Os personagens das Grandes Guerras

A maior parte dos participantes da Primeira Guerra Mundial consideravam-na a solução de todos os problemas. A euforia em frente a batalha, que todos julgavam que seria rápida e eficaz, logo dissipou-se diante das atrocidades e do fim de uma era que se esvaia, a Era Vitoriana. Dentro desse contexto, surgia uma nova potencia mundial, os EUA, que se erguia sob o papel de fornecedora de bens primários do velho mundo que nesse momento estava totalmente voltado para o campo de batalha. Após o conflito, a Europa se achava arruinada econômica, social e politicamente. A frustração era evidente na sociedade.

Os Estados Unidos então, de fornecedor de alimentos e manufaturas, surge nesse momento como potência mundial, passando de devedores a credores dentro da economia mundial. A Europa se reconstruiu através do dinheiro americano, tanto o Eixo como os Aliados dependiam nesse momento do percussor da democracia liberal.

Na sociedade, as mudanças ocorridas no pós- guerra  afetou o modo de vida europeu, estes se tornaram rancorosos e deprimidos. Na  América a transformação se deu  no avanço tecnológico que ia de bens domésticos a altos edifícios que se erguiam , juntamente com seu crescimento demográfico. A indústria do entretenimento (rádio e cinema principalmente) se desenvolveu. A arte buscava liberdade de expressão no cinema, que passa nesse instante a ditar o modo de vida.

Esse crescimento trouxe euforia social, deixando em segundo plano os perigos que essa elevada taxa de crescimento poderia trazer a todos. A Europa se reconstruía e os EUA produzia mais do que gastava o que ocasionou a quebra da bolsa de Nova Yorque em 1929. A crise atingiu todo o mundo. As conseqüências no âmbito político também se espalhou pelo planeta, desemprego e manifestos se tornaram uma constante. Alguns movimentos políticos surgiam como “salvadores” dos pesarosos. Partidos socialistas (que defendia a propriedade coletiva) e fascistas (que pregavam o autoriatarismo e repressão aos agitadores) encontravam apoio em uma sociedade abalada.

O cinema era nesse instante o “refresco” perante ao desespero. A industria do cigarro e da bebida lucrou com o malogro alheio. Essa era a “Era do Ouro do cinema” mais também era  a “Era do Ouro da Crise”. As pessoas eram raptadas pelo desenrolar dos acontecimentos, os sentimentos das pessoas iam de uma extremo a outro, e o cinema retratava esses por meio de mensagens e da imagem, tornando-se o veículo de massa de grande importância na difusão ideológica dos EUA, líder na indústria do período entre-guerras ,e mostrava quão frágeis eram as alianças.

A música se adequou aos novos rumos. Em meio a tristeza , dançar jazz torna-se uma válvula de escape. As mulheres adquiriram uma certa liberdade que se mostrava através do vestuário e de novos comportamentos.

Um mundo bipartido se erigia. Com o fracasso da conhecida democracia liberal os indivíduos se apegavam ao comunismo ou ao fascismo, motivados pela espera de dias melhores. O medo de uma nova guerra fez com que déspotas como Hitler ganhasse forças. O extremo nacionalismo Alemão era decorrente da frustração da Grande Guerra, para esse perdida. Em 1933 o nazismo se impõe como ditadura, introduzindo uma nova concepção de mundo: Um estado totalitário guiado por um chefe anti-semita e infalível. E o nazismo era composto de um partido único,uma sociedade fanática e uma polícia arbitrária. Os inimigos, fossem eles ideológicos ou raciais (judeus) eram suprimidos para que houvesse uma “higienificação” na Alemanha. Assim o país se recuperou economicamente e o nazismo se consolidou como sistema político.

A principal e mais comentada atitude nazista era o racismo que levou muitos a acreditarem pertencer a uma raça superior, a ariana. Com a missão de “embelezar” o mundo era justificável que se “eliminasse” a “sujeira” que impedia que o ápice de perfeição humana fosse atingido. Assim era justificável que deficientes, ciganos, homossexuais e judeus fossem  exterminados. Essa “limpeza” ficou conhecida como Holocausto. Os judeus, maiores vítimas, representavam o empecilho para que o povo alemão alcançasse a perfeição da raça.  Eles foram perseguidos, excluídos da administração, do ensino, do jornalismo etc. Perderam também direitos civis e o acesso a lugares públicos. Suas casas e sinagogas foram destruídas e suas mortes viraram uma rotina na Alemanha nazista.

A modernidade e seus aparatos aumentou de forma exponencial o alcance do holocausto. O estado burocrático e moderno foi de grande valia no decorrer do genocídio. Assim sendo o holocausto foi uma conseqüência da modernidade.

Hitler , como artista frustrado que era, soube também utilizar a arte a favor do nazismo. A arte” moderna” era vista como degenerada, relacionada a “sujeira” e ao comunismo russo. Estas distorciam a “normalidade” e representava “tudo de ruim” da sociedade como as deformações físicas.

Na Península Ibérica , mais precisamente na Espanha, uma guerra civil estourava e tinha como motivo a disputa de forças entre o fascismo nacionalista (igreja, exército, latifúndio) e a esquerda popular ( partidos esquerdistas,democratas e sindicatos). A primeira lutava para uma volta ao tradicionalismo espanhol, onde o país não mais estaria sob influência comunista e da franco-maçonaria, e voltaria a ser católica e autoritária. A esquerda combatia o fascismo que se espalhava pelo mundo.A frente esquerdista venceu as eleições e os indivíduos suspeitos de conspiração foram enviados para longe de Madri. O país se afundou em greves, desemprego, moeda desvalorizada e violência. O subsidio estatal da Igreja foi eliminado. Os “canalleristas” reivindicavam a nacionalização da terra e a dissolução do exército, da guarda cível e das ordens religiosas, confiscando propriedades.

O combate envolveu interesses dos países que disputavam a hegemonia do mundo. Alemanha e Itália defendia a direita fascista enquanto a União Soviética apoiava a esquerda. A Guerra se tornou ao mesmo tempo um acontecimento civil espanhol e um ponto de disputa de forças entre os países que se envolveram na Segunda Guerra Mundial.

Assim, o caos mundial causado pela Primeira Guerra teve que ser organizado por uma Segunda Guerra. A trégua forçada do período entre-guerras deixou claro em suas entrelinhas que um novo conflito era evidente. As nações vencedoras foram durante todo esse período revanchistas. Os vencidos arcaram com o ônus da guerra e não conseguiam vencer seus problemas econômicos e sociais. Os estados fascistas (Itália) e nazistas (Alemanha) implantaram um estado militarista e expansionista referendados em um forte nacionalismo. A “paz forçada” que se materializava em tratados de paz impostos por vencedores só foram obedecidos enquanto a França era potencia militar européia. Com a Alemanha se impondo militarmente, a revisão dos tratados caminhou para o novo conflito e a vontade de Hitler de se firmar hegemonicamente através do nazismo colocou-se como primordial para o novo conflito, fazendo com que este preparasse o combate.As “sedes” de poder imperialistas também tiveram papel fundamental para que ocorresse o mesmo. O mundo disputava matéria-prima barata e mercado para vender sua produção e investir dinheiro.

A ofensiva foi a principal característica da Segunda Guerra Mundial. Foi uma guerra maquinaria entre Estados e dentro dos mesmos. A industria foi determinante para o resultado do combate. No fim do conflito a destruição estava por toda a Europa. Mais pobreza, desorganização e crises se instalaram no velho mundo. Os vencedores deste conflito, EUA e URSS, tornaram-se potências mundiais e fizeram com que as relações planetárias se dividissem bipolarmente.

O pós-Segunda Guerra teve como característica o crescimento produtivo de paíse desenvolvidos. A reconstrução Européia e Japonesa, a Guerra Fria e a descolonização são marcas do período assim como a supremacia americana. Os regimes totalitários foram rejeitados de forma unânime. O mundo tornou-se ao mesmo tempo mudancista e conservador em suas realações.