Auto-Hemoterapia, a cura em meu sangue

Há alguns anos muito se falou sobre um novo tratamento, um tratamento revolucionário, que teria praticamente “custo zero”, que traria inúmeros benefícios a quem dele fizesse uso: a Auto-Hemoterapia (AHT)

Um médico clínico geral de nome Dr. Luiz Moura divulgou um vídeo demonstrando as vantagens, os benefícios e a praticidade de se utilizar a AHT como terapia, não como coadjuvante, mas como terapêutica definitiva de diversas moléstias. Foi um estrondo, seria esse realmente o tratamento definitivo para muitos males? A cura estaria mesmo circulando dentro de nossas veias e até então ninguém sabia disso? Por que tal maravilha não havia sido divulgada até então?

Neste vídeo, o Dr. Luiz Moura utilizava sua própria esposa como usuária desta “nova” terapêutica, além de se dizer também usuário da AHT. Como um rastilho de pólvora a tal prática “pegou” e foi largamente divulgada e utilizada por inúmeras pessoas, mesmo sem comprovação científica de tal tratamento, em contrapartida houve uma reação quase que imediata dos conselhos de classe referentes aos profissionais médicos (CRM) que prescreviam tal tratamento e o referente aos profissionais de enfermagem (COREN), que administravam a AHT, fazendo a coleta do sangue do paciente por via venosa e aplicando-o imediatamente por via intramuscular no próprio doador.

Mas afinal o que é a auto-hemoterapia? Segundo texto encontrado no site <http://www.rnsites.com.br/autohemoterapia-corensp.htm> diz-se:

“É uma técnica simples, em que, mediante a retirada de sangue da veia e a aplicação no músculo, ela estimula um aumento dos macrófagos, que são, vamos dizer, a Companhia de Limpeza Urbana do organismo.

Os macrófagos é que fazem a limpeza de tudo. Eliminam as bactérias, os vírus, as células cancerosas, que se chamam neoplásicas. Fazem uma limpeza total, eliminam inclusive a fibrina, que é o sangue coagulado. Ocorre esse aumento de produção de macrófagos pela medula óssea porque o sangue no músculo funciona como um corpo estranho a ser rejeitado pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE). Enquanto houver sangue no músculo o Sistema Retículo Endotelial está sendo ativado. E só termina essa ativação máxima ao fim de cinco dias.

A taxa normal de macrófagos é de 5% (cinco por cento) no sangue e, com a auto-hemoterapia, nós elevamos esta taxa para 22% (vinte e dois por cento) durante 5 (cinco) dias. Do 5º (quinto) ao 7º (sétimo) dia, começa a declinar, porque o sangue está terminando no músculo. E quando termina ela volta aos 5% (cinco por cento). Daí a razão da técnica determinar que a auto-hemoterapia deva ser repetida de 7 (sete) em 7 (sete) dias.

Essa é a razão de como funciona a auto-hemoterapia. É um método de custo baixíssimo, basta uma seringa. Pode ser feito em qualquer lugar porque não depende nem de geladeira – simplesmente porque o sangue é tirado no momento em que é aplicado no paciente, não há trabalho nenhum com esse sangue. Não há nenhuma técnica aplicada nesse sangue, apenas uma pessoa que saiba puncionar uma veia e saiba dar uma injeção no músculo, com higiene e uma seringa, para fazer a retirada do sangue e aplicação no músculo, mais nada. E resulta num estímulo imunológico poderosíssimo.”

Mas se este tratamento é tão eficiente, por que nunca foram realizados estudos e publicações científicas no Brasil e a AHT não é reconhecida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), sendo que esses dois últimos proíbem profissionais inscritos em seus respectivos conselhos de prescrever ou administrar tal tratamento.

Em nota técnica a ANVISA diz no íten 7 da NT nº 1 de 13 de abril de 2007:

Auto-Hemoterapia: Considerando os questionamentos recebidos pela Gerência de Sangue e Componentes – GGSTO/ANVISA, sobre a prática denominada de “auto-hemoterapia” esclarecemos o que segue:

7. O procedimento “auto-hemoterapia” pode ser enquadrado no inciso V, Art. 2º do Decreto 77.052/76, e sua prática constitui infração sanitária, estando sujeita às penalidades previstas no item XXIX, do artigo 10, da Lei nº. 6.437, de 20 de agosto de 1977.

O CFM em seu Parecer de nº 12/2007 traz o seguinte texto em seu parágrafo derradeiro:

“Enfim, não existem evidências confiáveis em revistas científicas de elevado padrão de que a auto-hemoterapia seja efetiva para qualquer doença em seres humanos. Não existem estudos que demonstrem sua segurança. Da mesma forma, não há sequer pesquisas em animais que informem acerca de algum parâmetro farmacológico de interesse clínico. Ela, no entanto, não é um método terapêutico pseudocientífico, pois pode ser testada com rigor. Isso não lhe confere um átimo de validade, senão a possibilidade de ter algumas de suas indicações devidamente testadas. Em conclusão, a auto-hemoterapia não  foi submetida a testes genuínos, não foi corroborada, em nada além de indícios, casos isolados narrados com dramaticidade, que pouco se prestam a provar coisa alguma perante a ciência e que ampare o seu valor, sendo o seu uso atual em seres humanos uma aventura irresponsável.”

Por último o COFEN em sua Resolução de nº 346/2009 onde tem como resenha a proibição da prática de auto-hemoterapia diz:

“Art. 1º É proibida a prática da auto-hemoterapia por profissionais de enfermagem, em todo o território nacional.

Parágrafo único – a prática da auto-hemoterapia por parte dos profissionais de enfermagem caracteriza infração ética sujeita às sanções disciplinares, prevista na Resolução COFEN nº 311/2007 (Código de Ética dos profissionais de enfermagem)”.

Então partamos para o que de fato vem a ser o sentido deste artigo: A AHT funciona realmente? Se funciona, por que é tão contestada por conselhos profissionais e vigilância sanitária?

Como estudante de graduação de enfermagem, iniciei uma pesquisa sobre o assunto, devido tal matéria ser o tema do meu Trabalho de Conclusão de Curso, item obrigatório para alcançar a Graduação; pesquisa onde pude verificar que realmente os pacientes que fazem uso da AHT realmente garantem se sentir melhores em relação à várias moléstias, dentre elas posso citar males como baixa imunidade,alergias, asmas, determinadas lesões de pele, redução de nódulos nos mais variados lugares do corpo, chegando ao ponto de homens referirem melhora no seu desempenho sexual e mulheres relatarem uma melhora acentuada na textura de suas peles.

Pude ver através de estudos em laboratório, assistido por um biomédico, que exames realizados com o sangue doado por voluntários e com autorização para publicar os resultados, que as pessoas que fazem uso da AHT realmente têm uma elevação gradual e significativa do número de Leucócitos (células de defesa do organismo), e isso por si só no meu humilde modo de vista deveria ser levado em consideração pelas autoridades sanitárias.

Claro que há relatos de dores no local da aplicação, presença de hematoma (extravasamento de sangue por debaixo da pele), porém todos que fizeram uso da AHT em nenhum momento se mostraram arrependidos e se dizem satisfeitos com os resultados e que continuarão a dela fazer uso, mesmo com a proibição da ANVISA, CFM e COFEN, o que expõe o outro lado da história: se o médico não prescreveu e a enfermagem não pode aplicar, como tal terapia vem sendo administrada?

Bem, posso dizer que com toda precaução e ressalvas que tais conselhos e agências fazem sobre o uso da AHT o método é bastante difundido, praticado e adotado por médicos, mesmo que secretamente e administrado por profissionais ora habilitados, ora práticos, pois sabemos que o Brasil sempre foi e ao que parece permanecerá sendo por um bom tempo um país de “jeitinhos”.

Emilio José de Oliveira Queiroz

Acadêmico de Enfermagem

Centro Universitário Eaprenda

Julho de 2012

Fontes de pesquisa:

– Site : <http://www.crmpr.org.br/ver_noticias.php?id=903>, acesso em 02 Jul. 2012

– Site: <http://www.crmpr.org.br/ver_noticias.php?id=903>, acesso em 16 Jul. 2012

-Site:<http://www.portalmedico.org.br/pareceres/cfm/2007/12_2007.htm>,acesso em 30 Jul. 2012

– Site: <http://site.portalcofen.gov.br/node/4372>, acesso em 31 Jul. 2012

– Laboratório de Análises Clínicas do Centro de Saúde José Mendonça, em Correntina/BA