O caso da Isabela Nardoni

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O Caso da Isabela Nardoni
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> Gritos de para pai, peritos aterrorizados com o crime, pais assassinam a filha por estrangulamento, ora não se sabe se é a madrasta ou o pai, a situação da defesa tentando esconder o obvio, criança é atirada pelo sexto andar, desespero e sentimento de revolta, a desorientação das famílias brasileiras, filhos olhando torto para seus pais, cidadão sensíveis tendo ataques psicossomáticos diante do ocorrido (…) a sociedade em crise…
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> Se tem algo que não entendo é a sociedade… não entendo o horror do caso de Isabela.Afinal trabalhamos para que casos como esses aconteçam.Patrocinamos uma sociedade exclusiva e insensível com nossa atitudes,produzimos diariamente psicopatas ,crimes bárbaros..onde esta o horror de tudo isso?
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> Estamos miopres de tal forma atualmente que o mundo anda separado: o eu-lirico e o mundo, o meio ambiente e o homem, o homem e a mulher, o eu e o outro. E ate parece que psicopatas emergem do nada são anomalias como obras demoníacas que brotam do alem, ou um desvio de comportamento, em que a sociedade e individuo não se coexistem e formam uma unidade.
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> O Arnaldo Jabor escreveu no caso da Susane em que diz que crimes hediondos como esse, tanto de parricídio quanto o de matricídio tocam em nosso mistério.Eu não acho Ele acredita que crimes assim nos desorganiza eu discordo.
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> Se agente pensar bem as pessoas certamente não querem nem imaginar que tenha sido o pai que matou a criança.Sabe por que?Por uma razão muito simples: elas não querem pensar .. elas não querem se desorganizar, elas não querem refletir,pois elas preferem acreditar em deuses, demônios fim dos tempos ou que o assassino era que tinha um desvio, e não nos é que somos o desvio.
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> Não queremos imaginar por que da trabalho,e principalmente porque reflete a falta de nos mesmos quanto pessoas humanas e cidadãs. Reflete um lado social que ninguém quer pensar e empurra com a barriga.Reflete reformas institucionais que estão para ser feitas e que por não faze-las, acaba fabricando monstros a cada dia.
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> As escolas é uma delas,o sistema penitenciário quando não devolve a dignidade do ser humano, as cadeias, quando realmente perderam o sentido de reflexão de crimes para proliferação de bandidos.A nossa falta de imaginação política, a realidade que ninguém quer enxergar, por que parar para pensar nisso estressa e nos cria rugas. Por que é muito mais interessante entendermos de plantas ,bichos,arquitetura,designer se esconder por detrás de funcionalismos,cargos de burocracia, onde o não fazer nada e o ganhar muito é o que importa.
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> E è nesse cenário fértil que os psicopatas brotam.Desses intervalos em que ser radical não leva a nada,quando desisto de um aluno e não dou o maximo de mim por ele, quando a pscilogia avalia o individuo e esquece que ele faz parte de um todo,quando os livros de auto ajuda supervalorizam o ego,quando o mundo la fora exige de nos e a educação não sabe o que fazer, quando os intelectuais se escondem atrás de notas e mestres e doutores não decem do salto,quando a moda é o que vale,quando a esquerda se dilui atribuindo desesperança,quando a depressão é vista como uma banalidade e não como um sintoma de apodrecimento social, quando o amor é o reflexo da impassibilidade em que o outro é uma mercadoria, quando a religião nos impõe um ideal de paraíso, onde na verdade é uma projeção do que não conseguimos fazer de melhor por esse mundo aqui,quando eu vejo o despreparo da academia em não conseguir formar graduandos com o menor senso de humanismo,quando eu vejo a teoria e pratica sendo destorcida e se perdendo num ideal de arraso,quando vejo o Gabriel o pensador, passar um bom tempo cantando musica de protesto e depois vai trabalhar para o soletrando,quando “o dom é ser inteligente e não entender” como diz Clarice Lispector.
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> Já dizia Engenheiros de Hawai em somos quem podemos ser: “Quem ocupa o trono tem culpa
> Quem oculta o crime também
> Quem duvida da vida tem culpa
> Quem evita a dúvida também tem”
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> Esse caso mostra bem latente uma sociedade de uma insensibilidade ferrenha onde a falta do sentimento direcionada ao casal, talvez seja de fato a nossa insensibilidade, o julgamento que se buscamos para o casal que tenha cometido o crime, seja de falto o julgamento que estamos precisando, a pena máxima que querem para o crime e o sentimento de injustiça é que no fundo no fundo reflete o quanto queremos sobrepor as leis superficiais e não delegarmos a nossa responsabilidade ao caso que é muito mais social do que um mero transtorno de personalidade.
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> Esperamos aniosos para que os pais sejam presos , que a justiça seja feita e a nossa crise sanada.Mas esse episódio não se encerra por essa falsa justiça, novos monstros estarão nos esperando aqui fora para por em cheque os nossos paradigmas.E só assim talvez diante da tragédia é que podemos nos tornar mais humanos e as coisas, quem sabe, saírem do lugar.
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> *Por Danillo Cerqueira Barbosa, professor e estudante 19/04/2008

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