PORCENTAGEM DE GORDURA E DE FREQÜÊNCIA CARDÍACA EM PRATICANTES DO ESPORTE PETECA


Ludmilla de Souza  Santana

Marco Aurélio F. Carvalhaes

Marília Aguiar. J. de Amorim

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Resumo: Registros históricos indicam que o jogo da peteca era utilizado pelos nativos como forma de recreação muito antes dos colonizadores portugueses chegarem ao Brasil. Em 1985, o Conselho Nacional de Desporto reconhece jogo da peteca como esporte. O esporte peteca é um jogo predominantemente aeróbico, quando praticado regularmente torna-se um importante componente de aptidão física, promovendo uma melhora na atividade do coração e dos pulmões durante um longo período, a prática freqüente dessa modalidade esportiva traz melhoras no condicionamento físico e diminui o percentual de gordura, reduzindo assim vários fatores de risco para a incidência de doenças cardiovasculares.

Palavras Chaves: Esporte peteca, aptidão física e condicionamento físico.

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INTRODUÇÃO

Vivemos em uma sociedade a qual a maior parte da população leva uma vida quase sedentária devido às facilidades trazidas pela tecnologia, na qual os cidadãos utilizam carros, ônibus ou motos para se deslocarem e se mantêm sentados ao longo do dia, assim não praticando atividades físicas.

Com a falta da atividade física e a má alimentação, a população está sujeita ao aumento da gordura corporal e de doenças cardiovasculares. Assim, devemos adotar métodos para melhorar nossa qualidade de vida e, sobretudo, adotarmos um programa de atividade física para compensar o tempo que ficamos semi-estáticos no dia a dia. Entre várias modalidades esportivas, está a Peteca. Esporte predominantemente aeróbio que ajuda na melhoria da capacidade cardiorespiratória.

Os indígenas brasileiros praticavam como forma de descontração, entretenimento, diversão e recreação um jogo semelhante ao de peteca, onde se golpeava o brinquedo peteca, feito de penas de aves e palha de milho, com as palmas das mãos. Através de nossos antepassados, a peteca, como recreação, se espalhou por todo o território brasileiro (PEREIRA, JÚNIOR, 1996).

Durante a prática do esporte, o “petequeiro” experimenta vários níveis de intensidade. O organismo ajusta-se, por meio do aumento das funções fisiológicas, para suprir as exigências do jogo. Baseado nessas modificações em especial na freqüência cardíaca (FC) obtém-se importantes informações para estabelecer a intensidade de um treinamento e o estado de aptidão física em que se encontra o praticante.

Contata-se que a prática da peteca por parte de um praticante que apresente quantidade elevada de gordura corporal, prejudica o desempenho do jogador, vez que sua constituição corpórea limita algumas potencialidades motoras proporcionadas pelo esporte peteca. A composição corporal constitui um instrumento potencial para avaliarmos criteriosamente a atividade com vista à melhoria do desempenho físico e da saúde.

Desta forma, este artigo tem como objetivo analisar a porcentagem média de gordura e FC dos praticantes do esporte peteca considerando as variações de cada organismo (idade, sexo, genética).

HISTÓRIA DA PETECA

Registros no passado mostraram que a peteca, como recreação, era praticada pelos nativos brasileiros, mesmo antes da chegada dos portugueses. Conseqüentemente, nossos antepassados, através de sucessivas gerações, também a praticaram, fazendo chegar essa recreação indígena a todo o território brasileiro. O aprimoramento dessa recreação deu-se em 1920, e é atribuída aos nadadores olímpicos da delegação brasileira que participavam da V Olimpíada, que utilizavam a chamada ‘peteca esticada ou rebatida’ como aquecimento (BORGES; PROCÓPIO, 1980).

A força da peteca em Minas Gerais levou-a para fora de suas fronteiras, indo se instalar, primeiramente, no Distrito Federal, onde é largamente praticada nos principais clubes de Brasília. Depois, foi difundida em Goiás, espalhando-se por todo o interior e cresce constantemente. Em São Paulo, o Clube Pinheiros foi o pioneiro na prática do esporte, sendo responsável pela sua expansão no Estado, chegando-se a grandes agremiações como o Corinthians, Portuguesa e muitos outros. No Rio de Janeiro, ela vem sendo jogada em alguns clubes do Rio e de Niterói. No Paraná, já é expressivo o jogo de peteca, sobretudo, em Curitiba, Cascavel e Maringá (PEREIRA, JÚNIOR, 1996).

Finalmente, sendo o esporte praticado em todos os Estados da União, fazia-se necessário oficializá-lo e, em seguida codificar suas regras, de modo a evitar as dúvidas na interpretação do jogo. Em 27 de agosto de 1985, o Conselho Nacional de Desporto (CND) reconhece o jogo de peteca como esporte.

Com a evolução das regras e o número crescente de praticantes, o esporte tomou dimensões e organização, onde surgiram as federalizações. A pioneira foi a Federação Mineira, que rapidamente tomou dimensões e protocolou a primeira regra oficial a ser seguida de peteca no Brasil (DAIUTO, 1961).

REGRAS DO JOGO DE PETECA

De acordo com BORGES e PROCÓPIO (1980), as regras do jogo estão definidas da seguinte maneira:

1 – Da quadra

A quadra deverá ser de 15,00 metros por 7,50 metros para o jogo de duplas e de 15,00 metros por 5,50 metros para o jogo de individual.

O piso da quadra deverá ter uma superfície ligeiramente áspera e uniforme, a fim de facilitar a movimentação dos atletas.

2 – Regra – Da Rede (dimensões e Acessórios)

As dimensões da rede deverão ser de 7,60 metros de comprimento por 0,60 metros de largura e, os quadrados de malha medindo 0,04m por 0,04m, tecida de nylon ou material similar. A altura padrão é de 2,43 metros para a categoria masculina e 2,24 metros para a categoria feminina.

3 – Da Peteca (dimensões, peso e material)

O diâmetro da base da peteca deverá ter de 0,050 metros a 0,052 metros. A altura da peteca será de 0,20 metros, incluindo as penas. O peso é de 40 a 42 gramas.

4 – Do Jogo (sets e pontuação)

Todos os jogos são disputados em melhor de 03 sets, ou seja, 02 sets vencedores.

Cada set terá tempo limite de 20 minutos cronometrados de peteca em jogo, ou 12 (doze) pontos com tomada de saque. Os pontos serão assinalados pelo arbitro principal e seus auxiliares. O pedido de tempo é por solicitação da equipe, o árbitro principal poderá conceder uma interrupção de jogo, com a máxima duração de 30 (trinta) segundos, quando a peteca estiver fora de jogo. Cada equipe poderá pedir, no máximo, 04 (quatro) tempos em cada jogo.

Nas situações imprevistas, a critério do árbitro, o jogo poderá ser interrompido e o e o ponto em disputa será reiniciado, sendo o saque pertencente à equipe detentora da última tomada, com direito aos segundos restantes do tempo de 30 (trinta) segundos.

Quando o jogo for interrompido e a paralisação for inferior a 30 (trinta) minutos, o jogo terá seqüência normal, mantendo-se os resultados até ali registrados. Quando o jogo for interrompido e não puder ser reiniciado dentro de 30 (trinta) minutos, no máximo, caberá a comissão técnica, marcar nova data, local e horário para o seu reinicio, prevalecendo os resultados do set e/ou sets jogados no ato da paralisação, recomeçando o set em disputa com o placar de 0x0.

BENEFÍCIOS DO JOGO DA PETECA

O jogo de peteca é um esporte predominantemente aeróbico que proporciona a flexibilidade das articulações, agilidade dos movimentos, amplia a capacidade respiratória, aumenta os reflexos e desenvolve a destreza.

A medida que cada jogador pratica o esporte, a sua aptidão física vai melhorando. O seu condicionamento físico aumenta e ele consegue realizar maior esforço sem cansar-se. A sua musculatura se desenvolve de modo que ele passa a ser capaz de realizar facilmente e em maior velocidade movimentos que antes não conseguia. Os seus músculos vão, também, ficando mais flexíveis e ele consegue manter o equilíbrio mesmo nos movimentos mais difíceis (BORGES; PROCÓPIO, 1980). Desta forma, a capacidade física do jogador aumenta cada vez mais, sendo capaz de executar movimentos mais difíceis e de maneira mais rápida.

FORMAÇÃO E DEGRADAÇÃO DA GORDURA CORPORAL

O tecido gorduroso é um tipo especial de tecido conjuntivo, modificado para permitir o armazenamento da gordura neutra, que se localiza na região subcutânea, entre os músculos. (GUYTON, 1988).

A maior parte da gordura é transportada no sangue, de um ponto para outro do corpo, sob forma de ácidos graxos livres (FOX, 1991).

Os tecidos gordurosos representam um mecanismo para o armazenamento da energia derivada do excesso de carboidratos e proteínas, bem como das gorduras ingeridas. Sempre que a glicose disponível estiver muito reduzida, o corpo, de forma automática, transfere seu sistema metabólico para extrair energia das gorduras.

FOX, (1991), declara que a gordura depositada no adipócito (células que armazenam