Lexicologia e Lexicografia

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UNAVIDA – UVA

CURSO: Especialização em Metodologia do Ensino em Língua Portuguesa

DISCIPLINA: Princípios Básicos de Linguística e Fonética

CARGA HORÁRIA: 60h/a CRÉDITOS: 04

PROFESSORA: Maria do Socorro G. Barbosa

ALUNAS: Marcilene Batista Costa

Maria José Lindolfo da Silva

Francisca de Fátima Fernandes

Soraya Pernambuco

Maria das Graças de O. Franco da Silva

TRABALHO ACADÊMINO:

Lexicologia e Lexicografia

SEMINÁRIO

I – Introdução

As disciplinas acadêmicas relacionadas com o léxico têm recebido grande ênfase por parte dos pesquisadores nos últimos anos. Disciplinas como  Lexicologia e lexicografia têm sido integradas aos currículos de cursos de graduação em Letras nas universidades brasileiras. Pontes (1997) ressalta a importância crescente de tais disciplinas em todos os níveis da pesquisa linguística, da graduação aos cursos de doutorado.

Para Barbosa (1992), a distinção entre Lexicologia e Lexicografia, por um lado, e entre Terminologia e Terminografia, por outro, se dá em termos da dicotomia aristotélica entre επιστημη (ciência) e τεχνη (arte). Deste modo, Lexicologia e Terminologia se apresentam como saberes, ou seja, designam o processo de construção de uma forma de conhecimento, enquanto Lexicografia e Terminografia são técnicas e, portanto, referem-se à aplicação prática da ciência, “aplicação de um saber a um fazer” (BARBOSA, 1992, p. 152).

A Lexicologia se apresenta, portanto, como o ramo da Lingüística dedicado ao estudo científico do léxico. Entre as inúmeras tarefas da Lexicologia, Barbosa (1992, p. 154) aponta para a possibilidade do estudo de um “conjunto de palavras de determinado sistema, ou de um grupo de indivíduos, como universo léxico ou conjunto vocabulário”. Tal estudo pode ser empreendido a partir de uma perspectiva diacrônica, sincrônica ou pancrônica, através de um tratamento qualitativo ou quantitativo, descritivo ou aplicado. A Lexicografia, por sua vez, também toma como objeto de análise a palavra, mas a enfoca como técnica de sistematização, processamento e ordenação em forma de dicionários, vocabulários e glossários, especializados ou não. Lexicografia, então, se distinguirá da Lexicologia por ser “técnica de dicionários”, enquanto a Lexicologia é “estudo científico do léxico”.

  • Delimitação do Assunto: Tema

Lexicologia e Lexicografia

  • Justificativa (do objeto de estudo)

Dado que as disciplinas relacionadas com o estudo da linguagem mantêm um processo de “cooperação recíproca” (BARBOSA, 1992), ao mesmo tempo em que conservam sua identidade e especificidade, faz-se necessário delinear os espaços de atuação de cada uma. Por isso, devemos distinguir a lexicologia da lexicografia, disciplina que se ocupa da feitura de dicionários. Os contributos da lexicologia são, não obstante, de grande interesse para a lexicografia, e esta pode ser entendida como um ramo da lexicologia aplicada. A lexicologia tem por objetivo estudar a morfologia e a semântica lexicais, segundo Ullmann (1967.

  • Objeto Geral; objetivo específico

Ø     Fazer distinção entre Lexicologia e Lexicografia.

Ø     Neste estudo são apresentadas e discutidas as principais questões relacionadas com a caracterização da unidade lexical. Com os conhecimentos advindos da ciência linguística (Lexicologia e Lexicografia), estudar-se-á o tratamento dado ao léxico, principalmente nos dicionários.

Ø     Apresentar o panorama das concepções teóricas da Lexicologia, da Lexicografia.

Ø     Delimitar as bases e princípios de uma metodologia aplicada.

Ø     Aplicar a fundamentação teórica com vistas à Lexicografia.

  • Metodologia

Para desenvolver o trabalho, faremos uma revisão histórica sobre Lexicologia e Lexicografia, onde, nós deveremos distinguir o que é Lexicologia e Lexicografia de acordo com a Linguística em que o léxico em termos linguísticos é o que, facilmente, emerge na consciência do locutor. As Aulas expositivas serão para discussão dos temas mais polêmicos baseados em trabalhos com dados de língua escrita e oral. Como resultado, focalizaremos  exemplos relacionados aos tópicos abordados..

II – Desenvolvimento

a.                 Breve revisão do assunto (bibliografia) –

b.                 A contextualização dos estudos da linguagem pode ser evidenciada através das novas tendências no campo da pragmática e nas diversas linhas da análise do discurso. No caso do léxico, podemos dizer que esse tournou-se essencial para a caracterização de gêneros linguísticos, atos da fala, marcadores do discurso e outras unidades relativas à linguagem em uso. A Lexicologia é a disci-plina linguística que se ocupa com o estudo do léxico, nas suas diferentes estruturas. Ou seja, estuda todos os aspectos relacionados com as unidades de primeira articulação, as unidades dotadas de duas faces, significantes e significado. O léxico é o conjunto das palavras de uma língua, também chamada de lexia. As lexias são unidades de características complexas cuja organização enunciativa é interdependente, ou seja a sua textualização no tempo e no espaço obedece a certas combinações. Embora possa parecer um conjunto finito, o léxico de cada uma das línguas é tão rico e dinâmico que até mesmo o melhor dos linguísticas não seria capaz de enumerá-lo.

A Lexicografia enquanto ciência do léxico estuda as relações deste com  os outros sistemas da língua, mas sobretudo, as relações internas do próprio léxico. A Lexicologia abrange domínios como a formação de palavras, a etimologia, a criação e importância de palavras, a estatística social.

A importância do vocabulário é reconhecida por diversos estudiosos da linguagem. Para Starhl “expandir o vocabuário da criança é ensiná-la a pensar sobre o mundo”. Possuir um bom vocabulário nos ajuda a compreender melhor os outros isufluirmos da riqueza de nossa língua.

Conhecer bem como uma palavra envolve o aprofundamento de seu significado, a flexibilkidade de seu uso, a habilidade em reconhecer sinônimos, em defini-la e em usá-la de maneira expressiva.

c. Explicação do assunto e análise: natureza, funcionamento, exemplos (língua materna)

A lexicologia abrange domínios como a formação de palavras, a etimologia, a criação e importação de palavras, a estatística lexical.  De acordo com o Dicionário de Linguística escrito por Jean Dubois – Universidade de Paris-X (Nanterre), a Lexicologia significa o conjunto das unidades que forma a lingua de uma comunidade, de um locutor, de uma atividade humana. Por essa razão, esse estudo servirá de base, também, à Lexicografia que é a técnica, a tecnologia empregada para se registrar o léxico, ou seja, para se redigir um dicionário. É a disciplina linguística que se ocupa do estudo do léxico, nas suas diferentes estruturas. A lexicologia estuda todos os aspectos relacionados com as unidades de primeira articulação, ou seja, as unidades dotadas de duas faces, significante e significado.

1.Significante é a forma, a parte concreta da palavra, suas letras e seus fonemas:

Rasguei a manga da camisa.
Adoro sorvete de manga.

As duas palavras grifadas têm o mesmo significante, porém dois significados perfeitamente distintos.

2.Significado é o conteúdo, a parte abstrata. É a idéia, o conceito transmitido pela palavra:

Ele ficou pálido ao receber a notícia.
Ele ficou lívido ao receber a notícia.

As duas palavras grifadas têm o mesmo significado, porém dois significantes diferentes..

A lexicologia, enquanto ciência do léxico estuda as relações deste com os outros sistemas da língua, mas, sobretudo, as relações internas do próprio léxico.

A lexicologia abrange domínios como a formação de palavras, a etimologia, a criação e importação de palavras, a estatística lexical,  e relaciona-se necessariamente com a  fonologia, a morfologia, a sintaxe e em particular com a semântica. Neste âmbito, as relações semânticas de sinonímia, antonímia, hiponímia, hiperonímia interessam à lexicologia.

Portanto, o léxico constitui, ao lado dos fonemas e das leis combinatórias, uma característica interna de uma da língua. Através do léxico cada língua apresenta uma visão específica do mundo

Léxico (do grego lexis – palavra) pode ainda ser usado na acepção de dicionário de uma língua, ou seja, conjunto de palavras ordenado, “tesouro de palavras, disposto como está num dicionário ” (Saussure, 1986 : 305). De acordo com Mário Vilela, “o léxico é a parte da língua que primeiramente configura a realidade linguística e arquiva o saber linguístico duma comunidade” (1994 : 6). Tudo o que faz parte das vidas dos seres humanos tem um nome, nome esse que é parte integrante do léxico. O léxico abrange o saber linguístico partilhado pelos falantes e existe na sua totalidade no grupo formado pelos falantes da comunidade linguística em causa.

Morfema é a unidade linguística mínima portadora de significado, que não se pode dividir em unidades menores sem passar ao nível fonológico. Pode definir-se como constituinte imediato da palavra. Em gramática generativa é um elemento da estrutura profunda, que se opõe ao formante, elemento da estrutura de superfície.

Por exemplo:

Infelicidade – resulta da combinação de três elementos menores: o prefixo in-, o radical felic- e o sufixo -idade. Cada um desses elementos é um morfema da língua portuguesa, e nenhum deles pode ser fragmentado, do ponto de vista gramatical: sob esse ponto de vista, todos são unidades mínimas.

Cada um desses morfemas é usado para construir outras palavras.

Por exemplo, o prefixo in- ocorre também em:

  • “infeliz”, “indistinto”, “involuntário” e “insatisfeito”;
  • o tema feliz aparece também “felicidade”, “felizmente”, “infelicitar” e “felizardo”;
  • o sufixo –idade ocorre também em “velocidade”, “castidade”, “maioridade” e “habilidade”. Com isso, cada morfema carrega um significado básico ou uma função e a união deles designa, modifica ou se opõe ao significado inicial, criando novos siginificados.

Contudo, o -mente de “felizmente” é diferente: é um morfema gramatical, que desempenha a função estritamente gramatical de transformar um adjetivo em advérbio. Independentemente disso, podemos dizer que “feliz” é também um morfema livre: pode aparecer sozinho formando palavra, como acontece na palavra “feliz”.

Mas o prefixo in- e os sufixos –idade–mente são morfemas presos: eles nunca podem aparecer sozinhos, precisam sempre ligar-se a pelo menos um outro morfema no interior de uma palavra.

O morfema também pode ser ausente. Quando a ausência do morfema é significativa, a função é considerada cumprida pelo morfema zero.

2. Morfemas constitutivos da forma verbal.

a. Radical (RD). Contém a significação da palavra.

b. Vogal temática (VT). Identifica a conjugação.

A – 1a conjugação

E – 2a conjugação

I – 3a conjugação

c. Desinência modo-temporal (DMT) Identifica o modo e o tempo.

d. Desinência número-pessoal (DNP) Identifica o número e a pessoa.

3. TEMA (RD + VT).

É o radical acrescido da VOGAL TEMÁTICA. (RD)     +  (VT)  = TEMA

4. Obtenção do tema básico.

O tema básico do verbo é obtido no infinitivo.

Exemplo:

Infinitivo RD VT TEMA
AMAR AM A AMA
BATER BAT E BATE
PARTIR PART I PARTI

5. Morfemas Derivacionais

Serve para formar novas palavras com o acréscimo de afixos, ou seja, prefixos (antes do morfema lexical e eles podem alterar o sentido das palavras) e sufixos (morfema após o morfema lexical a fim de derivar novas palavras e sua função é acrescentar ao radial uma ideia secundária ou enquadrar uma palavra em outra classe grtamatical).

Exemplo:

1.    mal (adjetivo) e maldade (substantivo);

2.    Imoral (antônimo de a moral) e desonesto (antônimo de honesto)

3.    Pedra – Pedreiro;

4.    Leal – Lealdade

7. Morfema flexional

Morfema lexical de gênero: garoto – garota

Morfema lexica de número: Casas – casa

Obs: enqunato o plural é caracterizado pelo -s, o singular não apresenta nenhuma desinência específica. Essa ausência caracteriza o singular pelo morfema Ø.

6. Morfema zero.

Diz-se que é ZERO (Ø) o morfema que falta numa dada estrutura.

Exemplo:

RD   +  VT   +  DMT   + DNP  = FORMA
Fiz zero zero zero FIZ
Fal A VA zero FALAVA
Part zero zero O PARTO

Exemplo de morfemas lexicais:

1 Namorado – Namor= Morfema Lexical – ad= Morfema Derivacional Sufixal– o= Vogal Temática

2 Envolvimento – En= Morfema Derivacional Prefixal – volv= Morfema Lexical– ment= Morfema Derivacional Sufixal – o= Vogal Temática

3 Bandoleira – Bando= Morfema Lexical – leir= Morfema Derivacional Sufixal– a= Morfema Flexional de Gênero

4 Decidida – Decidid= Morfema Lexical – Morfema Derivacional Sufixal – a= Morfema Flexional de Gênero

5 Aflição – Afli= Morfema Lexical – çã= Morfema Derivacional Sufixal – o= Vogal Temática

6 Pretendentes – Pretend= Morfema Lexical – ent= Morfema Derivacional Sufixal – e= Vogal Temática – s= Morfema Flexional de Número

7 Padaria – Padar= Morfema Lexical – i= Morfema Derivacional Sufixal – a= Vogal Temática

8 Infelicidade – In= Morfema Derivacional Prefixal – felic= Morfema Sufixal –idad= Morfema Derivacional Sufixal – e= Vogal Temática

9 Gargalhada – Garg= Morfema Lexical – alhad= Morfema derivacional Sufixal – a= Vogal Temática

10 Interplanetário – Inter= Morfema Derivacional Prefixal – planet= Morfema Lexical – ári= Morfema Derivacional Sufixal – o= Vogal Temática

11 Agarrado – A= Morfema Derivacional Prefixal – garr= Morfema Lexical –a=Vogal Temática-– do= Morfema Modo-temporal

12 Abobalhados – A= Morfema Derivacional Prefixal – bob= Morfema Lexical– alh= Morfema Derivacional Sufixal – ad= Morfema Derivacional Sufixal – a= Vogal Temática – s= Morfema Flexional de Número

13 Redescobre – Re= Morfema Derivacional Prefixal – des= Morfema Derivacional Prefixal – cobr= Morfema Lexical– e= Morfema Flexional de Pessoa

14 Enluarados – En= Morfema Derivacional Prefixal – lua= Morfema Lexical –r= Morfema Derivacional Sufixal – ad= Morfema Derivacional Prefixal – o= Vogal Temática – s= Morfema Flexional de Número

15 Sonhos – Sonh= Morfema Lexical – o= Vogal Temática – s= Morfema Flexional de Número

16 Musical – Music= Morfema Lexical – al= Morfema Derivacional Sufixal

17 Aprofundar – Apro= Morfema Derivacional Prefixal – Fund= Morfema Lexical – a= Vogal Temática – r= Morfema Modo-temporal

18 Sozinho – Soz= Morfema Lexical – inh= Morfema Derivacional Sufixal – o= Vogal Temática

19 Pensando – Pens= Morfema Lexical – a= Vogal Temática – ndo= Morfema Modo-temporal

20 Esperança – Esper= Morfema Lexical – anç= Morfema Derivacional Sufixal – a= Vogal Temática

21 Galanteria – Galan= Morfema Lexical – teri= Morfema Derivacional Sufixal– a= Vogal Temática

22 Pouquinho – Pouqu= Morfema Lexical – inh= Morfema Derivacional Sufixal– o= Vogal Temática

23 Sentido – Sent= Morfema Lexical – id= Morfema Derivacional Sufixal – o=Vogal Temática

24 Ternuras – Tern= Morfema Lexical – ur= Morfema Derivacional Sufixal – a= Vogal Temática – s= Morfema Flexional de Número

Lexema, no sentido geral, é unidade lexical de duas faces (forma e conteúdo), ou sinal mínimo de natureza não gramatical. O lexema é a unidade de base do léxico, numa oposição léxico/vocabulário, em que o léxico se põe em relação com a língua e o vocabulário com a palavra (fala).

Gramema, na terminologia de B. Pottier, é um morfema gramatical, por oposição aos morfemas lexicais ou lexemas. O gramema pode ser independente (artigos, preposições, certos advérbios) ou dependente (os diversos afixos: in-, -oso, etc.).

Os elementos de classe semântica da designação têm, na sua estrutura, LEXEMA, como: cal, sal, mar, bar, sol, sob, etc.; ou têm LEXEMA E GRAMENA, como: menin + as (um lexema e dois gramemas).

Ex: MENIN + A + S

Lx        g1    g2

g°    n°

Quando temos uma palavra, podemos dividi-la em elementos que em conjunto a constituem. Esses elementos menores e significativos se chamam morfemas.

Por exemplo, considere as palavras:

  • outr-o
  • outr-a
  • outr-o-s
  • outr-a-s

Partindo da palavra “outro”, podemos obter novas palavras com significados diferentes: “outra”, indicando gênero feminino; “outros” indicando masculino plural; “outras” indicando feminino plural.

O morfema “o” aponta para o masculino; o morfema “a”, para o feminino; o morfema “s” para o plural. Por outro lado, o morfema “outr” permanece constante, ele carrega o significado principal.

Lexema o morfema outr por ser a unidade de base léxica dos vocábulos;

Gramema os outros morfemas (o, a, s) por possuírem funções gramaticais como tornar masculino/feminino, pluralizar.

A Lexicologia se ocupa da análise qualitativa ou quantitativa do léxico.

A análise qualitativa se ocupa da representação linguísitica do mundo dos objetos feito pelo léxico;

A análise quantitativa se ocupa da estilísitca lexical, a partir de um corpus, compreendido: cálculo de frequência, distribuição definida de normas em conjunto e subconjunto de vocabulários, através de métodos indutivos.

Exemplo:

Um conjunto de frases, ou grupo de frases compreendendo palavras que apresentem este ou aquele traço fonético, ou então uma terminação ou uma origem estrangeira. Só esses segmentos de enunciados que estão submetidos e que constituirão o corpus.

O léxico compreende unidades lexicais realizadas, isto é, unidades efetivas e virtuais, o lexico efetivo compreende as unidades já atualizadas no discurso, como vocabulário de alta ou de baixa frequência e compreende dois subconjuntos:

A.    O léxico passivo – léxico decodificado pelo receptor e não usado por ele;

B.    O léxico ativo, que é constituído por lexias de codificação automática, cuja atualização exige menos esforçoi psicofiológico dos falantes. O léxico ativo, portanto, é o subconjunto do léxico passivo.

LÉXICO – é o conjunto de palavras pertencentes à determinada língua. Por exemplo, temos um léxico da língua portuguesa que é o conjunto de todas as palavras que são compreensíveis em nossa língua. Quando essas palavras são materializadas em um texto, oral ou escrito, são chamadas de vocabulário. O conjunto de palavras utilizadas por um indivíduo, portanto, constituem o seu vocabulário.

Níveis de atualização do léxico:

1.     Nível da língua, cuja unidade é a lexia ou palavras

2.     Nível do discurso, cuja unidade é o vocabulário

3.     Nível do texto, cuja unidade é a palavra.

TAREFA DA LEXICOLOGIA: Analisibilidade da palavra em significantes mínimos.

a.     Análise da palavra (objeto de análise) como um todo que se decompõe em partes constituintes.

b.     Análise a partir dos menores segmentos significativos obtidos na operação analítica procurando averiguar como eles se liga, entre si, segundo que regras eles se combina, para formar a palavra.

Conforme os estudos teóricos do professor Evanildo Bechara, “a tarefa da lexicologia é o estudo dos lexemas, suas estruturas e variedades e suas relações com os significantes. Lexema é a unidade linguística dotada de significado léxico, isto é, aquele significado que aponta para o que se apreende do mundo extralinguístico mediante a linguagem. Assim, em amor, amante, amar, amavelmente, o significado léxico é comum a todas as palavras da série”.

Os campos da lexicologia

A lexicologia abarca quatro disciplinas subsidiárias, entre elas a lexicologia da expressão, que estuda as relações entre os significantes léxicos.

Por exemplo: amar- amante, falar- falante, ao lado de saltar – saltador;

lexicologia do conteúdo, que estuda as relações entre os significados léxicos, como ocorre em: salário, ordenado, honorário, mesada, ou sair e chegar, ou seja, abrange a sinonímia e antonímia das palavras.

Lexicografia é a técnica de redação e feitura de dicionários. Faz muito tempo que existem dicionários de um tipo ou de outro, mas a maneira como se faziam dicionários na Antiguidade e na Idade Média era muito diferente da que prevaleceu nos tempos modernos.  Os primeiros dicionários eram geralmente bilíngües, glossários que ofereciam traduções de palavras de uma língua para outra.

O período medieval conheceu a produção de dicionários monolíngües, mas geralmente estes dicionários (do tipo tesauro ou thesaurus) não adotavam um arranjo por ordem alfabética; ao contrário, as palavras eram agrupadas conforme o sentido (palavras que diziam respeito às atividades da fazenda, nomes de frutas, e assim por diante).

Os primeiros dicionários alfabéticos do inglês não eram completos: eram, ao contrário, compêndios de “palavras complicadas”, isto é, de palavras obscuras e difíceis, frequentemente de origem latina. Atualmente, com as contribuições das novas teorias linguísticas e as novas teorias de ensino de línguas a Lexicografia moderna se expandiu. Hoje a preocupação não é apenas em fazer dicionários, mas também, na análise das metodologias de produção lexicográfica, isto é, como e para que os dicionários tenham sido feitos. Especial destaque, podemos dar à Lexicografia pedagógica, que estuda os dicionários de aprendizagem de línguas.

lexicografía é a rama da linguística que trata da elaboração de dicionários, de como devem estar descritas as definições, de que é uma entrada, um lema, um lexema ou uma palavra.

A clasificação das palavras no dicionário pode ser efetuada por ordem alfabética, embora não seja nenhuma exigência linguística e nem tenha sido adotada pelos lexicógrafos, continua sendo a mais cômoda e mais rigorosa.

O ENSINO DE VOCABULÁRIO

Tradicionalmente, o ensino de vocabulário acima dos níveis elementar era quase incidental, limitadas à apresentação de novos itens à medida que apareciam na leitura de textos ou, às vezes escuta. Este ensinamento indireto de vocabulário pressupõe que a expansão do vocabulário vai acontecer através da prática de habilidades linguísticas, que foi provada não é suficiente para assegurar a expansão do vocabulário.

Alguns autores, liderados por Lewis (1993) argumentam que o vocabulário deve estar no centro de ensino de línguas, porque “a língua consiste de léxico grammaticalised, não lexicalised gramática”.

Há vários aspectos do léxico que precisam ser tomados em consideração quando o ensino de vocabulário. A lista abaixo é baseada na obra de Gairns e Redman (1986):

Ø     Limites entre o significado conceitual: conhecer não apenas o léxico refere-se, mas também onde são as fronteiras que separam as palavras de significado relacionado (por exemplo, copo, caneca, bacia).

Ø      Polissemia: a distinção entre o significado de uma forma única; palavra com vários significados, mas estreitamente relacionados (cabeça: de uma pessoa, de um alfinete, de uma organização).

Ø     Homonímia é a identidade fonética e/ou gráfica de palavras com significados diferentes. Existem três tipos de homônimos:

a)     Homônimos homógrafos – palavras de mesma grafia e significado diferente. Exemplo: jogo (substantivo) e jogo (verbo).

b) Homônimos homófonos – palavras com mesmo som e grafia diferente. Exemplo: cessão (ato de ceder), sessão (atividade), seção (setor) e secção (corte).

c)Homônimos homógrafos e homófonos – palavras com mesma grafia e mesmo som. Exemplo: planta (substantivo) e planta (verbo); morro (substantivo) e morro (verbo)

  • Sinonímia: a distinção entre os diferentes matizes de significado que as palavras sinônimas têm (por exemplo, ampliar, aumentar, expandir); se digo: “Passe um dia na minha casa.” e quiser referir-me novamente ao termo sublinhado “casa”, posso lançar mão de um sinônimo para não o ter que repetir: “Passe um dia na minha casa e verá como meu lar é aconchegante.”

Ø     significado afetivo: a distinção entre os fatores emocionais e atitudinais (denotação e conotação), que dependem da atitude de alto-falantes ou a situação.Associações sócio-cultural de itens lexicais é outro fator importante.

Ø        Estilo, registrar dialeto: Ser capaz de distinguir entre diferentes níveis de formalidade, o efeito de diferentes contextos e temas, bem como diferenças na variação geográfica. Com base num conhecimento lingüístico espantoso, Rosa foi mestre em cunhar novos termos – os neologismos –, assim como em desenterrar palavras do português arcaico e da fala popular. Desamparado pelos dicionários, ao leitor restava desistir de estabelecer o significado exato dos vocábulos e ler segundo a intuição. Mas agora há uma alternativa. O Léxico de Guimarães Rosa (Edusp; 568 páginas; 50 reais), obra recém-lançada de autoria de Nilce Sant’Anna Martins, é um diligente estudo do vocabulário empregado pelo autor. Professora aposentada de estilística da Universidade de São Paulo, ela pesquisou a obra de Rosa por mais de dez anos. Seu livro desvenda a composição e o significado de nada menos que 8 000 palavras. O caso mais célebre de neologismo é o termo “nonada”, palavra de abertura do romance Grande Sertão: Veredas. Significa “coisa sem importância”, e, segundo a autora, resulta da fusão de “non”, do português arcaico, com “nada”.

Exemplo: As invenções de Rosa

Taurophtongo.
Neologismo dos mais eruditos concebidos por Guimarães Rosa. Quer dizer mugido, voz de touro. O escritor recorreu aos termos gregos “táuros” (touro) e “phtoggos” (som da fala)

Enxadachim.
Rosa empregou o termo para designar um trabalhador do campo, que luta para sobreviver. A palavra é formada por enxada e espadachim

Mimbauamanhanaçara.
Esse é dos mais complexos. Quer dizer vaqueiro ou “o que vigia o gado”. Para criar a palavra, o autor fundiu os termos tupi “mimbaua” (criação, animal doméstico) e “manhana” (vigia) e adicionou o sufixo “çara” (que faz)

Imitaricar.
Significa arremedar, fazer trejeitos imitativos. Provém da junção do verbo imitar com o sufixo diminutivo “icar”, que indica a repetição de pequenos atos

Ensimesmudo.
Trata-se de um amálgama entre as palavras ensimesmado e mudo. Guimarães Rosa utilizou-o para designar um sujeito fechado e taciturno

Embriagatinhar.
Neologismo de conotação humorística. Serve para indicar qualquer um que esteja engatinhando de tão bêbado. Origina-se da fusão de embriagado e gatinhar

Fluifim.
Significa pequenino, gracioso, e se compõe da junção de fluir e fino. O termo é exemplo da preocupação do escritor em fazer a sonoridade acompanhar o significado da palavra.

Ø      Pronúncia: habilidade de reconhecer e reproduzir itens na fala.

Campos semânticos e campos lexicais

O campo lexical é o conjunto de palavras que pertencem a uma mesma área de conhecimento, e está dentro do léxico de alguma língua.

São exemplos de campos lexicais:

– o da medicina: estetoscópio, cirurgia, esterilização, medicação, etc.

– o da escola: livros, disciplinas, biblioteca, material escolar, etc.
– o da informática: software, hardware, programas, sites, internet, etc.
– o do teatro: expressão, palco, figurino, maquiagem, atuação, etc.
– campo lexical dos sentimentos: amor, tristeza, ódio, carinho, saudade, etc.
– campo lexical das relações interpessoais: amigos, parentes, família, colegas de trabalho, etc.

Semântica é o estudo do significado, no caso das palavras, a semântica estuda a significação das mesmas individualmente, aplicadas a um contexto e com influência de outras palavras.

O campo semântico, por sua vez, é o conjunto de possibilidades que uma mesma palavra ou conceito tem de ser empregada(o) em diversos contextos. O conceito de campo semântico está ligado ao conceito de polissemia. Uma mesma palavra pode tomar vários significados diferentes em um mesmo texto, dependendo de como ela for empregada e de que palavras a acompanham para tornar claro o significado que ela assume naquela situação.

Por exemplo:

Rescendia por toda a catedral um aroma agreste de pitangueira e trevo cheiroso. Pela porta da sacristia lobrigavam-se de relance padrecas apressados, que iam e vinham na carreira, vestindo as suas sobrepelizes dos dias de cerimônia. Havia na multidão um rumor impaciente de platéia de teatro. O sacristão, cuidando dos pertences da missa, andava de um para o outro lado, ativo como um contra-regra quando o pano de boca vai subir.

Afinal, á deixa fanhosa de um padre muito magro que aos pés do altar desafinava uns salmos de ocasião, a orquestra tocou a sinfonia e começou o espetáculo. Correu logo o surdo rumor dos corpos que se ajoelhavam; todas as vistas convergiram para a porta da sacristia; fez-se um sussurro de curiosidade, em que se destacavam ligeiras tosses e espirros, e o cônego Diogo apareceu, como se entrasse em cena, radiante, altivo, senhor do seu papel e acompanhado de acólito que dava voltas frenéticas a um turíbulo de metal branco.

E o velho artista, entre uma nuvem de incenso, que nem um deus de mágica, é coberto de galões e lantejoulas, como um rei de feira, lançou, do alto da sua solenidade, um olhar curioso e rápido sobre o público, irradiando-lhe na cara esse vitorioso sorriso dos grandes atores nunca traídos pelo sucesso.

AZEVEDO, Aluísio. O mulato. Ed.  Tecnoprint, “Ed. de Ouro”. p. 284

III. CONCLUSÃO

Sendo lexicologia considerada estudo linguístico e o léxico como um sistema de possibilidades semiológicas aberto a criações e inovações à língua, nesse sentido, as unidades lexicais só são construídas frente a redes de relações primeiramente morfológicas e, em seguida, semânticas, dando suporte à sintaxe. Para isso, é indispensável à relação sujeito e história para a constituição e o funcionamento do léxico por um simples aspecto: quem possibilita a língua estar sempre viva, funcionando, é o sujeito em funcionalidade, em atividade, em pleno uso, exposto a construção da linguagem e do sentido. Pelos conflitos no interior de um mesmo sistema é que há a abertura de possibilidades vocabulares, construções morfológicas, semânticas, sintáticas, pragmáticas, morfossintáticas, morfofonológicas, enfim, discursivas. Nessa dinâmica, a vitória é da própria língua visto que ela está em funcionamento aberta ao novo, a plurissignificância, como base nas construções lexicais, nas suas funcionalidades.

Em consequência, a língua faz História, registra-se e funciona na sua inscrição. A mobilidade da língua, especificamente, o signo linguístico, é o que torna viva e móvel o léxico e é pela flexibilidade de construções que o léxico funciona. O sujeito o faz funcionar pela circulação de inovações realizadas nas necessidades de comunicação, tanto orais, imagéticas, quanto escritas. O fato lexical é um fato social por estar sempre sujeito às forças sociais que permeiam as relações (des) construídas.

A seguir, verificamos que o que distingue o léxico dos outros componentes do sistema lingüístico é, de um lado, a particularidade de relacionar as unidades lexicais e de precisar as idéias articuladas no texto e, de outro lado, a propriedade de fazer as ligações das unidades lexicais com o domínio da situação sociocomunicativa. A pesquisa ainda explicitou com detalhes os nexos semânticos que promovem a organização textual. Finalmente, a análise textual em seqüências didáticas revelou que a passagem da simples intuição à objetificação dos distintos processos de coesão lexical nos diversos gêneros textos, portanto, pode ser estratégia útil ao desenvolvimento das habilidades da escrita.

Diante do estudo teórico-prático realizado, podemos concluir que sendo um componente essencial junto a gramática da língua e desempenhando papel decisivo à qualidade das unidades sociocomunicativas o léxico deve ser objeto da pesquisa linguística.

IV . Bibliografia

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