Sustentabilidade: a palavra de uma nova ordem

SUSTENTABILIDADE: a palavra de uma nova ordem!

É fácil quebrar uma flecha. Difícil é quebrar um feixe delas.

Provérbio japonês

Sustentabilidade é a palavra de uma nova ordem, uma nova visão de mundo.  Utilizada ad nauseam nos meios de comunicação e na sociedade em geral, seu significado ainda é pouco compreendido por ser algo novo, inédito e por ter um enfoque transversal e abrangente em quase todas as áreas das ciências humanas. Isso fez que essa causa inspiradora ainda não se disseminasse de forma a criar uma massa crítica de líderes a defendê-la.

Para deixar mais claro o conceito desse neologismo, pode-se definir sustentabilidade como a criação e a disponibilização para a sociedade de alicerces econômicos, sociais e ambientais perenes, que possam ser usufruídos de forma justa e igualitária por todas as gerações atuais e futuras, originárias de qualquer classe social, credo ou cultura.

Sustentabilidade é construir alicerces sólidos e perenes em todos os ângulos sociais. É buscar o equilíbrio, ao fazer as coisas certas, da maneira certa, com perspectiva de longo prazo no uso dos recursos globais. Deve-se ter visão holística do fenômeno em observação e levar em conta os impactos econômicos, sociais e ambientais envolvidos junto aos stakeholders, para produzir bens e serviços duradouros.

Para ocorrer a sustentabilidade plena, faz-se necessário o alinhamento dos três setores da economia: o primeiro setor, o poder público (governos), detém o poder, mas com pouca eficácia; o segundo setor, o poder privado (empresas), possui o capital mas lhe falta por vezes a credibilidade; e o terceiro setor (ONGs) tem ideias,

mas parcos recursos financeiros. Ações articuladas, planejadas e pactuadas em âmbito local entre todos os setores da sociedade criam a sinergia de um processo de governança que potencializa as habilidades, os conhecimentos e as experiências de todos os setores envolvidos, para melhorar a qualidade de vida e o convívio social.

O conceito de desenvolvimento sustentável expandiu-se a partir da inclusão de questões sociais e apoia-se na integração equilibrada e indissociável de três segmentos: sociais, ambientais e econômicos. Constitui-se, portanto, um tripé, conhecido como triple-bottom line, ou tripé da sustentabilidade, conceito criado pelo consultor inglês John Elkington, em 1994. A justaposição é indissociável e produz o território do desenvolvimento sustentável.

Caso haja enfoque somente em equidade social e conservação ambiental, a economia não se desenvolve. O foco voltado exclusivamente para a conservação ambiental e a eficiência econômica provoca pobreza e desigualdade social.

Investimentos concentrados em eficiência econômica e equidade social geram degradação ambiental. A convergência de esforços nas três áreas de forma simultânea  e equilibrada produz o desenvolvimento sustentável. Este é o território doce, o nirvana da ecoeficiência, o céu de brigadeiro, a zona de conforto dos gestores de sucesso, a área na qual as organizações adotam práticas mais seguras, produtivas e responsivas em busca de liderança e longevidade.

Desenvolvimento sustentável é um processo contínuo de aprimorar as condições de vida, ao mesmo tempo que se minimiza a utilização de recursos naturais, de modo a causar o mínimo de distúrbios e desequilíbrios nos ecossistemas.

Instituições e comunidades só se tornam perenes se o balanço de suas atividades nas esferas econômica, social e ambiental forem sustentáveis. Para isso, devem romper barreiras e paradigmas e construir uma nova forma de perenizar-se. Comportamentos extrativistas, em que predomina a concupiscência, já não são mais viáveis, em virtude das limitações dos recursos naturais.

O mundo deve praticar sustentabilidade em todas as suas vertentes, construir bases seguras e sólidas para que o lar da espécie humana seja preservado para as futuras gerações. Cabe a nós, atuais moradores do ainda paraíso Terra a responsabilidade de lançar as flechas que irão sustentar qualidade de vida e bem estar para as próximas gerações.