que os rios transportam sedimentos (aluviões) durante seus percursos, formando então, terraços, tendo também, vários níveis de base, até chegar ao nível de base final, isto é, o mar.

Contudo, descrevo que o seguinte trabalho da disciplina Hidrografia revela experiências que saem dos conhecimentos superficiais da própria Hidrografia, sendo bastante enriquecedora e, desse modo, esclarecedora para a disciplina estudada e, sobretudo, outros conhecimentos como: Cartografia, Geomorfologia, Pedologia / Geoquímica, Biogeografia, Paleontologia, Climatologia, Geologia e outras ciências afins.

CONCLUSÃO

Ao observar a bacia Hidrográfica do Rio da Dona como um componente equilibrado por fatores do espaço geográfico ratifico que, assim como, todos os seres vivos, o rio nasce, crescem e morre, temos então, o Rio da Dona diagnostificado como em fase de crescimento, porém já perto de seu ápice hidrológico.

Deixando claro, que o Rio da Dona é um rio que possui alto, médio e baixo curso e, seu canal principal é de um rio perene, tendo no alto curso, sua nascente perto das Serras do Oiti, da Pioneira, do Monte Cruzeiro e, da Serra da Água Branca respectivamente.

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