O Regionalismo na obra “Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna.

Anaclegia Macêdo Gomes*

anaclegiamg@hotmail.com

RESUMO

No intuito de fazermos uma breve leitura do Auto da Compadecida de Ariano Suassuna, o nosso trabalho levará em consideração as características do movimento o qual esteve inserido. Neste projeto destacamos a Semana de Arte Moderna, Literatura de trinta/Regionalismo e o Movimento Armorial. Este percurso nos deu subsídio para lermos a obra citada, pois as características do Movimento vivido por Ariano Suassuna ecoam na mesma no que se refere aos folhetos do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel). Por fim concluir que o Regionalismo encontra-se presente em todas as obras de Ariano Suassuna.

PALAVRAS-CHAVE: Regionalismo; Auto da Compadecida; Ariano Suassuna.

O REGIONALISMO NA OBRA “AUTO DA COMPADECIDA”

Em 1926, Gilberto Freyre publicou o Manifesto Regionalista, que era contrário à Semana da Arte Moderna que se realizou em Fevereiro de 1922 e foi marcada pelo regionalismo. O Manifesto Regionalista trata-se de um movimento que não exalta a inovação que atualizaria a cultura brasileira em relação ao exterior, mas que deseja ao contrário, mas especificamente a de uma região economicamente atrasada. (OLIVEN, 2008, p. 6).

A Literatura de 30 teve caráter neo-realista e voltou-se principalmente para os temas regionais, mas não deixou de chegar também às grandes cidades que começavam a se destacar como metrópoles. A linguagem ousada dos modernistas foi sendo substituída pela direta, com ênfase ao coloquial e popular na obra de arte literária.

O Regionalismo é a parte fundamental da literatura brasileira desde sua formação. A literatura regionalista, intencionalmente ou não, traduz peculiaridades locais, expressando os traços do momento histórico e da realidade social, podendo-se falar tanto de um regionalismo urbano quanto de um regionalismo rural. (FREYRE, 1976, s/p).

*Pós-graduada pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA

O Movimento Armorial surgiu sob a inspiração e direção de Ariano Suassuna, com colaboração de um grupo de artistas e escritores da região Nordeste do Brasil e o apoio do Departamento de Extensão Cultural da Pró-Reitoria para Assuntos Comunitários da Universidade Federal de Pernambuco. Para Ariano (2008), a arte armorial não retrata e nem ignora a realidade. Procura recriá-la poeticamente. O Movimento Armorial teve três momentos ao longo de sua história: o Experimental, o Romançal e o Arraial. (VICENTE,2008, p. 7).

O Auto da Compadecida foi escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste. Esta obra nasceu da fusão de três folhetos de cordel: O enterro do cachorro, O cavalo que defecava dinheiro e O castigo da soberba. (SUASSUNA, 2005, p. 179).

Ariano Vilar Suassuna, advogado, professor, teatrólogo e romancista, nasceu no ano de 1927, em João Pessoa/PB. Em 1955, “Auto da Compadecida” o projetou em todo país.

Ariano Suassuna acredita que: “Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial”.

REFERÊNCIAS

FREYRE, Gilberto. Manifesto Regionalista. 6ªed. Recife, MEC – Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais, 1976.

OLIVEN, Ruben George. O nacional e o regional na construção da identidade brasileira. Disponível em:http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs0002/rbcs0207.htm Acesso em: 04 jan. 2010.

SUASSUNA, Ariano. Auto da compadecida. 35ª ed. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

VICENTE, Severino. Movimento armorial. Disponível em: http://profbiuvicente. blogspot.com/2008/04/movimento-armorial.html Acesso em: 04 jan. 2010.

WIKIPÉDIA Ariano Suassuna. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/ Arianosuassuna Acesso em: 04 jan. 2010.