OS NOVOS PARADIGMAS TECNOLÓGICOS DO TRABALHO

Autor – Prof. Esp. Daniel Antonio de O. Carneiro

Graduado em ciencias biologicas.

Especialista em Educação de Jovens e Adultos.

Professor da rede estadual de educação.

Projetista pela Brasil Essencial.

A introdução de novas tecnologias desencadeou uma série de efeitos sociais que afetaram os trabalhadores e sua organização. Esses efeitos, que se pode chamar de “impactos sociais”, repercutiram nos processos de trabalho, na qualificação da força de trabalho, nas próprias condições de trabalho, na saúde do trabalhador e conseqüentemente nas políticas de ocupação, afetando diretamente a questão do emprego. O uso de novas tecnologias trouxe a diminuição do trabalho necessário que se traduz na economia líquida do tempo de trabalho, uma vez que, com a presença da automação microeletrônica, começou a ocorrer a diminuição dos coletivos operários e uma mudança na organização dos processos de trabalho.  A análise acerca dos impactos sociais na indústria de transformação, no pólo metal-mecânico do Nordeste do Rio Grande do Sul, aponta para uma série de modificações nos processos de trabalho, decorrentes da alteração no paradigma industrial fordista nos anos noventa do século XX e reflete as mudanças organizacionais derivadas da introdução das novas tecnologias.

Essa economia do tempo de trabalho levou ao chamado “desemprego tecnológico”; que é justificado por muitos autores como uma melhor otimização dos recursos humanos nos processos produtivos do capital variável. Mas será que realmente pode ser interpretado apenas pelo lado do capital como forma de mais-valia relativa?

Tal justificativa é explicada através do paradigma industrial e tecnológico, no modo de acumulação flexível, adotado a partir dos anos oitenta, pelo uso da força de trabalho polivalente, ágil, multifuncional com fins de dar consistência a esse modelo que se baseia na economia de escopo, sustentada na demanda. A flexibilidade e a polivalência são elementos condicionantes desse padrão de produção, rompendo com o modelo fordista que caracterizava a força de trabalho pela sua especialidade, devido à linearidade de seu sistema. A rigidez do fordismo é substituída pela idéia de flexibilidade e pela polivalência que o trabalhador deve desempenhar no uso de suas funções. O operário que anteriormente controlava apenas uma máquina ou uma operação de uma máquina, passa a ser responsável por uma ou várias máquinas que executam diversas operações e que muitas vezes pode ser operacionalizada no próprio escritório. Esse dado reflete que a economia líquida do tempo de trabalho ocorre e que essa circunstância é um fator do desemprego tecnológico, apesar de não ser o único.

Nos países avançados, o desemprego tecnológico é minimizado por planos de desenvolvimento e reorganização social, nos quais, apesar do uso de novas tecnologias, são mantidos os níveis de emprego. Porém existe uma discussão contínua promovida pelos seus sindicatos, conforme afirma Falabella (apud NEDER,1988,p.15-16) no que diz respeito à diminuição ou ao desaparecimento de seus coletivos de trabalho, “sobre o flagelo do desemprego e a concorrência  entre os jovens treinados para lidar com a nova tecnologia e os operários  especializados de meia-idade”.

Já nos países não avançados, como o Brasil, as discussões normalmente não ocorrem e quando acontecem têm fins socialmente estabelecidos pelas classes hegemônicas, defendendo seus principais interesses políticos. Dessa maneira, precisa-se começar a discutir a possibilidade de políticas que girem em torno de medidas reivindicatórias, que permitam ao trabalhador ter conhecimento daquilo que pode ocorrer consigo, à medida que é afastado do processo de trabalho pelas causas decorrentes dessas novas exigências mercantis do modo de acumulação, de suas potencialidades frente à recolocação no mercado como meio de enfrentar o desemprego tecnológico.

Essas medidas não podem ser avaliadas, sem serem questionados os aspectos que concernem às questões econômico-estruturais, que envolvem aumento da produção e da demanda; de investimentos nas áreas produtivas, nas condições de trabalho, nos planos de ocupação, de emprego e do uso de novas tecnologias. Certamente essas discussões afetam a “ordem social”, pois questionam regras, leis, padrões de consumo, de produção, novas incorporações de categorias ao mercado de trabalho, relação campo-cidade, uma nova divisão do trabalho entre grupos, uma nova estrutura da própria família, uma escola funcional, uma diferente visão de espaço e de utilização de energias naturais e respeito à natureza. Esses poderiam ser bons motivos para se discutir o futuro de uma sociedade que começa a ser ameaçada pelo uso excessivo de máquinas e que tem claros os impactos imediatos dessas políticas tecnológicas que são usadas na competição econômica, sem preparar a população para as suas conseqüências.