Autoridade X Autoritarismo

AUTORIDADE  x  AUTORITARISMO ‘

(LiberalidadeLibertinagem)

Um dos maiores dilemas que se nos depara neste início de século é o da Educação e formação da personalidade de nossos filhos. O assunto tem sido um dos mais polêmicos nestas últimas décadas, com o surgimento de teorias que fazem a apologia da liberdade na criação das crianças. Com a introdução da palavra “trauma” pela Psicanálise inicial  e a sua  conceituação (errônea) por muitos Psicólogos, Psiquiatras, Pedagogos e leigos; veio, a seguir, outro termo, conseqüência do primeiro, que é o conhecido “castração”.  Esses conceitos tornaram-se tão usual e vulgarizado que rara é a pessoa que não os utilize na sua linguagem coloquial. “Trauma” é a abreviatura de traumatismo; que significa choque, abalo, injúria ou pancada.  Quando o choque ou abalo é no corpo físico; denominamos traumatismo físico. Quando o mesmo acontece com a mente, o termo correto é traumatismo psíquico. A linguagem popular consagrou o termo completo “traumatismo”, para designar o choque ou dano físico; e a forma abreviada “trauma”, para se referir ao abalo mental.

As teorias e conceitos, ditos modernos, que apontaram as “muitas” falhas da “educação antiga”, impregnaram os novos educadores, os pais e muitos profissionais da saúde mental. Na época da “abertura” educacional não houve quem não se aventurasse a criticar e condenar o modo “autoritário” de criar os filhos, praticado por nossos pais e avós. É bem verdade que a educação à antiga deixava muito a desejar, confundindo autoritarismo com autoridade. Autoritarismo é a forma doentia de exercer a autoridade (não devendo ser confundida com esta), utilizando-se mais da imposição do medo; que, da compreensão e respeito que devem existir entre educador e educando. A autoridade (palavra que faz medo a muitos que com complexo de inferioridade ou algum sentimento de culpa) é indispensável entre quem ensina e quem aprende e corolário natural dessa compreensão e respeito, que surge na situação de aprendizagem na Escola ou no Lar.

Pais e Mestres têm natural autoridade sobre os seus aprendizes, a não ser que pouco ou nada tenham a ensinar. Neste caso, não servem para atuarem como Mestres e, nem tampouco, como Pais. Aliás, Mestres e Pais incompetentes e ineficientes foram os que mais prosperaram com a nova psicopedagogia que se dizia ideal e “salvadora do mundo”. A prova disso é a abundante safra de filhos, alunos e cidadãos imaturos, incompetentes e inconseqüentes que estamos vendo e sentindo, há anos, na “pele” de todo “corpo” social. Haja vandalismo, agressividade, violência, criminalidade, deseducação, cinismo, sexismo, prostituição, inculturação, desrespeito a tudo e a todos; além de outros comportamentos nocivos e perniciosos que estão esfacelando a família e toda a Sociedade.

Mas, a base da crítica que “exorcizou” a educação antiga das Escolas e das Famílias; não ficou bem explicada e nem entendida. Os numerosos críticos, produzidos em massa pelas Faculdades de Psicologia, Pedagogia, Sociologia e Filosofia; sequiosos para mostrarem mudanças (e serem aclamados como “bonzinhos” e “moderninhos” pela “jovem guarda de então) no que estava estabelecido há séculos, movido pela falta de conhecimento e por vedetismo, desenvolveram uma pedagogia meio marota e caolha, sem muita base científica ou experimentação  sólida. Foram seduzidos por hipóteses mal formuladas, ruminadas por dissidências pseudo-culturais de além-mar, destituídas de cientificidade e sequiosas por notoriedade fácil e rápida, do pessoal festivo do então denominado “Amor Livre”. Com avidez e irresponsabilidade, os novos “messias” da educação e “salvação” da humanidade, copiaram e transladaram para o nosso País ( e, para todo o Mundo)  as “más novas”;       que os ventos da irreverência, oportunismo e da  irracionalidade lhes sopraram, advindos da insurreição anticultural, deflagrada  no Velho e Novo Mundo, nos anos sessenta .

Esses novos “ensinamentos” e  “doutrinas” libertistas e liberticidas , trouxeram conseqüências calamitosas para as famílias de então, de hoje e de amanhã, cuja nocividade estamos todos presenciando no comportamento negativo e  anti-social  de grande parte da população mundial, principalmente entre pessoas de menos idade.

Movimentos   Degradadores

Essa revolução dos (maus) costumes, começada nos “guetos” da incompetência cultural de muitos descompromissados com o Saber, contaminou com idéias permissivas toda a civilização atual, desmoralizando e desmoronando os seculares pilares de uma Verdadeira Sociedade, que são: Família, Educação e Religião. Quem não se lembra do movimento “hippie”, quando um punhado de desocupados , descompromissados sociais e intelectualmente pobres, apregoaram a política do “anti-tudo” que estava estabelecido? Legiões de imaturos de todo o mundo foram atraídos pelos falsos profetas que prometiam o “lago azul”, o “paraíso perdido” e uma vida “cor-de-rosa”; sem trabalho, sem Deus (para não “atrapalhar”), sem família, sem qualquer obrigação ou cumprimento de normas;  sexo e drogas livres  e, principalmente, muita irresponsabilidade pessoal e social . Os outros? Que se danem !  O que vale é o gozo (literalmente falando) do  aqui-e-agora !  Muitos deles, autodenominados de intelectuais ( alguns, já em franca decadência física e neuronal ), aderiram alegre e prontamente à avalanche hedonista, com fins claramente oportunistas, narcisistas e comerciais, deixando-nos como triste herança a abundância capilar, a desafinação sonora, a deturpação musical, o esfacelamento familiar, a promiscuidade sexual; condicionando e implantando  a ninfomania entre adolescentes, iniciando  a “moda” da  matança de inocentes, com milhões de aborto  anuais; além de robustecer a proliferação das doenças sexuais, a decadência cultural, mental e moral da maioria das pessoas novas em idade; bem como, o avanço desenfreado da indústria das drogas, de seus traficantes e dos seus pobres e dependentes usuários.

Foi na esteira dessas mazelas que se implantou a nova “Educação”, onde filhos e alunos não podiam ser “castrados” para não se “traumatizarem”.  Nunca tantos, aceitaram tanto, tantas tolices. Foram banidos quaisquer castigo e punição. As autoridades, paterna e magisterial, foram desintegradas e, com elas, o respeito familiar, social, religioso e tudo o mais foi para o “brejo”.  Filhos e alunos sabiam tanto, ou mais, que os seus genitores e professores. Todos tinham que aprender uns com os outros; não importava o quê e nem como; principalmente os pais com os seus “sábios” pequerruchos e os mestres com os seus “comportados” e “sabichões” alunos. Uma autêntica oligarquia do niilismo. Dessa forma, prometiam a felicidade para eles e um mundo colorido  para nós e para  as gerações vindouras.

Nem um e nem outro!  Nunca a humanidade foi tão infeliz e desestruturada. O infortúnio pessoal e social são notórios, apesar de alguns inocentes ou espertalhões insistirem em um “Nirvana” terrestre ou terráqueo. O Sexo, panacéia material e mental prometida, ficou escancaradamente implícito, explícito e totalmente divorciado de sua função biológico-natural. O respeito ao semelhante (eu, você e nós) foi banido da face da Terra; o dito “autoritarismo” dos nossos pais deixou de existir há décadas; a Religião não é mais o “grilhão” que refreia os maus costumes e, nem tampouco, é o “ópio”, como diziam os novos “Cavaleiros do Apocalipse”.

As pessoas, principalmente os mais novos em idade, podem se drogar à vontade; o casamento não é mais “para sempre” (como quer o Evangelho); os filhos não mais reconhecem seus pais e, o Cristo, com toda a sua Coorte Celeste, foi banido da maioria dos Lares e Corações, dando lugar a Eros, Vênus, Baco e…. ….à  Belzebu.  Será que isso explica as atrocidades que estamos presenciando, praticadas pelo homem contra o homem e contra a Natureza?

“Homo hominis lúpus”?

Enfim, foram demolidos todos os “empecilhos” que diziam ser a educação “arcaica” dos nossos ancestrais. Na verdade, a felicidade tão sonhada e prometida pela “filosofia libertina” não veio e tudo indica que ela piorou ,complicando mais ainda, a vida de todos nós.  Basta ver a situação e o descontentamento generalizado dos “atletas” do sexo, das drogas e do ócio. Quanto aos incautos precursores do “laissez faire”,, os “hippies”, por exemplo, desapareceram tragados e digeridos pelas drogas e pela promiscuidade. Alguns deles aderiram ao “capitalismo selvagem” (que tanto combatiam sem saber por que e, nem para quê!) e outros tantos são vistos pelas calçadas e botecos, vendendo “bijuterias” baratas, de quem costumo comprar para ajudá-los.  “O sonho “dourado” da pedagogia libertina foi  à lona”, nocauteado pelas  premissas falsas de que a felicidade é construída de fora para dentro.  Esqueceram ( ou não sabiam) que temos um cérebro que coordena todo o comportamento físico, mental e comportamental. Qualquer estudo ou hipótese sobre a conduta humana que não leve em consideração as motivações mentais do cérebro; está fadado ao malogro. Na época da invasão dessa pedagogia libertária não se conhecia bem as estruturas cerebrais e nem as sua resultantes mentais. A Psicologia de então, engatinhava e se emaranhara nas premissas, poucos experimentais, da Filosofia, sua sábia precursora .  Não era para menos, os Psicólogos da época  eram formados em Faculdades de Filosofia, não tendo ainda se libertado do cordão umbilical que a ligava a sua extremada mãe. Foi somente com a sua aliança com a Biologia que ela deu o seu grande salto científico, ao compreender melhor o comportamento animal, graças ao conhecimento científico do cérebro, que passou a ser alvo e a base do seu estudo. Enfim, a ciência do “achismo”, progrediu para a Ciência Neuropsicológica.  A pessoa se comporta tal como se sente em seu interior. A roupa, o invólucro, a fala, o olhar, os trejeitos, os adereços, o perfume, o tipo de música, o que come; enfim, todo o comportamento exterior é o reflexo e  os sentimentos de quem os produziu. O velho e falso ditado: “quem vê  cara; não  vê  coração”; perdeu o sentido popular para ganhar o sentido científico de que : quem vê o rosto vê,também o coração.

Experiências norte-americanas

Quanto aos pedagogos, eles estão livres do “mea culpa”, por não terem se aprofundado nos estudos e prática das Neurociências. Tempos atrás, nos Estados Unidos, um grupo de Psicólogos experimentais deitou mais uma “pá de cal” sobre o atual sistema de permissividade educacional, demonstrando que pais liberais e complacentes formam filhos mentalmente menos sadios. Quase duas centenas de crianças foram estudadas por pesquisadores sérios e competentes, num período de 10 anos de acompanhamento. Aqueles Psicólogos  verificaram que adolescentes emocionalmente mais estáveis, vinham de famílias cujos pais exerceram autoridade sobre eles, quando crianças. Essas crianças foram educadas seguindo uma orientação de conduta dentro dos limites definidos por seus pais, com liberdade vigiada. Ao contrário, as crianças criadas por pais liberais (“bonzinhos”, cá entre nós), sem impor-lhes regras ou normas sistemáticas, tornaram-se adolescentes mais promíscuos, propensos ao uso de drogas, álcool e com baixo rendimento escolar. Vale dizer que tais resultados vêm corroborar os inúmeros exemplos de decadência física, mental e moral que nos apresentam, no atendimento clínico, muitos pacientes enfermos.

As conclusões dessa pesquisa não nos surpreenderam, haja vista que o estudo da psicobiologia do comportamento nos mostra o quanto são danosas para o cérebro e para a mente as formas atuais, ditas modernas, de formação e educação dos nossos filhos, seguidas por educadores e pais, seja por ignorância, comodismo, medo ou desamor.  Não estamos advogando o rigor autoritário na educação; mas, tão somente o exercício parental e escolar da autoridade (não confundir com autoritarismo), em que a compreensão, respeito mútuo, sabedoria, saber, competência e a afetividade sejam a pauta rotineira de cada família e educandário.

É um erro crasso continuar aceitando algumas afirmativas tendenciosas que vieram a reboque da “maré festiva” dessa pseudo-educação libertina. Essas premissas falsas apregoam que “crianças são melhores que adultos”; “adultos devem aprender com crianças”; ” crianças sabem o que querem”; “crianças são boas e adultos são maus” (uma criança bem educada tornar-se-á  um adulto educado, responsável, respeitador e útil à Sociedade; e, o contrário é verdadeiro). Tais inverdades geraram a supervalorização das pessoas mais novas e a desvalorização das pessoas mais sábias e maduras. O que é uma tremenda injustiça contra os que verdadeiramente construíram e constroem o bem comum; trata-se de uma intencional e flagrante inversão de valores. Poucos são sábios na infância e adolescência, basta que se atente para a degradação física, mental, moral, material e social da maioria dos “nossos jovens”. Atente-se para a agressividade, violência, drogas, alcoolismo, pichações, vandalismo e outros comportamentos praticados, cada vez mais, por pessoas mais novas. Verifique-se a idade decrescente dos que praticam crimes violentos! Olhem a faixa etária  da maioria dos criminosos do volante! Uma pequena e pálida amostra de como se comporta a maior parte dos nossos “promissores” e festivos jovens  vê-se nas pesquisas no “Google”, em milhares de fotos, vídeos,estórias e flagrantes reais de suas noitadas, diariamente mostradas em qualquer cidadezinha ou grandes capitais do Mundo. Escreva, na “janelinha” de qualquer site de pesquisa, o que você quiser saber sobre violência, crimes, horror e perversões de todo tipo e espécie, praticados, em sua maioria, por aqueles que antes eram chamados de “futuro do Brasil”. Faça esse teste simples e grátis: escreva qualquer coisa repugnante,animalesca,criminosa,asquerosa,sórdida e o que desejar saber; imediatamente, em segundos, verá os exemplos mundiais da degradação da espécie do “Homo sapiens”. Finalmente, devemos desconfiar de quem comparações valorativas entre faixas etárias, sexo, cor, cultura, raça, estética, beleza física, etc.; pessoas não são objetos que podem ser comparadas. O valor de cada um reside nas ações positivas e construtivas que pratica durante a sua existência terrena.  Cristo, o Filho de Deus, deixou-se imolar pela salvação e redenção de todos, crianças, adolescentes,adultos e idosos; de todas as cores, estética  e raças.

A educação ideal, que deveria nortear todos aqueles  que têm a responsabilidade de formar personalidades e, que as queiram sadias e moralmente íntegras; devem seguir as sábias palavras das Escrituras Sagradas, cumprindo fielmente os seus ensinamentos. O que Ele disse, há mais de dois milênios, continua  sendo o roteiro educacional mais seguro, autêntico, verdadeiro e atual, que pode e deve iluminar as mentes de todos nós,principalmente as dos pais, educadores, governantes,políticos e autoridades , nestes dias de patente degeneração globalizada do comportamento humano.

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CARLEIAL. Bernardino Mendonça

CARLEIAL Bernardino Mendonça
Perfil do Autor:
Psicólogo-Clínico pela Pontifícia Universidade católica de Minas Gerais

Estudante de Direito da Faculdade de Direito Estácio de Sá, em Belo Horizonte-MG

Escritor e Pesquisador nas áresas da Psicobiologia e do Direito