Considerações do texto Planejando o Subdesenvolvimento e a Pobreza, localizado no livro Economia Espacial, Críticas e Alternativas de Milton Santos

Identificar elementos do texto Planejando o Subdesenvolvimento e a Pobreza, localizado no livro Economia Espacial, Críticas e Alternativas de Milton Santos, que é caracterizá-lo como um texto da Geografia Crítica. Afirmando, por conseguinte, os motivos porque a Geografia Crítica não poderia enquadrar em outros textos (de abordagens geográficas), isto é, nas outras Geografias.

O texto de Milton Santos, Planejando o Subdesenvolvimento e a Pobreza, é caracterizado como um texto de abordagem crítica, dentro das concepções da Geografia Crítica, pois não é uma mera descrição de fatos geográficos e, portanto, não estar voltado para exposicionar, somente, ocorrências visíveis dentro do tempo e espaço geográfico, porque, também, têm perspectivas esclarecedoras das realidades impostas no espaço social (tendo leituras críticas), saindo das interpretações visíveis, alcançando, por conseguinte, compreensões para além do visível, sendo, então, a Geografia Crítica, uma técnica de esclarecimento metafísico, que observam as tendências das relativas realidades e suas evoluções, sugerindo melhoras e colocando às justificativas do porque essas sugestões (de equilíbrios sociais) não se homologam, dentro das maquiagens e intencionalidades dos detentores de poderes em consenso. Então, o texto revela algumas utopias indiretamente, porém esclarecidas, isto é, consiste em propagar maturidades e prudências deixando o leitor integrado com suas limitações e alternativas na sociedade perversa, a saber, o espaço social produzido devido às racionalidades econômicas e, sobretudo, excludentes do modo de produção capitalista que, causam a pobreza.

Nesse sentido, a Geografia Marxista ou Geografia Crítica, é vista nesse texto de Milton Santos, porque saem das exposições acadêmicas de neutralidade do rol da Geografia Quantitativa, ou chamada Geografia Pragmática / Geografia Teorética, inserindo propostas e participação nos problemas socioeconômicos, significando, contudo, uma aproximação com os movimentos sociais, como direitos civis, materializadas nas reinvidicações, articulados com o viés de requerimentos de igualdades, como por exemplo, busca pelos acessos a educação de boa qualidade, a moradia, pelo acesso a terra (Geografia Agrária), o combate à pobreza, e muitas outras expressões da Geografia Crítica, que tendem e espero que cresçam, pois também a Geografia Crítica salienta o que é a Geografia dentro das realidades dos espaços, porém não somente. Daí, Milton Santos ratifica que os subdesenvolvimentos entendido com os países pobres, não ocorreram por acaso, mas sim, faz parte de um planejamento estratégico meditado e dirigido por intencionalidades impositoras, porque, o mesmo, à avalia as condições que levaram à implantação e ao desenvolvimento desta idéia, e do mecanismo através do qual ela tem sido levada a efeitos em diferentes períodos da história e, dentro do espaço geográfico produzido que é regido por políticas e fenomenologias (Santos, pág. 13*1). Portanto, ele continua no tópico: O Planejamento: Instrumento do Capital, assegurando que a segurança e a confiança, assim como o estímulo ao investimento privado, deveriam ser criados com o auxílio do Tesouro Públíco, ou seja, dos pagadores de impostos. Observando-se que, torna-se necessário justificar com argumentos de peso a transferência da poupança dos mais pobres para o bolso dos mais ricos, porque a pobreza é um fenômeno qualitativo que foi transformado num problema quantitativo e reduzido a dados numéricos. Então, salientando que, sem sombra de dúvidas, às intencionalidades estão ocultas, isto é, não é do interesse da elite proliferar esclarecimentos, mas sim, maquiar valores financeiros que expõem a verdadeira faceta de exploração, porque o mundo contemporâneo é o momento das modernidades e uso das evoluções tecnológicas, porém, quem são os que desfrutam dessas evoluções tecnológicas? Certamente que não são os países subdesenvolvido na sua totalidade dialética, nem mesmo, os chamados países do primeiro mundo em sua totalidade dialética, daí entendendo que a pobreza foi planejada e, aplicadas dentro de técnicas sigilosa de manipulação de massas populares, onde os maiores prejudicados encontram se nos Estados / Nações, entendidos como países subdesenvolvidos e, dependentes.

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*1 Trecho retirado da página 13, do texto de Milton Santos: Planejando o Subdesenvolvimento E a Pobreza no livro, do mesmo: Economia Espacial, Críticas e Alternativas, dentro das abordagens da Geografia Crítica.

Então, esse planejamento da pobreza que foram aplicados de forma oculta, vem para enganar e disfarçar as reais causas e tendências do planejamento do falso “progresso” geral e econômico, onde são muitos das vezes, os gestores, isto é, os representantes do Estado / Governo que atuam como os principais agentes maquiadores e propagadores de pobrezas, pois são os Estados que são os mediadores das intencionalidades das grandes empresas internacionais, intencionalidades estas que, ainda tem como objetivo explorar mão-de-obra barata, sendo um pouco diferente das explorações dos séculos XIX e XX, porque as explorações do século XXI têm mais base jurídica, continuando assim, o ocultamento do planejamento da pobreza. Ocorrendo que a ciência regional e o planejamento eventualmente se fundiram (Santos pág. 22*2). Sabendo, portanto, que no Brasil, um grande representante dessa corrente (Geografia Crítica) foi Milton Santos, por causa de seus argumentos que diagnostificam e expõem as faces de planejamento que acumulam riquezas e aumentam os índices de pobrezas, em todos os espaços e, principalmente nos lugares centrais. Contudo, as interpretações das realidades com a Geografia Crítica iluminam e aumentam os diversos conflitos sociais ocultos, sendo então, desafios geográficos, porque as crises reais e concretas se multiplicam de certo modo que é uma utopia pensar em espaços de esperanças sociais como soluções de problemas acumulativos planejado para as sociabilidades, mas são necessários esclarecimentos, vindo e fundamentado então, nos conhecimentos críticos e radicais, a saber, da própria Geografia Crítica, disseminada no Brasil por Milton Santos e, antes, apontado por Marx numa exigência de um projeto ético / estético, requerido numa teoria social. Deste modo, o texto planejamento o Subdesenvolvimento e a Pobreza são identificados em vários trechos, como um texto da Geografia Crítica e, sobretudo, pela sua organização, primeiro apresentando seu objetivo, em seguida mostrando que o planejamento é um instrumento do capital, logo depois, salientando que o planejamento hoje é entendido nos usos das forças ao estratagema (ardil empregado na guerra para burlar o inimigo) para, enfim, organizar considerações sobre o futuro em jogo. Sendo assim, a Geografia Crítica diferentes das outras geografias, porque vai além dos pensamentos estabelecidos das Geografias Tradicionais, buscando, por conseguinte, uma crítica das intencionalidades sobre o mundo que, visam entender, mais minuciosamente, às dinâmicas em conflitos / choques por trás de novas maquiagens.

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*2 Trecho retirado da página 22, do texto de Milton Santos: Planejando o Subdesenvolvimento E a Pobreza no livro, do mesmo: Economia Espacial, Críticas e Alternativas, dentro das abordagens da Geografia Crítica.

Contudo, na página 28, o autor analisa que seja qual for o período histórico, seja qual for o continente, o resultado é sempre o mesmo: a ruína dos países dominados e a acumulação na metrópole. Fazendo então, uma crítica das intencionalidades perversas e, exposicionando às realidades do “espaço econômico”, que segundo Milton Santos esse termo é incondisente, isto é, não é adequado. Deixando claro, que isso não significa que os oprimidos deste mundo nunca perceberão que são oprimidos, colocando, assim, que o dever das pessoas mais esclarecidas é ajudá-los, para além dos sistemas ideológicos, pois este paradigma é considerado como o mecanismo infernal responsável pela alienação dos pobres, em especial, e sua respectiva miséria.

REFERÊNCIA

Santos, Milton. In: Economia Espacial, com Críticas e Alternativas. 2ª Edição. São Paulo. Editora: Edusp, 2003, páginas 13 – 40.