Será que você está utilizando de forma correta a tecnologia?

Há algum tempo venho me perguntando e me policiando sobre o uso e a importância da tecnologia. Eu ainda não entrei em consenso comigo mesmo(pelo fato de trabalhar na área e gostar muito do meu trabalho), mas o meu interesse nessa publicação é dar mais uma possibilidade de questionamento sobre a mesma. Bom, eu não estou pedindo a você que aceite tudo o que irei dizer como verdade, mas sim que pare e pense um pouco sobre as influências – boas e ruins – da tecnologia no nosso cotidiano.

Ultimamente, como pode-se perceber, a humanidade tem mudado muito de comportamento. A questão é: nem sempre mudanças querem dizer “melhores dias”. Estamos em uma fase em que a cada ano é como se passasse décadas. A tecnologia vem assombrando cada vez mais e evoluindo de tal maneira que é quase impossível alguém nos nossos dias ficar sem ela. Eu não estou dizendo que ela é boa ou ruim, e tampouco vou começar a falar do “lixão tecnológico” que todos nós sabemos que aumenta exponencialmente, assim como a própria utilização de equipamentos modernos. Isso já era de se esperar, já que os “donos do mundo” nunca estão satisfeitos com nada. Até o dinheiro foi trocado por um monte de números binários guardados em arquivos binários. Tudo foi abstratizado. Isso é muito bom, imagine o tanto de árvores que foram economizadas, mas em contrapartida, imagine só a quantidade de metais utilizados. Talvez valha mesmo a pena esforçar-se e acabar com alguns montes de terra para conectar o mundo; a globalização.

Com a tecnologia, hoje eu posso escrever esse texto e você pode lê-lo. E olha só, eu não sei onde você está; você pode estar do meu lado ou até mesmo do outro lado do mundo, e isso não faz faz diferença alguma. Isso é bom, mas o fato é que isso trouxe a existência dos “cyborgs” (meio-homens, meio-máquinas), talvez isso seja só mais uma evolução do homo sapiens, mas o que eu percebo é que as pessoas de verdade estão deixando de existir, e essa é a minha preocupação. As pessoas hoje em dia deixam de sair com os amigos para ficar no MSN conversando com pessoas que muitas vezes nem conhecem. Tá, o que tem de errado nisso?! – Nada, mas estamos transformando uma ferramenta que deveria ser para assuntos urgentes, em uma ferramenta para convivência. Eu mesmo fico conectado ao mundo de 10 à 16 horas por dia, e foi o que me fez pensar a respeito do real sentido da globalização. Um dia acordei e vi meu irmão de 3 anos e meio no computador jogando super mário e me recordei: “Meu deus! Com 3 anos eu ainda bricava de carrinho”. O que me matou um dia foi ver dois irmãos gêmeos no orkut mandando scrap um ao outro dizendo: “feliz aniversário!”, sendo que os dois estavam na mesma casa, só que em quartos separados.

Percebo que às vezes a tecnologia não nos aproxima, mas me parece que nos distancia em muitas situações. Muitas vezes nos aproxima do mundo e nos afasta das pessoas as quais amamos. Muitas vezes é o contrário, a gente está do outro lado do Brasil e pode ligar para o pai dizendo: “como você está?”, e aquela voz metalizada do outro lado simplesmente responde: “estou bem”, e você percebe que não precisava de mais nada para ser feliz.

Eu só posso dizer que eu tenho saudades de olhar para a lua de vez em quando, em vez de olhar um belo layout de um site. Tenho saudade de conversar com os meus amigos ao vivo, em vez de mandar para eles um scrap no orkut ou talvez ficar no MSN. Eu simplesmente não gosto e não dou conta de resolver na internet os assuntos de que se referem à minha vida pessoal.

Para mim, a tecnologia serve para fazer uma boa pesquisa sobre os assuntos que me interessam. Ela serve para conseguir uma boa network; ela serve para fazer cirurgia com precisão, como é o caso da medicina. Ela serve para encurtar as distâncias e diminuir o trabalho, e quando falo em diminuir o trabalho não estou falando de deixar as pessoas preguiçosas, e sim em diminuir o período de tempo para determinada atividade.

Posso até parecer arcaico, mas para mim, o homem nunca vai ser Deus e a máquina nunca vai ser o homem. Posso estar errado sobre a máquina.