Logomarcas “moderninhas”

LOGOMARCAS NA ERA DA INFORMÁTICA

Hoje, com os recursos da computação gráfica, pode-se tudo. Só depende da habilidade do profissional que vai “criar” a logo com os programas disponíveis. É ai que mora o perigo. A utilização desses recursos em excesso, como sombra, brilho, volume, borda, sobreposição, degradée, distorção, desenhozinho, vinhetinha, tracinho moderninho e etc, quase nunca significa bons resultados nem para a concepção da logomarca e nem para a imagem das empresas.
Só as grandes empresas têm oportunidade de contratar agências alinhadas com a linguagem de comunicação do mundo, as pequenas e médias cuidam da sua identidade visual com os profissionais disponíveis em toda parte. Alguns talentosíssimos e outros nem tanto. Uma coisa todos têm em comum: o conhecimento dos recursos que a computação gráfica oferece. Na maioria das vezes, ao criarem a identidade visual para o cliente, acabam fazendo uma verdadeira demonstração desses conhecimentos, e só.

O próprio cliente pode influir neste processo sem perceber, por não ter conhecimento de comunicação, acredita que a linguagem visual da sua empresa precisa ser “enfeitada”. Então valoriza e paga melhor pela logomarca com pirotecnias e pouco tempo depois ele enjoa e pede outra criação. Depois não entende porque a marca não fixa na cabeça do consumidor.

É fácil identificar o tamanho da empresa pela sua logomarca. Funciona mais ou menos assim: quanto mais elementos a marca tem, menor é a empresa e menos experiente o profissional de comunicação que a criou.

As grandes empresas buscam através de sua comunicação valores relacionados a intagibilidade, o valor da marca, conceitos como credibilidade, objetividade, seriedade e postura de empresa sólida. Basta observar logomarcas de empresas como a Sony, Samsung, HP, Fiat, Vivo, Seiko, Visa, Banco do Brasil, Unibanco, Microsoft, entre tantos outros exemplos de grandes marcas do mercado mundial, e concluímos que em todas não existem muitos elementos.

A regra é a seguinte, estes “enfeites” só fazem dificultar e distorcer a comunicação. Cada recurso disponível no computador, é uma ferramenta a mais para o artista usar na hora certa, não na logomarca. Para personalizar uma marca, a arte está na escolha da tipologia certa e na cor ideal que facilitem a leitura. Quanto mais efeitos e cores, mais dispendiosa e difícil será a reprodução.

Deve haver um critério a ser considerado na aplicação de recursos como uma sombra ou um brilho que pode valorizar a foto de um produto, sempre com um objetivo real. Cuidado ao colocar efeitinhos só porque fica bonito!

Sim, existem exceções, alguns segmentos do mercado precisam e merecem um tratamento visual carregado de efeitos, como exemplo posso citar as logomarcas e peças de comunicação de eventos, festas, boates, shows, circo e etc. em que se faz necessário passar modernidade, juventude, agitação, badalação. Nestes casos, quanto mais efeitos e vinhetinhas melhor.

Aos profissionais que insistem em usar pirotecnias nas peças que criam por acharem que é moderno, sugiro aos que podem, que frequentem os festivais de Cannes, Londres, NY, Rio, SP entre outros. É a melhor forma para trocar informações, entrar em contato com o mercado, sempre com a mente e o coração abertos para adquirir conhecimentos, sem resistência. Não tem dinheiro para freqüentar festivais? Nem eu. Então veja tudo na internet, pesquise, busque as peças, reportagens com criadores, fóruns de discussão, estude.

Em resumo, para que a sua empresa passe uma imagem de credibilidade, segurança, seriedade e modernidade, tenha uma logomarca sem pirotecnias. Se a sua marca está poluída mas já é conhecida, você pode “limpá-la”, tirando os excessos visuais, sem perder a identidade e o investimento que já fez na marca.
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Marcos Frauches é consultor de marketing e palestrante com foco em pequenas e médias empresas.  marcos.frauches@gmail.com – www.marcosfrauches.com.br

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