Perdôa-nos, Juliana!!!

Por alguns instantes fiquei paralizado diante daquelas fisionomias abatidas, a tristeza de ambos contagiava quem os via, mesmo que numa reportagem de jornal. Bárbara Galvão Lisboa, 31 anos, e Fábio Machado da Costa, de 37 anos, seguravam a foto da filinha Juliana, morta aos 4 anos de idade, de meningite menigocócica, em 18.12.2007, no Hospital Unimed, em Petrópolis/RJ. Juliana começou passar mal a 4 dias anteriores, as 11 horas da manhã de 14.02.2007 foi levada as pressas pelos pais ao Hospital Municipal Dr: Nelson de Sá Earp, HMNSE, mas não tinha pediatra, deram-lhe alguns comprimidos para febres e dores e liberaram Juliana para voltar para casa, no dia seguinte a menina passou mal novamente, levaram-a ao mesmo hospital onde voltou a ser superficialmente examinada, novos comprimidos de Doril e outra vez Juliana é liberada para voltar para casa. No próximo dia Juliana foi levada novamente ao HMNSE com 35 graus de febre, dessa vez atendida por uma pediatra. Consciente, dessas profissionais que dignificam a Medicina, indignada porque Juliana deveria ter sido internada na primeira vez em que foi levada ao hospital, a médica transferiu-a para o Hospital Unimed, este, melhor equipado e com melhores profissionais. Internada as 1:20 horas da madrugada, as 3 horas a menina teve uma parada cardíaca, as 6 horas da manhã teve outra, a qual não resistiu e perdemos nossa Juliana, seus orgãos estavam sendo invadidos pelas bactérias da doença enquanto os médicos do Hospital Municipal Dr: Nelson de Sá Earp fingiam que a examinavam.

Na outra dimensão, Juliana, talvez voce esteja me ouvindo, enquanto viva foste uma menina linda e inteligente, não consegui conter algumas lágrimas diante dos olhos tristes dos seus pais segurando sua foto, sepultada no dia anterior, pobres, provávelmente foram recebidos com a costumeira desfaçatez no HMNSE. Manipulada segundo interesses político-eleitoreiros, a administração pública hospitalar se transformou numa cabide de empregos, subserviente a esses interesses, os inconsequentes apadrinhados políticos, alguns deles profissionais de saúde, continuam matando, todos os dias, milhares de Julianas, Marias, Josés…de todas as idades. Dentro do humanamente possível tentei, minha amiguinha, fazer alguma coisa para que sua morte não fosse em vão, escrevi para jornais, emissoras de rádio, televisão, escrevi para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, nos Estados Unidos, mas…ninguém deu a mínima atenção aos olhos tristes dos teus pais. Quando voce foi morta faltava poucos dias para as eleições municipais em todo Brasil, os politiqueiros de sempre precisavam aparecer, sorridentes, na imprensa nacional imponentes nos seus pedestais de presunções e soberbias, seguidos por séquitos de bajuladores, numa apoteótica divinização da arrogância e da insensatez, inclusive teus assassinos, Juliana, alguns segurando nos braços crianças inocentes iguais a voce. “Do Povo emana o Poder”, mas esse povo, a maioria, está preocupado com o desempenho, ou a falta de, do seu time favorito, com a novela no horário nobre, o chopinho no final de semana ou outra forma qualquer de escapismo e/ou entorpecimento cívico moral.

Ensina-nos a História que em todos os momentos de transição social prevaleceu os extremos de opiniões, e que foi justamente o predomínio de alguns desses extremos que permitiu a sociedade encontrar novos rumos. No Mundo contemporrâneo, sem diretrizes bastante claras, interessa ao sistema o conformismo do Povo até que os detentores do Poder encontrem alternativas que sastifaçam  múltiplos e egoísticos  interesses de uma nebulosa e confusa sociedade globalizada. O erro do sistema foi o exagêro no processo de idiotização das massas, atualmente passivos diante do barbarismo de todas as formas, opressores e oprimidos se debatem no mesmo labirinto, alguns optando pela sordidez e ironias baratas, outros, apáticos, se conformam com a desordem e com o caos social. O Criador Onipotente, Onipresente e Onisciente, em algun momento irá intervir para corrigir os erros de suas criaturas, enquanto simples mortal não estou contestando determinações Divinas, mas a sua, Juliana, para o entendimento humano, foi uma morte estúpida, consequência da vulgaridade de pseudos seres humanos, alguns com mandatos para, esperava-se…zelar pelo bem-estar do Povo e preservar a Soberania da nossa Pátria.

Escrito originalmente em 06.04.2009 em outro site, obra de um autor do qual não tenho autorização para divulgar o nome, trancrevo aqui Perdôa-nos Juliana na íntegra, na expectativa de estar colaborando para uma melhor conscientização política em nosso País. Alertando também para a responsabilidade, individual e coletiva, no momento de escolhermos nossos governantes.

DESCANSE EM PAZ, MINHA AMIGUINA JULIANA!!!!