Pascal e a Liberdade Interior

Resumo:

Através da presente pesquisa aprenderemos com o Filósofo, Moralista, Físico, Matemático e Teólogo francês Blaise Pascal que independentemente de quem somos ou possuímos, todos temos uma “Guerra Interior” entre nossos defeitos e virtudes. Percebe-se que na atualidade existe certo mal estar que é o reflexo da não aceitação de si, das nossas falhas e acertos. É preciso compreender antes de tudo que sempre é tempo de recomeçar. Que pontos positivos e negativos são constituintes de nosso ser e devem ser encarados como obstáculos a serem vencidos e não desviar-se deles. Afinal de contas, “errar é humano” e acertar também.

Numa viagem pelo Artigo VI da obra Pensamentos de Pascal encontraremos algumas reflexões interessantes para tal dilema.

Palavras- chave: Pascal – Pensamentos – Liberdade Interior.

Artigo:

Blaise Pascal um dos grandes nomes da Filosofia trás em sua obra Pensées (Pensamentos) – mais precisamente no Artigo VI intitulado Os Filósofos – a questão da importância do pensamento.

No numero 346, Pascal chega a dizer que “o pensamento faz a grandeza do homem” e logo mais a frente no numero 365 diz que  “ toda a dignidade do homem  está no pensamento”. E realmente o pensamneto – e talvez mais com o sentido de conciência –  nos faça realmente “grandes” ou seja melhores.

O interessante é que esta melhoria não é algo abstrato nem muito menos que se deva ficar estagnada. Pelo contrário deve-se sempre estar em constante aperfeiçoamento. “Daí é que é preciso nos elevar-mos … Trabalhemos pois, para bem pensar …” recomenda (nº 347). Tal conselho é compreensível, tanto na época de Pascal como nos nossos dias e enquanto perdurar a vida humana neste planeta. Sempre haverão pessoas atadas a grilhões interiores que os sufocam em manias e vícios.

O bem pensar e o reto agir são formas de se sobressair diante da multidão que se acomoda e acha obviamente natural que as coisas são como elas são. O desafio está em nadar contra esta correnteza para ser diferente. A diversidade de pensamento é o que torna uma sociedade mais justa e nelhor para se viver. É preciso ressaltar ainda que esta diversidade deve estar permeada por justiça, sinceridade, verdade. Para guiar a sociedade por um caminho progressista e saudável. Não para aniquilar a história passada mas aperfeiçoa – la  respeitando cada época com sua forma própria de pensar. Deste modo não chegamos a cometer o erro que os Estóicos alertavam, segundo Pascal: “Os Estóicos afirmavam: todos os que se acham em um alto nível de sabedoria são igualmente loucos e vicíados…” (nº 360). O Pensamento requer purificação de pré-conceitos com a finalidade do “eu também aprender”. Afinal, também a vaidade intelectual  seria um problema, um vicío  segundo Blaise Pascal.

Na contemporaneidade existe uma tendência de sufocamento dos nossos defeitos.  Percebemos isso em empresas, nos esportes, na moda etc. Esse abafamento está sempre camuflado com a suposta “intenção” de superar-se a si próprio. Caso não fosse assim não haveriam tantos casos de doping, anorexia e stress , que tornaram-se as “doenças do momento”.

Segundo Pascal no pensamento 397, “ reconhecer-se miserável é tornar-se sábio”. Em primeiro lugar porque é um gesto de humildade, se notar limitado, imperfeito. E depois, a apartir do momento que torno-me consciênte de minhas “misérias”, também sinto-me impelido a solidariedade aos outros e suas imperfeições. Visto que saberei por aproximação o que se passa no coração das pessoas.

Não ser o mais rapido, nem o habilidoso e nem o mais bonito não quer dizer que o “eu” é pior do que o “tu”. Todos temos as mesmas possibilidades de atingir os mesmos objetivos o que vai nos diferenciar é o grau de aplicação que pomos no processo para atingir a meta. E principalmente se preparar, ter conciência para imprevistos como o “consegui” e o “falhei”.

Outro fator importante – diga-se de passagem – é que Blaise indica a “luta” contra as “paixões”. Não para aniquilá-las, pois sua existência dentro em nós é fundamental para “sempre estarmos divididos e contrários a si mesmos” (nº 412). Deste modo estaremos sempre alertas para uma constante melhoria de nossa personalidade. Em outras palavras um eterno auto exame de consciência.

Possuir defeitos não deve-se nunca ser observado como algo estritamente ruim, pelo contrário, é sinal de que algo precisa ainda ser mudado. É sinal de que a Criação ou a evolução ainda não terminou e precisa ainda se fazer melhor. Porém desta vez depende de nós. É de fato enchermo-nos de consciência de quem realmente somos e isto é ser sábio para Pascal.

No pensamento 418, o autor alerta-nos que é preciso sempre mostrar a “grandeza” do homem, mostrar também seus pontos negativos. Fazer o homem esquecer-se de suas limitações é muito arriscado, adverte.  “Mas é muito vantajoso representar-lhe ambas”, conclui o Filosofo.

Enfim, Pascal nos ensina o caminho para a liberdade interior. Conscientes de si mesmos e aceitando tudo o que em nós há de bom ou ruim e principalmente procurando “amadurecer” é que estaremos mais à vontade no meio social sem medo de errar e ser feliz.

Referência Bibliográfica:

  • MILLIET, Sérgio. Blaise Pascal: Pensamentos. Coleção os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

Referência Virtual:

  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Blaise_Pascal