Internet e Agronegócio, uma questão de sobrevivência.

FACULDADE DO VALE DO JAGUARIBE

ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

CARLOS EDUARDO AMARANTE SCIPIÃO

INTERNET E AGRONEGÓCIO, UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA.

INTRODUÇÃO

A globalização traz consigo uma infinidade de novas tecnologias, sejam elas: organizacionais, comunicativas, comerciais, etc. Neste contexto, a sociedade se depara com dois termos difundidos mundialmente e propagados com grande freqüência nos meios de comunicação. Trata-se do agronegócio e da internet.

Como é do conhecimento da sociedade atual, apesar de os produtores de pequeno porte serem a maioria, eles não dispõem de uma tecnologia adequada para disputar e concorrer com os grandes empresários do Agronegócio, pois estes últimos têm disponível, além de um capital maior, fontes de pesquisa e laboratórios que os tornam, apesar das agressões ao meio ambiente, os maiores responsáveis por geração de renda e contribuição no PIB de nossa nação.

Será mostrada a viabilidade econômica e as melhorias proporcionadas pela rede mundial de computadores-internet- no processo produtivo e comercial do agronegócio. Gerando assim produtos com mais qualidade, disponibilidade de acesso aos consumidores e firmamento de parcerias no mercado.

Este projeto tem como objetivo principal expor esta grande oportunidade que os pequenos produtores têm ao seu alcance e conscientizá-los quanto ao melhorando da gestão da qualidade em seus negócios, tornando-os assim, mais competitivos e lucrativos.

OBJETIVO GERAL

  • Investigar a importância do uso da Internet no desenvolvimento da produção e comercialização de produtos agrícolas do agronegócio Brasileiro.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Expor aos pequenos produtores rurais, através de estudos e dados recentes, que o uso da internet em seus meios produtivos aumentará a lucratividade da empresa e o tornará mais competitivo no mercado.
  • Conscientizar os pequenos produtores que a implantação da internet em seus empreendimentos é uma questão de sobrevivência no mundo atual.

 

JUSTIFICATIVA

A produção agrícola no meio rural está cada vez mais complexa, em vários aspectos: abertura de mercado com a chegada da globalização, nível de exigência cada vez maior dos consumidores e a conscientização da população devido à sustentabilidade.

É criada assim, a necessidade de uma maior eficiência administrativa no meio produtivo rural. Essa eficiência administrativa pode ser obtida pelo conjunto de vários fatores, sendo a internet um fator fundamental.

Com a internet podemos atingir, ou pelo menos desenvolver, esses processos organizacionais através de trocas de informações, compras em grupo, marketing,etc. Tudo com um custo relativamente baixo, preservando o meio ambiente (pois o serviço de marketing, em sua maioria, será feito online economizando assim papeis, cartazes…) e contribuindo com o processo de modernização da zona rural.

Além de tudo isso, o pequeno produtor ainda teria sob seu alcance avaliações meteorológicas, coisa que os pequenos produtores que estão off-line não dispõem. De acordo com as previsões do tempo em programas ligados à rede, o empreendedor poderá prever as melhores estações do ano para o plantio e, desse modo, prevenir futuros prejuízos.

PROBLEMATIZAÇÃO

De que modo a internet pode ajudar o pequeno produtor rural a tornar-se mais competitivo?

METODOLOGIA

A pesquisa realizada neste projeto é classificada como objetiva explicativa. Pois o tema a ser explicado requer respostas que visam identificar os fatores que determinam ou contribuem para a competitividade dos pequenos produtores. Quanto à metodologia o trabalho em mãos faz a opção pelo método hipotético-dedutivo. Esta opção se justifica porque o método escolhido permite propor uma hipótese (utilização da internet) como ferramenta de melhoria nos processos organizacionais do pequeno produtor e deduz-se daí que o mesmo se tornará mais competitivo.
A pesquisa utilizar-se-á de pesquisa bibliográfica fundamentada em artigos e sites especializados no ramo do agronegócio e de suas tecnologias.

REVISAO DA LITERATURA

“Responsável por 35% do PIB nacional, absorvendo mais de 27% da          população economicamente ativa, participando com 36% de nossas exportações e 45% dos gastos familiares dos brasileiros” Wikipédia (2011), o agronegócio é um importante meio de desenvolvimento econômico e o principal gerador de renda de nosso país. Todavia, foi observado que o mesmo não é explorado como deveria ser (tecnologia, comercialização, processos produtivos…) principalmente pelos pequenos produtores rurais.

Dessa maneira empresas brasileiras estão aderindo a uma, pouco conhecida, tecnologia. Trata-se de implantar a internet/informática em seus processos gerenciais, devido ao grande leque de vantagens que a mesma oferece. Mas, antes de explicá-la, vamos conhecer um pouco sobre seu surgimento.

“A necessidade da informação criou a internet que hoje conhecemos. Assim como destruição, as guerras trazem avanços tecnológicos em velocidade astronômica, foi o caso da internet que surgiu na guerra fria em 1960 a 1970” Nicolas Muller (2008). O governo norte-americano queria desenvolver um sistema para que seus computadores militares pudessem trocar informações entre si, de uma base militar para outra e que mesmo em caso de ataque nuclear os dados fossem preservados. Seria uma tecnologia de resistência. Foi assim que surgiu então a ARPANET, o antecessor da Internet.

Após isto o projeto da internet era coligar universidades para que fosse possível uma transmissão de dados de forma mais eficaz, rápida e segura.  No Brasil a internet iniciou em 1988 quando no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), localizado no Rio de Janeiro, conseguiu acesso à Bitnet, através de uma conexão de 9 600 bits por segundo estabelecida com a Universidade de Maryland.

Fazendo uma comparação aos dias atuais, o mercado de trabalho também tem características de uma guerra mundial, devido à grande competitividade das empresas que ultrapassou as fronteiras de suas nações e que hoje se dá em escala global graças à globalização. Com tanta competição, devemos aderir as mais diversas armas pra sobreviver no ‘campo de batalha’ (Mercado). De sorte, dispomos hoje da mesma arma que os EUA utilizaram naquela época, porém mais sofisticada, simplificada, e o mais importante, mais barata!

Como mostra a reportagem do Jornal do Brasil (2011) “São Paulo – O percentual de empresas que têm e usam computador e internet no Brasil cresceu 2% em três anos. O índice passou de 95%, em 2007, para 97%, em 2010.”

Apesar de ser um investimento promissor, a adequação do empreendimento ao uso da mesma é barrada por alguns obstáculos que atingem não só o agronegócio em si, mas a economia local onde a empresa esta inserida, a modernização do meio rural e o atrofiamento da pesquisa e do ensino de classes menos favorecida (inclusão digital).

Esse atrofiamento da informação no meio rural gera uma grande escassez de informações ao pequeno produtor: falta de informações sobre a lavoura, sobre os preços dos produtos, sobre as variações do mercado, sobre melhorias de plantio, enfim sobre todo o processo produtivo e comercial.

Ocasionando assim vários resultados negativos em toda logística organizacional da empresa. É neste contexto que entra a principal vantagem da internet para os pequenos produtores: a disponibilidade de informações a um custo realmente baixo. Com explica Aziz Galvão (2005) Dada à possibilidade de acesso a um número incalculável de dados, a baixíssimo custo, o maior problema de quem utiliza a internet para solucionar um problema prático é filtrar os dados que realmente são importantes.”

Caso a empresa, ou até mesmo o pequeno produtor (que é o nosso foco), tenha a necessidade de buscar uma informação sobre determinado problema em sua plantação, ele o fará através de um banco de dados disponível na rede.

Esta solução, se filtrada bem às informações, terá um custo baixíssimo e uma rapidez muito superior quando comparada a uma visita de um engenheiro agrônomo.

Com a implantação da internet e da informática nos processos organizacionais, além de agregar valor ao produto ofertado, o produtor terá disponível o chamado ‘e-commerce’ ou ‘comercio eletrônico’, “cujo sistema possibilita a venda em um raio muito maior de seus produtos, exposição dos produtos a todos os consumidores através dos sites especializados e a formação de parcerias com redes sociais” explica Aziz Galvão (2005).

Além disso, há a possibilidade de participação em grupos de compra e venda de materiais e insumos aumentando, portanto, o poder de barganha dos compradores.

Isto é possível pela velocidade do acesso à informação em tempo real, assim os produtores acompanham os preços mais atraentes e compatíveis com seus empreendimentos nos leilões online e depois recebem estas compras em casa.

“A oferta de informações existente é abundante e cobre ampla variedade de atividades agropecuárias” Aziz Galvão (2005). Alguns portais, como o portal do campo, oferecem recursos mais avançados, nos quais possíveis doenças são indicadas a partir de informações prestadas pelo agricultor.

Sendo assim, a implantação da tecnologia através da internet nos dias atuais torna-se indispensável, estes problemas se tornam menos complexos e a tendência é uma especialização cada vez maior dos produtores, pois são criadas áreas e portais dedicados exclusivamente à formação acadêmica dos produtores rurais e estudantes à distancia, contribuindo também para o combate do analfabetismo que, infelizmente, ainda é grande na zona rural.

Todavia, em muitas regiões Brasileiras as ligações telefônicas são ruins, dificultando assim o desenvolvimento dessa tecnologia pelos pequenos produtores. Explica o Prof. Aziz Galvão (2005) “o mais importante obstáculo para o avanço da informática no meio rural será a falta de recursos financeiros e humanos. O maior risco para o país é o aumento do desnível tecnológico entre produtores modernos e produtores rurais de subsistência.“

Aziz Galvão é Cordenador do Pólo de Software da UFV Engenheiro agrônomo e Mestre em Economia Rural pela UFV, Doutor em Administração Rural pela Universidade de Bonn, Alemanha.

Coordena o curso de administração voltado ao agronegócio e orienta os novos empreendedores sobre a importância da adequação e implantação do processo tecnológico na logística empresarial dos pequenos produtores, principalmente com a adequação da cultura e das práticas comerciais com o uso da rede mundial de computadores, pois, segundo ele, é uma questão de “sobrevivência”.

DISCUSSAO E RESULTADOS

DISCUSSÃO

Existem várias iniciativas interessantes quanto ao uso das redes de internet              no agronegócio Brasileiro. Um exemplo disso é o site “espiga de milho”, ele é o primeiro site de compras coletivas voltada à área rural. O site reúne produtores interessados na aquisição de todo tipo de produto, defensivos, equipamentos,      maquinário pesado etc.

Todavia, o Brasil ainda está a quem do desejado, “O agronegócio brasileiro é admirado no mundo por sua eficiência, mas está muito atrasado quanto à exploração das possibilidades da internet. Europeus e norte-americanos estão muito à frente”, afirma José Cláudio Terra (2011), presidente da consultoria Terra Fóruns, especialista em gestão de conhecimento, e com vasto trabalho na área de avanço cientifico e intelectual voltados à micro e pequena empresa no Brasil.

Diante disso, o grande desafio a ser discutido aqui sobre a implantação da internet no processo produtivo e comercial dos pequenos produtores do agronegócio Brasileiro, está fundamentado em dois aspectos, a saber:

Aspecto Cultural

Apesar dos vários benefícios apresentados neste projeto, há um fator primordial quanto à adoção pelos pequenos produtores, trata-se do aspecto cultural.         É importantíssimo que aja uma conscientização por parte da mídia em relação à implantação da tecnologia nos negócios de forma geral, especialmente ao agronegócio praticado pelo pequeno produtor.

Devido a uma questão de tradição, muitos produtores de pequeno porte resistem à era da tecnologia, principalmente por não terem aprendido essas técnicas avançadas, que a globalização proporciona, por seus antepassados.

Isso ocasiona uma grande barreira no processo produtivo inviabilizando os benefícios potenciais que estão à disposição por um preço baixíssimo quando olhamos o custo-benefício que a rede mundial de computadores nos oferece. E por último, mas não menos importante, ocasiona ainda uma baixa rentabilidade da economia brasileira, enquanto países como EUA, França e Inglaterra estão muito a frente e com um número de produtores online bastante superior.

Aspecto Estrutural (infra-estrutura)

Com o avanço da telefonia, os grandes produtores levam grande vantagem quanto ao uso da internet, por esses terem um maior capital disponível para futuros investimentos e manutenção do sistema estrutural que a computação requer. Aumentando assim o abismo entre pequenos e grandes produtores que excluem grande parcela dos agricultores de pequeno porte.

Devido ao aumento da pressão por eficiência nas empresas rurais, agricultores que não tiverem acesso à tecnologia da informação, certamente, ficarão em situação ainda mais desfavorável.

RESULTADOS

Neste capítulo mostrarei os principais avanços e resultados no sistema produtivo e comercial de empresas Brasileiras que aderiram à internet. O perfil do homem Rural está passando por transformações, transformações essas ocasionadas principalmente pela Globalização, gerando assim novas idéias que deverão ser levadas em conta, pois a empresa deve modificar-se à medida que o mercado muda.

O computador e tantas outras novas tecnologias conquistaram produtores e empresários do setor agrícola. Estas pessoas perceberam que sem a internet, perde-se dinheiro, mercado e informações muito importantes nos dias atuais. Com isso, o número de produtores, estudantes e até mesmo consumidores que estão acessando sites especializados no ramo do agronegócio cresce cada vez mais.

O aumento direto da utilização das redes sociais como Twitter e Facebook pelos profissionais do setor mostram uma abordagem inédita no mercado sobre como as empresas integrantes da cadeia do agronegócio estão agregando valor aos seus serviços por meio das facilidades digitais, como interatividade e compartilhamento.

Os resultados também estão presentes na área da pesquisa e conhecimento, com a Rede de Inovação Tecnológica para Defesa Agropecuária (RIT DA). Ela possui grande variedade de ferramentas de interação, o site funciona como uma sala de discussão dividida entre profissionais do ramo e leigos, dando assim a chance dos pequenos produtores, mesmo não sendo peritos no assunto, integrarem-se e participarem das discussões acerca de temas relevantes à comercialização e aprimoramento de suas logísticas.

Esta iniciativa já conta com 3.577 usuários de todos os Estados do País, mostrando mais uma vez a importância da adoção das redes de internet entre os produtores rurais.

ü  “RuralBR o novo portal do Agronegócio Brasileiro , site é responsável por grande aumento de vendas no setor do agronegócio.” TERRA FÓRUM (2010)

“Nossa proposta de valor é fomentar a inclusão digital com o objetivo de facilitar o dia-a-dia de toda a comunidade do agronegócio.” Plataforma RuralBR (2011)

Os resultados positivos são visíveis logo nos primeiros anos de divulgação, isto é possível graças à grande “teia” que a empresa é inserida ao fazer a assinatura no site, vejamos:

Interação com outras redes de comercialização

Desse modo a empresa que se inseri na rede sob o sistema de parceria aumenta o acesso a seus produtos, acarretando uma maior venda e um desenvolvimento maior de seus sistemas de comercialização em um curto prazo de tempo

“Duas cadeias de suma importância para a economia brasileira – a avicultura e a suinocultura. Representantes dos setores teriam aumentado sua participação dentro do mundo digital, o que justifica o crescimento no acesso destas pessoas em sites especializados.” (TERRA FÓRUM 2010)

Resultados de Sites setoriais como Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial depois do uso da internet no tocante aos acessos a seus produtos (em milhares) .


 

Fonte: http://www.correiodoestado.com.br/noticias/cresce-presenca-do-agronegocio-na-internet_119694/

CONCLUSÃO

Em vista dos argumentos expostos, conclui-se que a globalização trouxe a tona ferramentas que vão além da simples comunicação à distancia, a internet como principal prova disso, veio para contribuir em todas as áreas da vida dos seres humanos, promovendo um maior bem estar e facilitando as tarefas do cotidiano.

São inquestionáveis os resultados que os empreendedores dispõem com essa poderosa ferramenta –internet-, pois o pequeno agricultor, outrora excluído do mercado competitivo, identifica a real possibilidade de lucrar mais(venda e compra), desenvolver-se mais e contribuir, desse modo, com a economia do meio em que atua. Tudo isso fazendo a utilização de uma “arma”, que será em um futuro próximo, acessível a todos os seres humanos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GESSULI, ANDREA. Cresce presença do agronegócio na internet. São Paulo-SP, Out. 2011, Disponível em <http://www.correiodoestado.com.br/noticias/cresce-presenca-do-agronegocio-na-internet_119694/> Data de acesso: 22/09/2011

TERRA, J. C. Agronegócios 2.0, benefícios das redes sociais para o agronegócio. Terra Fóruns Consultores. Data de acesso: 23/09/2011

CONCEIÇÃO, ANA. Agronegócio brasileiro explora pouco o potencial da internet. Agência Estado, Fev. 2011. Disponível em <http://www.neloregrendene.com.br/noticias_.asp?cod=121> 25/09/2011

SILVA JUNIOR, A. G. Impacto da internet no Agronegócio. Viçosa-MG, Out. 2005, Disponível em < http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=22932> Data de acesso: 26/09/2011