Diversidade: instrumento de desenvolvimento da sociedade

DIVERSIDADE: instrumento de desenvolvimento da sociedade.

Nós dois lemos a Bíblia dia e noite, mas tu lês negro onde eu leio branco
William Blake

As políticas que favorecem a inclusão e a participação de todos os cidadãos garantem a coesão social, a vitalidade da sociedade civil e a paz duradoura. O Brasil é formado por diversas cores, oriundas de todas as regiões do mundo e a combinação de diferentes povos e culturas faz parte das características da população brasileira. Possui um sistema político que proporciona liberdade individual e oportunidades de ascensão social. A Constituição brasileira de 1988 prevê: todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.

Apesar dos inúmeros avanços sociais e econômicos obtidos nos últimos anos, a cidade do Rio de Janeiro é dominada há muito tempo pelos narcotraficantes, como se fossem um poder paralelo ao Estado. A diversidade social da cidade criou as condições para o estabelecimento da engrenagem do crime: a classe média alta é o grande mercado consumidor da droga, vendida por pobres favelados, com a devida complacência das autoridades. Muitas vezes esses brasileiros não têm opção de estudar, ao mesmo tempo em que se vêem sob o domínio dos bandidos, donos dos territórios em que residem. Por falta de opções de trabalho digno, ameaças do crime organizado, medo e lucros extraordinários, passam a fazer parte dessa engrenagem ilegal, da qual raramente saem com vida.

Em países onde prevalece o poder político autocrático, como Cuba e Coréia do Norte, por exemplo, os mandatários são cultuados como verdadeiros deuses. Utilizam-se de todo aparato de poder estatal para restringir as liberdades individuais, por vezes com o uso da força; ditam as regras do modo de viver, como se toda a população fosse única, homogênea e manipulável. As pessoas ficam sufocadas em sua criatividade e vivem como bandos de animais adestrados, sem chances de, por méritos próprios, alçar vôos próprios.

Países asiáticos como a Índia, por exemplo, tem por hábito cultuar animais como entes sagrados, algo estranho para os padrões e hábitos ocidentais. O maior valor de muitas dessas sociedades está na cultura religiosa, muitas vezes de caráter extremista e fundamentalista como no Irã. Essas comunidades acabam por isolar-se do mundo,  atrasam seu desenvolvimento, mas nem por isso devem ser discriminadas por suas crenças e sim serem aceitas como são, caso entendam ser esta a melhor forma de viver.

As sociedades que tem maior desenvolvimento econômico, social e cultural têm, conseqüentemente, indivíduos mais participantes, mais cientes de seus direitos e deveres, mais atuantes, mais coesos. Quanto mais redes, grupos e movimentos sociais trocando informações e dialogando com as comunidades, mais rica, transparente, preparada e feliz é uma sociedade. Os países escandinavos como Noruega, Suécia e Finlândia, atingiram um estágio tal de desenvolvimento humano, que podem se dar ao luxo de optar por estagnar qualquer proposta de  crescimento econômico que cause dano ao seu bem estar e qualidade de vida, ora invejáveis.

Por certo, indivíduos pertencentes a classes sociais mais elevadas e que tenham recebido sólida formação moral e educacional possuem mais chances de escalar degraus mais altos em seu desenvolvimento pessoal e profissional. Isto não significa que os que nascem pobres e em ambientes que podem ser hostis à sua formação, não tenham chances de se desenvolver pessoal e profissionalmente.

Uma série de fatores influencia os caminhos do ser humano ao longo de sua vida, desde o país onde nasce, sua classe social, a educação que recebe de sua família, as características das pessoas de seu círculo de amizades, mas, principalmente, as escolhas que irá fazer ao longo de sua vida. Tudo pode influenciar de forma positiva ou negativa o futuro de alguém, mas à medida que se respeite as diferentes opções de vida de cada um, desde que dentro da legalidade, há mais chances de se obter sucesso duradouro.

O mundo globalizado e sem fronteiras deve caminhar para o entendimento das diversidades de cada povo, aprender a conviver com elas  e incorporar esse imenso cabedal de conhecimento a favor do e desenvolvimento de alternativas para uma convivência cada vez mais pacífica dos povos, em busca de qualidade de vida e paz. Deve-se apresentar ao ser humano todos os caminhos do bem para que faça as escolhas que melhor lhe aprouver, sempre respeitando e convivendo em harmonia com os que escolherem outras estradas.