Reabilitação do paciente com AVC

Reabilitação do paciente com acidente vascular cerebral(avc)

Elaine studart vieira-fonoaudiólogo(crfa 5665)

Programas intensivos de reabilitação são eficazes para reduzir o grau de acometimento funcional e de incapacidade residual.

Nosso país apresenta-se ainda despreparado para responder aos desafios gerados pelo envelhecimento progressivo da população.há,portanto ,uma grande deficiência em serviços e recursos hoje fundamentais para o paciente que sofreu um avc.existem poucos hospitais-dia,centros comunitários de lazer e atividade,casas de repouso para curta permanência,auxílio doméstico e facilidades de transporte e circulação para o paciente com limitações variadas.muitas vezes ,portanto,as soluções para os incontáveis problemas e dificuldades enfrentados pelos pacientes e suas famílias só poderão ser equacionadas parcialmente,com muita criatividade e,principalmente,grande dedicação de todas as partes envolvidas,inclusive equipes de saúde.

Mesmo na ausência de tratamentos específicos e sofisticados,o cuidado integrado e especializado salva vidas e reduz a morbidade resultante de um avc,sem aumento significativo de custos.

Mas o que condiciona a evolução de um paciente após o avc?

  1. O grau de fraqueza.
  2. Alguns tipos de déficits,como disfunção cognitiva.seu reconhecimento e tratamento precoces podem melhorar o prognóstico.
  3. A incapacidade de caminhar e o descontrole esfincteriano,após um período de reabilitação intensiva,sinalizam os pacientes com pior prognóstico.

A equipe de cuidado ao paciente com avc deve incluir:médicos,enfermeiros,fisioterapeuta,terapeuta ocupacional,fonoaudiólogo e assistente social.

O programa de reabilitação deve ser iniciado,geralmente,logo após a estabilização clínica do paciente.o atraso no início pode ter consequências funcionais graves.

à medida que a condição neurológica se estabiliza,um programa individualizado de reabilitação,com participação crescente do próprio paciente e sua família na determinação das prioridades,deve ser estabelecido.

A disfagia ocorre de 25 a 30 % dos pacientes na fase aguda do avc.aspiração pode ocorrer em avc de qualquer tipo ou localização,mas é mais comum em pacientes com sinais neurológicos bilaterais.as manifestações principais:tosse,febre intermitente,traqueobronquite,atelectasia,pneumonia,empiemia e abscesso pulmonar.

Disfagia deve ser diferenciada de apraxia bucolinguofacial(da deglutição e da mastigação).o exame mais confiável para detectar broncoaspiração é a videofluoroscopia com bário,mas este exame não é prático para uso rotineiro,e envolve algum risco .testes no leito,como avaliação da deglutição de água ou de alimentos pastosos são amplamente utilizados,mas não substituem a avaliação fonoaudiológica completa.

A ênfase costuma ser sobre exercícios orais para melhorar a função labial e da língua e a adução das cordas vocais.deve-se estruturar o ambiente(evitando distração e conversas) e checar sempre a presença de resíduos alimentares após cada refeição.a alimentação oral geralmente inicia-se com a administração de alimentos semi-sólidos ,com aumento progressivo de sua consistência.gastrostomia raramente é necessária,alimentação nasoenteralcomumente.

Alterações cognitivas,perceptivas e de comportamento são muito comuns após avc.deve-se lembrar que a maioria dos pacientes é idosa.as principais manifestações do estado confusional são:desatenção;pensamento desorganizado;perturbação de memória;desorientação temporo-espacial e alterações no sono.

Percepção é a maneira pela qual se interpreta ou integra toda a informação que chega ao cérebro a maneira como se vê e apreende o mundo a sua volta.as principais alterações após avc ,muitas apenas detectáveis com avaliação especializada,são:

  1. Apraxia
  2. Agnosia
  3. Negação e negligência
  4. Conceitos alterados de imagem ou esquema corporal
  5. Desorientação esquerda-direita
  6. Dificuldade de distinção figura e fundo
  7. Distorção visoespacial
  8. Alteração do sequenciamento
  9. Distúrbio do conceito de tempo

10.  Distúrbio do ciclo sono-vigília

11.  Perseveração

12.  Incapacidade de localização auditiva

13.  Dislexia

A participação da família é fundamental para estruturar adequadamente o ambiente e aumentar o número de horas de treinamento.

Também o riso e o choro não motivados(“emocionalismo”)são comuns ,ocorrendo em episósios espontâneos ou desencadeados por frases e pensamentos.

O termo afasia designa uma variedade de alterações da linguagem.na avaliação fonoaudiológica será realizado uma análise das dificuldades exibidas por cada paciente é fundamental para determinar a melhor estratégia de tratamento.a avaliação global leva em conta problemas adicionais(nível cognitivo);e deve ainda ,determinar as possibilidades residuais de comunicação do paciente e fazer estimativas razoáveis da provável evolução do problema.

A intervenção fonoaudiológica pode levar a uma recuperação maior que a prevista pela evolução espontânea após o avc.intervenções intensivas (sessões diárias)são necessárias para obter maior benefício.mesmo pacientes com afasia global podem melhorar com tratamento apropriado.

O neurologista deve estar familiarizado com os princípios da avaliação e do tratamento das dificuldades linguísticas e articulatórias após o avc.

Em geral,a participação de familiares e de outros membros da equipe de reabilitação no tratamento da afasia deve ser estimulada,principalmente por manter elevada a motivação do paciente e aumentar o número de horas de reabilitação.