Brasil, o país que tem 4 feiras eróticas em um ano

Em 2003 tudo era novidade. Quando falávamos de produto erótico, as pessoas enrubeciam, algumas mudavam de assunto, outras já pediam de presente de aniversário…

Este ano é o marco da imagem do mercado erótico. Mesmo sendo essa loucura de eleições, copa, etc. Teremos quatro grandes feiras eróticas num mesmo ano. Tentativas isoladas foram feitas anteriormente, mas sem resultados expressivos.

As duas edições da Erotika Fair de São Paulo desse ano cumpriram definitivamente seu papel: encheram de pedidos seus expositores e criaram um elo fiel com seu público. A Hot Fair, realizada no Rio de Janeiro no final de outubro, abriu uma nova janela de diálogo sobre erotismo com o país, vencendo finalmente o grande obstáculo moral de se realizar uma feira sensual na cidade simbolo da sensualidade no mundo.

Tanto crescimento talvez esteja aí espelhado em comentários de pessoas variadas do nosso circulo social. Como exemplos, cito minha depiladora sempre me consultando sobre novidades. A amiga de faculdade da minha mãe evangélica que é louca para ir a uma Erotika. A ex-mulher do meu pai, formada em psicologia que conta uma experiência divertida com a cosmética íntima. O amigo gay da minha irmã caçula que mostra com orgulho, numa mesa bar, uma prótese que ganhou de presente. Ou mesmo o pedreiro que vem reformar o banheiro e confessa que usa anéis penianos.

Não sei se é porque as pessoas conhecem hoje mais o produto erótico, ou se elas sempre usaram e só agora tiveram coragem de assumir pra mim que usam durante uma conversa descontraída quando comento sobre meu trabalho.

É gratificante saber que todos estão se encontrando, se conhecendo e assim poderão ter uma vida mais livre de tabus, relacionamentos mais prósperos e porque não dizer maior tempo para viver a felicidade?

Os números não nos deixa mentir. O mercado erótico brasileiro atualmente é o que mais cresce no mundo, 15% ao ano. Porque aqui temos a mistura de um povo curioso, simples, criativo, quente, afetuoso e empreendedor. Uma química perfeita para gerar fábricas de produtos inusitados e surpreendentes para o uso prazeroso de corpos e mentes ávidos por prazer.

Nosso caminho agora é descobrir como tornar esse talento duradouro e sustentável. Natural, mercado erótico é como os outros mercados: precisa de planejamento, estratégia, visão de negócio. Assim teremos além de grandes idéias, produtos e serviços que assegurem cada vez mais uma sexualidade saudável.

Rumo a última feira do nosso calendário, a Eros Fair que acontece em Gramado, um dos roteiros mais românticos do país, numa época tão familiar como o Natal, penso que todo nosso investimento pessoal no mercado sensual começa a colher outros louros além do financeiro. Conquistamos a era do conhecimento, da liberdade segura e da qualidade de vida sexual.

Ao fomentarmos feiras regionais, o mercado cresce, se desenvolve, se dialoga de forma mais aprofundada, consistente e longeva, já que para 2011, a ABEME terá a missão de organizar o calendário de forma a distribuir as feiras durante o ano, cobrindo durante todo o período, boa parte do território brasileiro. Levando informação, desmistificando o erotismo dentro de cada cultura regional. Assim, pessoas como a amiga da minha mãe (que mora em Goiânia) poderão finalmente conhecer uma feira erótica.

Daqui do sul do país, vou informando a cada dia sobre os fatos dessa nossa ultima tarefa do ano. Fechemos 2010 com chave de ouro, chocolate, foundie, vinho e muito luxo.