Seleção Brasileira – O estrategista Dunga

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Seleção convocada, Dunga satisfeito e a torcida nem tanto. Mas o que significa na prática, a coerência, tão propalada pelo técnico? Significa compromisso com um projeto, com um planejamento, com um método de trabalho. Evidente que cada brasileiro, apaixonado que é pelo futebol, tem sua escalação, seus preferidos e discute inclusive tática futebolística com qualquer técnico, se caso tiver oportunidade. Somos grandes estrategistas também. E ser coerente é ser estrategista. Nos artigos “A arte da estratégia 1” e “A arte da estratégia 2” abordamos o tema, mas evidentemente sem a pretensão de esgotar a discussão, pois isso seria impossível. Como não a encerramos, aproveito para narrar aqui mais uma estória. Um senhor vivia sozinho em sua casa, grande, quintal espaçoso e uma frente ampla, mas necessitada de uma geral, que há muito não acontecia devido a escassez da “verba” após a prisão do filho. Ele queria muito revitalizar pelo menos o jardim, afinal de contas ficava na frente da casa. Porém era muita terra a ser virada antes do plantio das flores, um trabalho muito pesado. As mudas das rosas não seriam problema, no quintal havia de sobra. Seu único filho, que o ajudava ou pagava pela execução da trabalhosa tarefa, estava preso. Solitário e na esperança de arrumar uma companheira, apostaria na beleza e perfume das flores que poderiam voltar a enfeitar o enorme jardim. Ele então refletiu… e escreveu ao filho a seguinte carta. “Querido Filho, estou triste, pois não vou poder plantar meu jardim este ano. Detesto não poder fazê-lo, porque sua mãe gostava tanto das flores, se lembra? E esta é a época certa para o plantio. Mas eu estou velho demais para cavar a terra. Se você estivesse aqui, eu não teria esse problema, mas sei que você não pode me ajudar, pois está aí na prisão. Com amor e saudade, seu pai.” Pouco depois, o pai recebeu o seguinte telegrama: “Pelo amor de Deus! Pai, não escave o jardim! Foi lá que eu escondi tudo.” Como as correspondências eram monitoradas na prisão, às quatro da manhã do dia seguinte, uma dúzia de policiais apareceu e cavou o jardim inteiro, sem encontrar nada. Confuso, o velho escreveu uma carta para o filho contando o que acontecera e esta foi a resposta: “Pode plantar seu jardim agora, amado Pai. Isso foi o máximo que eu pude fazer no momento.” A estratégia e coerência do técnico da seleção canarinho foi valorizar os jogadores que entenderam que existe um comando. Chamou quem entendeu que vestir a camisa da equipe deve ser motivo de orgulho para todos que tiverem oportunidade. Particularmente teria convocado pelo menos meia dúzia de jogadores diferentes. Penso que representariam melhor o Brasil na Copa da África, e certamente você também faria uma lista diferente. Mas, Dunga apostou na “sua coerência” e chamou quem ele achou que aproveitou as oportunidades nas convocações anteriores demonstrando comprometimento, orgulho e acima de tudo espírito de coletividade. Não há como negarmos que esses fatores devem ser considerados, afinal de contas o próprio nome já diz tudo, time. Na Gestão, utilizamos muito a expressão “ter a equipe na mão”, que significa ter a liderança e a gerência legitimada e reconhecida pelo grupo. Somente assim é possível uma Gestão de sucesso, com resultados satisfatórios. O técnico da Seleção Brasileira, sem dúvida é um Gestor, portanto deve agir como tal. A estratégia de Dunga foi chamar jogadores nos quais ele confia plenamente, que não questionarão sua liderança nem criarão problemas. Estratégia é tudo, mas não é sinônimo de sucesso garantido. Mas a falta dela é fracasso certo.

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