A História dos Calçados no Século XX

1900 a 1909

Nos primeiros anos do século XX, todas as atenções e preocupações estão voltadas ao progresso, uma vez que este traz um modo de vida inédito e “Moderno”, traz também uma grande revolução cultural e social.

Este período é chamado freqüentemente a “Era de Edwardian”, que faz referência ao rei Edward VII, o sucessor de Rainha Victoria. A sofisticação estética clássica deste período foi conhecida como “Belle Epoque” ou “Idade Bonita”.

  • Paris era o centro mundial da moda;
  • Picasso estava em seus períodos azuis e rosas;
  • Santos-Dumont e os irmãos Wright, faziam história de aviação;
  • São Francisco nos Estados Unidos foi devastado por um terremoto em 1906;
  • Fotografia alcançada o auge no primeiro filme narrativo;
  • É lançado O Grande Assalto ao Trem (1903).

As mulheres inspiram-se no ideal de beleza de “Gibson Girl”, popularizado pelos desenhos de caneta tinteiro do artista Charles Dana Gibson de sua esposa Irene, jovem, muito bonita, sempre bem vestida e elegante, com uma cintura minúscula e penteados altos em seus cabelos. Ela também gostou de andar de bicicleta, enquanto exibia um espírito independente, completamente moderno. Para ter uma cintura minúscula, as mulheres passavam por imensas torturas proporcionadas pelos espartilhos.

Como todas as atenções do início da década estavam voltadas à parte superior do corpo, isto fez com que as pessoas desenvolvessem uma atração por pés estreitos, acreditando-se que isso era sinal de inteligência. Algumas mulheres chegaram ao absurdo de terem seus dedos menores removidos, para alcançar “os pés narrower”.

Durante o dia os calçados mais utilizados eram as botas, já à noite os modelos eram mais diversificados, tendo como destaque o scarpin de salto baixo estilo Luiz XV. Estes recebiam adornos frenqüentes como: Aplicações, bordados com fios metálicos, pedraria e outros.

As botas destinadas ao uso noturno, bem como as das crianças, eram confeccionadas de materiais macios como cetim, além de fitas, tiras e carreiras de botões que embelezavam as canelas.

Os sapateiros eram muito requisitados durante esse período, muitas pessoas tinham apenas um par de sapatos, principalmente os homens, os quais um par de sapatos durava anos. Com a implementação da Revolução Industrial, surgem às indústrias calçadistas que logo ampliaram a produção, tornando os preços mais acessíveis e facilitando assim, a aquisição de calçados pelas camadas menos favorecidas, Em um curto espaço de tempo, somente os ricos poderiam dispor de calçados feitos sob encomenda.

1910 a 1919

Primeira Guerra Mundial definitivamente foi o evento mais dramático da década, mas vários outros fatos importantes marcaram este período:

  • Movimento pelo voto das mulheres;
  • A grande epidemia de Gripe de 1918;
  • Profundas mudanças na sociedade americana;
  • O Titanic afundou na viagem inicial em 1912;
  • O movimento Arts & Crafts de Lloyd Wright Honesto;
  • O Cinema Mudo consagra estrelas como Charlie Chaplin e Mary Pickford.

As feministas decretam o fim dos espartilhos, estes foram substituídos por vestidos que assumem dimensões menores e inteiras, as saias imitavam saias de “harém” do Oriente Médio, ou seja, de comprimento até os tornozelos. Paul Poiret estilista de grande destaque, influenciado pelas tendências Orientais foi duramente criticado. Algumas saias eram tão estreitas que era quase impossível mover.

Os calçados e as meias, também ficaram mais exóticos e coloridos, Poiret influencia Perugia, que cria uma coleção com estilo Oriental, enfeitadas com jóias.

A Grande Guerra (1914 a 1918) mudou a vida das pessoas de modo dramático. Homens foram lutar na Europa e as mulheres passam a integrar os quadros de funcionários das indústrias, necessitando de calçados mais práticos e confortáveis.

Como parte dos esforços de guerra, as coleções de calçados e vestuário são encorajadas a serem menos frívolas. O vestir e o calçar ficaram mais utilitários e com um ar masculinizado, logo os comprimentos dos vestidos e saias começam a subir devido à escassez de tecido que toma o marcado devido à guerra. Até mesmo os teatros mais tradicionais, declaram opcionais ou desnecessários os trajes de gala.

Os calçados dos homens e mulheres ainda continuavam bastante semelhantes, as botas atadas sobre as pernas voltam à moda.

Neste momento aumenta bastante a variedades de materiais utilizadas na confecção dos calçados, inclusive couros misturados a telas coloridas ou gabardine para forma aspectos de tons harmonizados, alguns couros foram invertidos para formar camurças e suedes, os enfeites ficavam a cargo de fivelas removíveis em aço, filigree prateados, diamante e marcasite.

Com o fim da guerra a moda sofre uma drástica mudança, a roupa esporte começa a se popularizar e logo passou a ser incorporada no cotidiano. Nos Estados Unidos com o desenvolvimento da borracha, desenvolveu-se o primeiro tênis, chamado de “Keds” em 1917.

Neste momento as indústrias inicializaram a produção de todos os estilos de calçados, portanto a moda calçadista nunca mais seria a mesma.

1920 a 1929

Devido a inúmeras mortes de jovens durante a guerra, criou-se um culto a adolescência que lhes atribuiu uma liberdade antes nunca permitida, o que os permitiu acompanhar:

  • A proliferação do “jazz” devido a influência Afro-Americana;
  • O desenvolvimento de meios de comunicação de massa;
  • O direto feminino ao voto;
  • O uso da maquiagem;
  • Era considerado divertido fumar.

Clara Bow, Louise Brooks, Rudolf Valentino e Josephine Baker eram estrelas populares do tempo, os quais personificavam muitos dos ideais modernos.

O movimento “Art Déco” influencia diretamente nas estampas e no corte geométrico.

No vestuário, as saias encurtam e chegam a seu ápice em 1927, sendo que as jovens esforçavam-se para exibir os joelhos, algo inimaginável e angustiante para os antepassados provenientes dos tempos Vitorianos. Algumas jovens chegavam a aplicar ruge nos joelhos sob as meias-calças, para assim simularem colegiais rebeldes.

Ainda sob a influência do “Art Déco”, os estilos elegantes de Madeleine Vionnet e Coco Chanel influenciariam para sempre a moda. Chanel cria o “tailleur”, simplificando o visual feminino com o pretinho básico e cabelos curtos, tendo como referências do vestuário masculino. Cria também os calçados “brogue” inglês, bicolores com salto para mulheres e ainda cria também, o desenho de um calçado aberto no calcanhar que se torna um “clássico” o calçado modelo “chanel”. Ela escolhe e desenha biqueiras em tons escuros nos calçados claros, utilizando cores a flor da pele diminuindo assim a proporção dos pés.

A aristocracia européia se estabelece, os novos burgueses europeus e os novos-ricos americanos passam a exigem diversidade de modelos, com isso a produção em massa desenvolve-se, originando novas tecnologias e materiais sintéticos que logo são incorporados na fabricação destes calçados. No entanto, a produção artesanal de calçados não é abandonada e a alta-costura do calçado sob medida sobrevive.

Tecidos brilhantes, enfeites metálicos e couros brilhantes tingidos criavam alguns dos calçados mais excitantes já vistos. Vários outros requintados materiais são incorporados na fabricação destes calçados como: Ricos brocados, cetim, seda, veludos, fios metálicos e bordados. Os saltos de sapatos eram freqüentemente obras de arte em eles.

Os pés tornam-se o foco da moda. O Charleston influencia diretamente os calçados, pois a dança exigia um calçado com boa estabilidade, sendo ele fechado e seu salto baixo.

Os calçados têm as seguintes características: Modelo boneca, bicos arredondados, fechamentos em botões, bicolores, laços e peles como ornamentos, os saltos são grossos e baixos, explora-se o contraste entre as texturas, brilho versus opaco.

Sobre a base do “decolletée”, no clássico “scarpin”, colocam-se saltos mais altos e com desenhos mais diversificados, a produção em escala chega aos calçados, mas a produção artesanal não é abandonada, a alta-costura em calçados sob medida sobrevive.
Os novos estilistas criam uma nova era para o calçado, reinventam formas e transformam o calçado em objeto de desejo. Chanel, Poiret, Dior e Schiaparelli são nomes importantes e responsáveis por estas transformações.

1930 a 1939

O crash da Bolsa de Valores de New York em 1929, que resultou na “Grande Depressão” afetando todo o mundo. Na Europa o interesse pelo comunismo vinha ganhando espaço e Hitler estava se preparando para vir assombrar o mundo novamente.

No cinema é rompido o silêncio com a chegada do cinema falado, trazendo consigo as estrela como: Jean Harlow, Greta Garbo, Fred Astaire, e os Marx Brothers que proveram um repouso a tristeza.

O glamour de Hollywood ajudou atenuar um pouco os problemas econômicos e políticos, mas devido às estes problemas houve a escassez de muitas matérias-primas entre elas o couro e a borracha, obrigando a busca de novos materiais.

O surgimento do movimento surrealista vem por fim as influências do “Déco” na moda. Surgindo daí uma propensão aos dramas e fantasias, elem de impressões exóticas e com certos ares orientais.

A moda estava renovada, leve e fresca sob pesada influência de Madeleine Vionnet e pelas quebras de preconceitos. Tecidos para os trajes noturnos eram luxuosos, drapejados lindíssimos, brilhos e peles completavam um belíssimo visual. A diva do cinema Jean Harlow, simboliza o sonho com vestidos longos e decotados.

Porém muitos viveram tempos difíceis com orçamentos bem apertados. O vestuário passou a ter um único propósito, o de vestir. Tendo um guarda roupa bem reduzido e muito bem aproveitado, é neste momento que as mulheres passam a utilizar calças compridas sendo estas reconhecidas como o casual.

Esta década experimentou todas as cores possíveis na época desde as sombrias como castanho, preto, marrom e marinho, inclusive o rosa pink utilizado por Elsa Schiaparelli.

Os estilistas fazem experiências na moda calçadista, criando as plataformas que fazem sua estréia em pleno século XX. Criados por Salvatore Ferragamo e André Perugia, estas plataformas foram criadas em madeira, cortiça e outros materiais. Devido à escassez de couro e borracha, tiveram que adotar materiais até então considerados ordinários na fabricação de calçados, como a ráfia, o celofane, o crochê e o plástico.

Ferragamo é sem dúvida o nome de destaque, pois é ele o responsável pela introdução do uso interno do aço para suportar o arco do pé (alma de aço), possibilitando a utilização de saltos altos.

1940 a 1949

Todas as atenções e pensamentos estão voltados para a Segunda Grande Guerra, até mesmo Hollywood seria afetada, com seus filmes e propagandas impulsionando moralmente os serviços militares. Algumas de suas estrelas eram transportadas junto aos militares, ou mesmo eram levadas para entretê-los, a menina de Pin-Up se tornou um fenômeno, milhares de soldados aclamaram por fotografias de Betty Grable, cujo estúdio de cinema teve as pernas dela asseguradas por U$1 milhão.

A moda incluiu uma silhueta austera, o estilo militar com os tailleurs retos, quadris estreitos, ombros largos, sutiã com bojo para avolumar os seios, chapéus de todos os estilos, bolsas grandes e sapatos pesados. As saias eram mais curtas, com pregas finas ou franzidas, as calças compridas invadem definitivamente o guarda-roupa feminino.

O vestuário do proletariado torna-se comum a todas as classes, uma vez que mulheres de todas as posições sociais unem-se para contribuírem nos esforços de guerra. Elas assumiram o controle das casas, e ainda partiram para ocupar os postos de trabalhos deixados pelos maridos e outros parentes que partiram para a guerra. Barreiras de classe caíram e as pessoas vestiram de forma simples e muito parecida. Essa forma simples de vestir-se em tempos de escassez, passou a ser visto com bons olhos e considerado chique.

É nesta época que surge o chamado “ready-to-wear” (pronto para usar), que é a forma de produzir roupas de qualidade em grande escala.

Os estilistas tiveram que se desdobrarem e serem muito criativos, chegando a criarem máscaras de gás graciosamente decoradas para serem utilizadas com trajes de gala.

A utilização do couro foi restringida ao uso militar, forçando os estilistas que se desdobrarem e serem muito criativos, então passam a incorporar nos calçados varias tipos de materiais antes não utilizados como: Peles de répteis, cortiça, solados de madeira presos por grampos, os ornamentos foram mantidos um mínimo necessário. Algumas mulheres chegaram a utilizar alguns utensílios domésticos para decorarem seus sapatos de festas como o celofane e outros.

Tudo era reciclado, enquanto criava-se a campanha com o tema “Make Do & Mend”. A escassez de tecidos fez com que as mulheres tivessem de reformar as suas roupas e utilizar materiais alternativos na época, como a viscose e as fibras sintéticas. O nylon e a seda escasseavam, fazendo com que as meia-calças desaparecessem do mercado e fossem trocadas pelas meias soquetes ou pelas pernas nuas, revistas e salões de beleza ajudavam oferecendo dicas de como simular a utilização destas meia-calças pitando uma costura na parte de trás das pernas e utilizando maquiagem nas pernas a fim de deixá-las com uma tonalidade igual ou próxima as das meia-calças. Algo pouco prático como um ritual contínuo.

Fábricas de bens de consumo foram transformadas em fábricas de produção militar. Esses esforços de guerra impunham várias limitações e regras tais como altura máxima do salto do calçados em uma polegada e apenas seis cores.

Em 1947, Christian Dior lançou o “New Look”, que era, basicamente, composto por saias amplas quase até os tornozelos, cinturas bem marcadas e ombros naturais. Era a volta da mulher feminina e elegante.

1950 a 1959

Os aliados saem vitoriosos de uma amarga. As televisões começam a invadir as residências e os programas “Eu Amo Lucy” e “Recém Casados” refletem os ideais deste novo tempo. As estrelas como Marilyn Monroe, Brigitte Bardot, e Elvis Presley introduziu sex appeal em uma sociedade bastante conservadora.

Consumismo se tornou um passatempo popular nos anos 50, como o “boom” do pós-guerra proveu um senso de otimismo econômico. Novos dispositivos e produtos proclamaram o futuro e libertaram muitas mulheres de tarefas domésticas bastante árduas. Os serviços domésticos não pareciam tão ruins quando se tinha fogões elétricos, aspiradores de pó e refrigeradores.

As mulheres poderiam concentrar seus esforços em ter uma casa confortável para as famílias e ainda sobrava tempo para ter uma vida fora da cozinha, como reuniões constantes para churrascos, coquetéis e outros eventos sociais.

A reconstrução da Europa durante o pós-guerra foi um dos grandes incentivadores do consumo de moda, trazendo a volta do estilo glamoroso com saias amplas e tomara-que-caia. O “New Look” de Christian Dior influenciou moda, bem como a elegância conservadora de Coco Chanel. A camiseta ganha status com James Dean e Marlon Brando.

Os adolescentes novamente eram o foco. Filmes como “Rebelde sem uma Causa” influenciavam o modo de vestir dos adolescentes. A cultura Beatnik inspiradas por autores como Jack Kerouac, estava em evidência. A jaqueta de couro, a calça Levi’s e os tênis ajudam a compor o “look”. As famosas saias poodle, juto aos rabos-de-cavalo, tênis coloridos com aspectos envelhecidos, sandálias, sapatilhas e outros calçados casuais entravam em evidência devido às crescentes atividades ao ar livre a as festas a beira das piscinas.

Nos calçados os bicos redondos, as plataformas em madeira recobertas de couro dominam, até que Charles Jourdan lançou o salto agulha em 1951, o famoso “stiletto” e junto aos bicos finos alongados deixaram os calçados femininos muito delicados, por conseqüência, decretando o fim dos calçados mais robustos de anteriormente. Grandes nomes elaboram propostas para este novo tipo de calçado, surgem variedades de formas e materiais, além da utilização de uma enorme gama de cores, mas sem dúvida, foi da interlocução entre Christian Dior e seu colaborador Roger Vivier, que originaram o conceito de vestir os pés e alongar as pernas, uma vez que o calçado se transforma em uma continuação da perna. Perugia, Ferragamo e Jacques Fath, são nomes importantes neste período e através do trabalho destes estilistas elaboram-se novas formas, bicos, desenhos de salto e proporções para os calçados nesta década.

1960 a 1969

A década de 60 teve um inicio bastante modesto, mas muitas mudanças viriam, os conflitos e divergências vinham crescendo, embora boa parte da população vivesse tempos felizes. Jackie Kennedy era uma enorme celebridade, afamada por sua gentileza e por sua elegância, marcada pelos clássicos ternos de Chanel.

A década é marcada pela emancipação da mulher com a invenção da pílula anticoncepcional, além do “boom” econômico que é percebido pelo grande e rápido desenvolvimento de estilos.

O movimento dos Direitos Civis estava preparando-se, bem como o movimento “Rippie”. Música, literatura e arte sofreram grandes mudanças. Os Beatles, Bob Dylan, Motown e Andy Warhollogo viraram ídolos de uma sociedade que clamava por mudanças.

As pessoas tinham sede de liberdade social e auto-expressão. O estilo fashion dos Kennedy que há pouco era modelo para todos, logo foi descartada, abrindo possibilidades para novos experimentos e novos estilistas como Mary Quant, muito conhecida como introdutora da míni-saia, vestido bem curtos apresentados com botas longas e justas, utilizando também estampas geométricas, todos estes muito utilizados pela modelo Twiggy. Surgiam também o Biquíni e o jeans.

Com o interesse crescente pela lua e a ascensão da NASA, os looks especiais influenciariam a moda que adotou materiais futuristas. Enquanto alguns estilistas olhavam para o futuro, outros buscavam inspirações em culturas antepassadas. Depois do êxito do movimento rippie a moda exigiu formas mais orgânicas e confortáveis para todos os ambientes.

Yves Saint Laurent, o “enfant prodige” da alta-costura e aluno de Dior, veste as mulheres com uma forte e dinâmica sensualidade, saltos mais baixos e bicos arredondados, sendo que os calçados refletiram a experimentação excessiva de cores cítricas e dos arco-íris, textura, forma e estilo. Os materiais evoluíram o conforto, a maciez, as condições de impermeabilidade, a transpiração e os acabamentos destacaram-se nas indústrias do setor. A atriz Audrey Hepburn difundiu a “ballerina”, famoso sapato baixo de bico arredondado. Neste momento o “mocassim” preto inspirado nos estudantes de Oxford aparece e domina o gosto dos rapazes.

1970 a 1979

Os anos 70 foram tempos intensamente tumultuosos onde podemos destacar:

  • As diversidades de culturas e subcultutas;
  • O cinismo aflorou com a militância feminista;
  • Os direitos civis;
  • O escândalo de Watergate;
  • A guerra do Vietnã.

A cultura jovem é predominante, a violência dos jovens da década anterior abre caminho para uma cultura da não-violência, cuja ideologia pregava um mundo sem guerra, baseado em vida comunitária com estreita ligação com a natureza, onde a filosofia oriental foi difundida, em paralelo a isto, a era disco propõe roupas práticas para o dia e sexy para a noite. A TV ocupa o lugar do cinema e seriados como “As Panteras” e outros ditam os modismos.
Ícones culturais como “Mulher Maravilha” criaram o interesse por botas, que podiam ser utilizadas com calças justas ou saias curtas.

Em muitos casos a maneira de vestir-se era utilizada para chocar, sem dúvida o movimento “Punk” e o “Glam” levaram isto ao extremo. Muitas peças do vestuário foram inspiradas em motivos folclóricos e étnicos, houve também uma larga utilização das cores e as extravagâncias reinaram.

Estas influências deram para os estilistas muita munição e o público estava ansioso para a mais recente onda da moda. Os estilistas então puderam experimentar e extravasar nas criações dos calçados, onde estrelas como Elton John, David Bowie e Cher, foram adeptos a estas novas criações.

Estilistas como Biba, Ossie Clark e Yves St. Laurent buscaram inspirações históricas na década de 40 e em outros séculos passados.
Os calçados foram levados as alturas através das novas plataformas e saltos que chegaram a alcançar cerca de 20 cm. As botas utilizavam materiais brilhantes, texturas, desenhos psicodélicos ou florais, mas eles raramente eram enfadonhos. Outros estilos de calçados foram utilizados nesta época como os chinelos, as sandálias e botas de cowboy ou patchwork, entre os materiais mais utilizados estavam os vernizes com muitos brilhos e cores contrastantes, além da ráfia, juta, couros com acabamentos naturais com cores neutras, os saltos baixos ou altos, mas sempre grossos, os bicos geralmente arredondados.

O filme “Embalos de Sábado a Noite”, impulsionou a era “Disco”, embora esta tenha durado pouco tempo, foi tão intensa que virou um símbolo da década.

Ainda nesta década aconteceu a influência das atividades esportivas. O culto à forma física elege o tênis como calçado popular e é grande o desenvolvimento tanto quantitativo quanto qualitativo deste produto, sedo que em 1972, surge a Nike. As primeiras grifes se destacam como: Fiorucc e Benetton e se difunde o estilo unisex.

1980 a 1989

Os excessos foram sem dúvida a marca dos anos 80. Seriados de TV como Dallas e Dynasty, exibiam seus personagens com uso excessivo de jóias, deixando muitos espectadores fascinados.

Com a ascensão dos ”Yuppies”, o poder era o negócio, isso deu origem ao consumismo desenfreado e muitos proclamavam o amor as indulgências e investiam orgulhosamente na aparência e consumiam muitas grifes de luxo. Estas grifes e estilistas em parcerias com os profissionais de comunicação se apresentaram para conhecer as necessidades e demandas destes novos consumidores e de posse destas informações passaram sugerir e ditar a moda e difundiram a cultura das lojas de departamentos. O novo estilista passou a ser um personagem das relações sociais, das crônicas da vida contemporânea e um capricho da vida cosmopolita. Abre-se a porta para o fashion show.

É ainda neste momento que surgem o termo “Top Model”, simbolizadas por Cláudia Schiffer, Cindy Crawford e Naomi Campbell.

As mulheres passaram a exigir alternativas aos calçados de saltos altos. Uma vez que a imagem da mulher bem poderosa e bem vestida estava ligada diretamente a eles, algumas mulheres buscaram inspirações para seu guarda-roupa, na simplicidade das roupas masculinas. Em conseqüência há isto, os calçados têm seus saltos reduzidos e as cores perdem sua vivacidade e voltaram-se aos tons escurecidos e clássicos.

Em contraste ao clima empresarial conservador, as vivacidades das cores tornaram-se a marca do “Casual” da época. Não havia nenhuma cor tímida, sejam elas primárias, cítricas ou fluorescentes. O movimento “New Wave” com as bandas e artistas como Culture Club, Boy George, Madonna e Michael Jackson encorajaram a moda com seus figurinos.

Nesta década houve dois estilos muito distintos, o maximalismo uma moda bastante extravagante de cores cítricas onde o contraste entre cores vivas eram bastante intensas, este momenta da moda dentro da década se deu em seu início e segue bastante evidente pelo menos até seus meados, onde nesta época começa a surgir outro momento o minimalismo onde a influência japonesa toma conta da cena, alguns denominam este momento como “japonismo” ou “niponismo”, onde vários estilistas japoneses se destacam, implementando novamente o conceito do pretinho básico, onde os pretos, cinzas e branco roubam a cena, tendo como seu maior símbolo no calçado o “scarpin” básico liso e preto de salto baixo ou médio.

Durante algum tempo, não se encontra mais um único estilo definido, é na busca, na descoberta, seja de caráter estético ou propriamente técnico que se prende o desenho dos calçados e peças do vestuário dos anos 80.

Neste caso o calçado não pode mais ser considerado simplesmente um acessório de moda, ele toma vida própria, os detalhes valorizam o planeta-calçado.

Foram reinventados mocassins, espadrilles, e outros estilos de calçados já existentes, utilizando-se de novas paletas de cores. As sandálias de plástico eram moldadas em vastas variedades de cores, que também foram uma grande moda passageira. Porém todos esses excessos estavam tornando-se cansativos.

É nesta década que surge a invasão da moda esportiva, os e o culto à forma física e a popularização dos tênis.

1990 a 1999

A diversidade foi o conceito fundamental nos anos 90 e sua influência é refletida muito obviamente na moda. Os indivíduos passaram a executar uma variedade de atividades diárias, as quais muitas destas atividades requeriam calçados diferentes. Botas, tênis, sandálias, chinelos, tamancos, sapatos e outros. Logo os estilos destes, não estavam limitados a poucas variações e eram comuns estas variações em todas as ocasiões.

As top models que surgiram nos anos 80 viraram ícones de beleza a serem imitados.

Companhias como Skechers, Nike e Birkenstock, tiveram muito êxito ao construírem suas marcas associando-as aos eventos sociais, atividades esportivas e consciência ecológica, originando assim uma fidelização de muitos consumidores.

Ainda no início desta década, surgiu o movimento “Grunge”, mais uma vez tem o jovem como o personagem principal, garotos e garotas passaram a utilizar calça jeans rasgada, camisa xadrez e tênis, os quais acabaram tendo uma popularização. Muitas bandas surgem e ganham destaques, como Guns n’Roses, Nirvana e Skid Roll, ainda muitos esportes radicais são associados a este movimento, sendo o “Skate” o que mais destacou-se.

Os calçados da década foram marcados pela releitura geral de estilos, formas, saltos. Valia praticamente tudo, desde que a peça ou calçado fosse coerente ao estilo do indivíduo.

Mesmo com essa releitura de todas as décadas do século XX, pode-se destacar o “revival” dos anos 50 no trabalho de Ferragamo para Dior, uma busca sensual nos sapatos em peles exóticas de Andréa Pfister, a constante busca de originalidade nos trabalho de Sergio Rossi, um certo gosto barroco em Gianni Versace, visão futurista nas coleções de Jean Paul Gautier, um refinado senso de exotismo nos trabalhos de Romeo Gigli e aparece um cidadão “hippie ou folk” para Viviane Westwood, podendo ser atribuída a ela o retorno das plataformas, que nesta época passaram a ser produzidas em PU (Poliuretano).

Século XXI

No século em que estamos (XXI), o sapato é obra do design, continua sendo objeto de beleza, que deve ser aliado ao conforto e a praticidade, a fim de agradar os gostos e necessidades dos consumidores, marcando mais uma vez uma parte da história.

Em futuro bem próximo poderemos encontrar um calçado exato para cada pé e personalidade, e se não o encontrarmos poderemos solicitá-lo e ele será fabricado em escala industrial, mas de maneira personalizada. Poderemos escolher os componentes que me melhor nos convier e poderemos participar da ação de personalizá-los.