Escola para todos?

ESCOLA PARA TODOS?

Edson Cardoso dos Santos Filho

RESUMO: O Artigo intitulado “Escola para todos?.” Faz parte de um dos capítulos do trabalho de conclusão de curso “Analfabetismo funcional: herança familiar e escolar”2 fundamenta-se nos três principais métodos de pesquisa utilizados em trabalhos científicos: descritivo, exploratório e experimental/causal. A Comunidade escolar e a sala de aula foram os campos de estudo deste projeto. Constatou-se que as causas do baixo índice de aproveitamento escolar, nesta instituição de ensino público, Escola Municipal Major Pereira Adolfo Maia, encontram-se calcadas em cinco elementos estimuladores do péssimo rendimento escolar: má alfabetização (escola), desatenção (família), hiper-atividade (família), heterogeneidade ou diversidade (escola) e falta de conhecimento pedagógico-cognitivo e de ensino-aprendizado por parte dos professores (escola).

PALAVRAS-CHAVE: Analfabetismo funcional. Aproveitamento escolar. Construtivismo. LDB

Introdução: Condições prévias para a educação, um ponto indispensável.

Pensamos que não houvesse a necessidade de reportarmo-nos a uma ideia antiga de nossos arquivos mentais; pensamos ter certeza de que a ideia dialética, que consubstancia nosso trabalho pudesse, de fato, por si só, transformar a educação e cosequentemente, nossos jovens:

O país fez uma opção – pela massificação do ensino, num entendimento muito particular de democratização: em vez de se criarem as condições para que, vá lá, as massas tivessem acesso ao conhecimento superior, rebaixaram-se as exigências para atingir índices robustos de escolarização (AZEVEDO, 2008, p.98)

De fato é o que acontece com o sistema educacional de nossos dias. Oferecemos vagas nas instituições públicas de ensino, mas não oferecemos condições para que a educação de fato se realize. O trabalho em questão tem como foco o professor e o aluno em suas realidades de sala de aula. Embora o texto de Azevedo seja bastante incisivo em seu ponto de vista, não deixa de ser coerente e lógico, pois retrata exatamente o que se constata na realidade atual da educação pública.
Acontece que de uma certa forma os nossos discentes e docentes se encontram embevecidos de uma ideia ainda pior: “Fingimos que ensinamos e eles fingem que aprendem”. Na última reunião pedagógica essa triste realidade: os problemas que dão origem a nossa pesquisa, principalmente, os referentes aos professores continuam irrefutáveis. A postura do professor é irredutível, geradora até mesmo de um novo projeto de pesquisa.
Nosso corpo docente não tem consciência do trabalho social que faz, não percebe a interdisciplinaridade em sua própria disciplina, vê no lúdico o único processo de inicialização profissional e no desenvolvimento de habilidades sociais e trabalhistas. A educação está sendo mascarada pela desesperança de quem educa e pelo descaso de quem aprende.
Os professores entendem construtivismo, quase, num todo, como projetos que envolvam exclusivamente jogos, festas e gincanas. Não percebem, porém, que seus alunos não possuem base suficiente na leitura para de uma experiência concreta formarem condições posteriores e contínua de seus estudos. Insistem em não buscarem informações fora de sua área de ensino, e, sendo assim, não percebem que suas atividades, nesse contexto educacional, deve ser complementar às atividades de língua materna de forma a construir um pensamento crítico no alunado. Inteirados, numa visão talvez, escapista, de que as atividades lúdicas despertarão o Machado de Assis, o Aleijadinho e outros, os professores realmente fingem ensinar e os alunos fingem aprender.
O pior disso tudo é que a responsabilidade recai sobre o professor de língua portuguesa, que é acusado de não fazer o seu papel. O que de certa forma corresponde com a verdade, mas a verdade retratada aqui, a educação banalizou-se. Na atual circunstância de nossas escolas e condições de nossos alunos, o professor que desempenha um trabalho em uma turma tão heterogênea e numerosa tem a tarefa quase impossível de nivelá-la em termos de conhecimentos; encontra-se desamparado por não ver nos outros professores a utilização da mesma linguagem, ou seja, fazer o aluno aprender a ler. Preferem pontuar atividades de gincanas e jogos, perdendo a oportunidade de ensinar aos alunos que cada trabalho oferece uma premiação que se substancializa na capacidade de enxergar o outro, respeitar o outro, interrelacionar-se para crescer física e mentalmente.

Considerações finais: O desencontro das idéias do corpo docente e do sistema educacional e o conseqüente caos da educação

Consideramos que o trabalho embasado nos fatos, hipóteses e práticas educativas constituintes deste TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) atingiu seus objetivos. O quadro formado a partir da aplicação de nossas tarefas corroborou nossa tese e deixou como demonstrativo que o analfabetismo funcional tem como causa os problemas acima levantados. Para solucioná-los, porém, a força não pode ser unívoca, e sim, conjunta. Os professores devem levantar a mesma ideia, apoiados em uma mesma fundamentação teórica.
Nossos alunos são frutos de uma desestruturação familiar, social e econômica e não conseguirão sozinhos sair da condição funcional em que se encontram. Essa ajuda, todavia, só se dará quando os professores mudarem seus paradigmas, o governo perceber ou criar condições de manter nas escolas os alunos numa carga horária suficiente, em que de fato, caiba a atividade lúdica apropriada a cada faixa etária e competitiva com os apelos das ruas. Dessa forma, os momentos de lazer, não serão priorizados sobre os de dever. Já não se fala mais, primeiro o dever depois o lazer; a recíproca virou a verdade.
Para que as salas de aula voltem a ser, o que foram no passado, não querendo isso dizer um retorno à palmatória, a sala de estudo obrigatório etc., mas uma volta ao respeito, ao determinismo, ao pensamento “ Primeiro o dever depois o lazer”, que hoje em dia significa o seu oposto. A mudança pode acontecer, nós elaboradores desse trabalho, fizemos nossa parte; aceitamos críticas construtivas no sentido de aperfeiçoar para melhor o escopo deste projeto: a educação de excelência. Do contrário a educação sempre será um número ou um degrau para as classes políticas. Erguemos as mangas, destapemos nossos olhos, o que se tem aí hoje, em qualquer nível educacional é uma liberdade de libertinagem, em que os alunos com acessa à intenet e a tudo que querem, transformaram a educação e o educador respectivamente em circo e palhaços.

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