Sílvio Santos: Papai Noel de baú vazio

“Se um dia eu perder tudo, tenho certeza que recupero tudo novamente.” Sou fã incondicional do autor da frase, Sílvio Santos. Tenho e recomendo “A fantástica história de Sílvio Santos, livro do escritor Arlindo Silva que conta a trajetória do homem do Baú desde a época em que era camelô, radialista, “Peru que fala” na barca Rio-Niteroi, agenciador de propagandas, apresentador das tardes de domingo da Rede Globo e até pára-quedista do exército. Não é à toa que minha filha de sete anos pede para colocar no Sílvio Santos, cantando “la la la la… lá la la la” mesmo com diversos canais infantis na TV à cabo. A época em que vendia anúncios para a circuito de sonorização que havia montado na barca representou o início da trajetória do homem de negócios bem sucedido que viria a ser. Mas o que está acontecendo com as finanças do patrão?

Quando existem prejuízos, suspeitas de fraudes, desvios, e outras mazelas financeiras podemos afirmar com certeza que houve falha administrativa. Certamente alguém deixou de fazer bem o seu trabalho. Atuais ou ex, Presidentes e diretores do próprio Pan Americano, do Banco Central e auditores não perceberam ou fingiram não ver o tal rombo de 2 bilhões e meio. Ingenuidade? Não acredito, pois sempre são vários os profissionais envolvidos. Fato é, que a crise gerada no Grupo Sílvio Santos após a publicação dos problemas envolvendo o Banco já fez vítimas, Luis Sandoval, presidente do Grupo pediu demissão. O executivo, que estava há mais de 40 anos nas empresas justificou sua saída a discordâncias com o próprio dono em relação à direção das empresas. O ex-superintendente do Banco, Rafael Palladino já havia sido afastado junto outros diretores, logo que a crise veio a público. Palladino é primo de Íris, esposa do “Patrão”. Tenho convicção de que a história terá muitos desdobramentos. Acredito que neste caso Sílvio pediria ajuda aos universitários se administrasse suas empresas no palco. Se bem que como apresentador, de vez em quando costuma cometer algumas gafes. Exemplo disso foi o comentário do comunicador em relação a um produto da Jequiti, empresa do Grupo. “Não gostei, não posso com cheiro, tenho alergia, prefiro sabão de côco.” Disse certa vez em um dos programas. Voltando ao banco, “ele não está à venda”, segundo os controladores, e um Plano de Ação para a recuperação do prestígio no mercado já está sendo preparado. A participação direta da Caixa Federal, sócia, na gestão já é parte da estratégia.

A credibilidade conquistada ao longo das várias décadas de existência do Grupo garante as aplicações dos clientes, haja vista, o empréstimo conseguido. Por mais que outras empresas “saudáveis” do empresário, inclusive o SBT tenham sido constadas como garantias, não dá para dizer que Silvio Santos quebrou. O “Sílvio Santos” está entre os 100 grupos privados que mais faturam no Brasil. Empresas passam por crises, e as mesmas são superadas com seriedade de gestão e acima de tudo estratégias. Mas este não será o melhor aniversário da vida do apresentador. A data até emblemática, Abravanel completará 80 anos em 12 do 12, provavelmente não terá tantos sorrisos quanto em outros tempos, nem tampouco será cheio o Baú de Natal deste ano.