O MECANISMO PEDAGÓGICO E A CONTEXTUALIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA DA ESCOLA

O MECANISMO PEDAGÓGICO E A CONTEXTUALIZAÇÃO SÓCIO-ECONÔMICA DA ESCOLA

Edson Cardoso dos Santos Filho1

RESUMO: O Artigo intitulado “O Mecanismo Pedagógico e a Contextualização Sócio-Econômica da Escola” faz parte de um dos capítulos do trabalho de conclusão de curso “Analfabetismo funcional: herança familiar e escolar”2 fundamenta-se nos três principais métodos de pesquisa utilizados em trabalhos científicos: descritivo, exploratório e experimental/causal. A Comunidade escolar e a sala de aula foram os campos de estudo deste projeto. Constatou-se que as causas do baixo índice de aproveitamento escolar, nesta instituição de ensino público, Escola Municipal Major Pereira Adolfo Maia, encontram-se calcadas em cinco elementos estimuladores do péssimo rendimento escolar: má alfabetização (escola), desatenção (família), hiper-atividade (família), heterogeneidade ou diversidade (escola) e falta de conhecimento pedagógico-cognitivo e de ensino-aprendizado por parte dos professores (escola).

PALAVRAS-CHAVE: Analfabetismo funcional. Aproveitamento escolar. Construtivismo. LDB

Introdução: A indispensabilidade de conhecimentos pedagógicos por parte dos professores para a eficiência da aprendizagem no ensino básico.

Entender o mecanismo do processo de ensino aprendizagem é essencial e obrigatório para os professores. Em contrapartida, dever primordial dos gestores das escolas, nas Reuniões de Planejamento, traçar metas de aprimoramento desses saberes científicos e pedagógicos para nivelação das linguagens dos docentes. Sem isso a comunicação não será estabelecida nas reuniões pedagógicas e por mais que tenhamos boa vontade não obteremos êxito nos planejamentos e conseqüente prática educativa.

Currículos também refletem prioridades ou necessidades políticas, econômicas ou socioculturais. Por exemplo, em épocas de grande desenvolvimento econômico, são enfatizados matérias ou conteúdos mais profissionalizantes. Se um país enfrenta ameaças externas, provavelmente aumenta a pressão para que as escolas tratem de conceitos como solidariedade e nacionalismo. Se um país atravessa longo períodos de paz interna, tenderão a aumentar a tolerância e o respeito, e a surgir alternativas educacionais. A urbanização leva às escolas a se preocuparem com questões como a do trânsito ou da violência urbana. O desmatamento e às agressões à natureza levam à necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a ecologia e equilíbrio ambiental. Os valores gerais, as situações vivenciais, as possibilidades de expressão tendem a formar a base da pergunta: para que ensinar? (OLIVEIRA, 2001, p. 198)

Como se depreende desse excerto, o papel do professor é bem mais amplo que apenas transmitir informações da disciplina. A palavra ensinar é polissêmica e podemos dizer, ainda, que ensinar é educar através de um currículo. Mas o que seria currículo?

São essas indagações que devem ser significativas para o professor. As respostas a cada uma delas e a consciência desses saberes científicos por parte dos educadores, subsidiam-nos em seus trabalhos de sala de aula e os atualizam com a realidade política, econômica, cultural e social em que a educação se encontra contextualizada em cada momento de nossa história.

Oliveira (2001.p.199), em sua obra, amplia o conceito de currículo em função das variantes sociais de um país. Ele vai mais longe, busca associá-la à palavra “tradicional” mostrando um outro foco desconhecido para os professores.

Toda educação digna do nome tem como objetivo preservar, perpetuar e reproduzir a cultura e seus valores. Esse é, inclusive, um3 imperativo para a sobrevivência das espécies. Nesse sentido, toda educação é conservadora, visa perpetuar a tradição. Só que a palavra “tradição”, na sua raiz etimológica (vem do verbo tradere, trazer para diante), não significa preservar, congelar, mas, sim, atualizar. Portanto a palavra “tradicional”, vista por muitos com uma conotação pejorativa, é elemento constitutivo de qualquer projeto educativo.

O professor que não se encontra atualizado, desconhecedor dessas informações, toma por certo, ainda que de boa vontade, o errado. A palavra adequação acaba em sua prática se tornando inadequada, pois é necessário o intercâmbio estreito entre a ciência da pedagogia e as demais disciplinas. Não sendo assim, a interação entre professores e gestores nunca entrará em harmonia quanto aos objetivos a serem atingidos e o principal prejudicado será sempre o estudante.

Considerações finais: A necessidade do olhar perplexo, romântico e literário para a realidade de nossa educação.

Não podemos ficar inerte a toda essa situação. Há um poema que bem expressa em sua linguagem esse sentimento de perplexidade que vem aumentando a cada ano, mas não é novidade, trata-se do “Salmo perdido” de Dante Milano:

O mundo não é mais a paisagem antiga, a paisagem sagrada.Cidades vertiginosas, edifícios a pique, torres, pontes, mastros, luzes, apitos, sinais. Sonhamos tanto que o mundo não nos reconhece mais. As aves, os montes, as nuvens não nos reconhecem mais. Deus não nos reconhece mais. (OLIVEIRA, 2001, p.3)

Há um apelo por parte do autor em fazer com que nos conscientizemos para a pergunta que se encontra implícita no texto: o que fazer quando as coisas, não nos reconhece mais? Viramos as costas, fingimos que ensinamos, omitimo-nos para o não aprendizado ou transformamos a nós mesmos e a tudo isso?

Falta-nos, professores e gestores, empunharmos a bandeira referencial dos valores basilares de uma sociedade justa e solidária e incutir em nossas crianças e adolescentes, sem a vergonha de sermos taxados de antiquadros, princípios morais que nada tem a ver com ultrapassado e sim com atitude formadora de verdadeiros responsáveis com novos cidadãos.

Tem-se a concepção errônea de que tudo que é antigo é ultrapassado, não pertinente para a época atual. Ledo engano. Devemos retirar do sótão de nossas memórias e pôr em prática os ensinamentos que um dia tivemos de nossos antigos mestres. Não conhecemos ninguém da educação com respeito, com valores morais bem definidos, que emergiram daquela época para a atual que possa, no mais fundo de seu íntimo, não agradecer pro ter sido daquele jeito. Não existe milagre, exigir do professor o cumprimento da instrução e do ensino, a avaliação quantitativa prevalecendo sobre a qualitativa e não o contrário cria no alunado a pré-disposição a disciplina, ao respeito e responsabilidade. Todo o objetivo alcançado é reflexo de um trabalho árduo, cansativo e persistente.

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1 Especializando da Pós-Graduação Em Metodologia da Língua Portuguesa, atualmente professor da Escola Municipal de Ensino Fundamental Major Pereira Adolfo Maia.

2 Analfabetismo Funcional: Herança Familiar e Escolar (TCC – Pós-graduação em Metodologia da Língua Portuguesa).

3 Embora os valores mudem de época para época, parra se manter a harmonia em uma sociedade alguns princípios básicos não devem mudar jamais: respeito, hierarquia, postura, educação.