PSICOPEDAGOGIA, UM NOVO OLHAR

RESENHA

PSICOPEDAGOGIA, UM NOVO OLHAR

Por Tatiana Reis[1]

Analisando o texto “Da Reeducação para a Psicopedagogia, um caminhar” de Edith Rubinstein graduada em Pedagogia e mestre em Psicologia pela UNIMARCO, sobre a trajetória da Psicopedagogia, podemos observá-la como uma ciência norteadora dos procedimentos necessários ao trabalho com crianças que apresentavam algum tipo de barreira intransponível à sua aprendizagem, objetivando o reconhecimento das capacidades individuais e procurando eliminar os obstáculos que a impediam de aprender.

Esta difícil tarefa, fez com que a Psicopedagogia, se unisse às demais áreas que lidam com o ser humano, procurando maiores fundamentações teórico-práticas, hoje tidas veementemente como subsídios indispensáveis a todo e qualquer tratamento Psicopedagógico.

Percebe-se uma evolução no conceito de Psicopedagogia. Quando surge, tem uma visão organicista da dificuldade de aprendizagem. Seu objetivo era fazer a reeducação das crianças portadoras de deficiências.   Avançou ao considerar seu objeto de estudo, o processo de aprendizagem com todas as variáveis que nele interferem. Seu objetivo passou a ser a investigação da etiologia da dificuldade, seu significado para a criança e sua família, a sua modalidade de aprendizagem e reais possibilidades para aprender.

Vale lembrar a definição de psicopedagogia apresentada pelo Código de Ética do Psicopedagogo depois de sua reformulação em 1996, passa ser a seguinte:

“… campo de atuação em Educação e Saúde que lida com o processo de aprendizagem humana; seus padrões normais e patológicos, considerando a influência do meio – família, escola e sociedade – no seu desenvolvimento, usando procedimentos próprios da Psicopedagogia”. (Cap. I; Artigo 1º).

Hoje, define-se a Psicopedagogia como uma área cujo objeto de estudo é o ser cognoscente e que tem como objetivo facilitar a construção da aprendizagem e da autonomia desse ser identificando e clarificando os obstáculos que podem impedir que esta construção se faça.

De acordo com BOSSA, o objeto de estudo da Psicopedagogia é o próprio processo de aprendizagem e seu desenvolvimento normal e patológico em contexto. Sejam estes relacionados com a realidade interna ou com a realidade externa, sem deixar de lado os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que mesmo de forma implícita, estão inseridos em tal processo do trabalho com as questões de aprendizagem.

A autora supra mencionada, propõe que o objeto de estudo deve ser entendido a partir de dois enfoques: o enfoque de caráter preventivo, que corresponde ao ser humano em desenvolvimento e as alterações desse processo podendo esclarecer sobre as características das diferentes etapas do desenvolvimento; e o enfoque de caráter terapêutico, que é a identificação, análise e a elaboração de uma metodologia de diagnóstico e tratamento das dificuldades de aprendizagem.

Ao analisar outros artigos, verifica-se que o fracasso escolar aparece hoje entre os problemas de nosso sistema educacional mais estudado e discutido. Porém, o que ocorre muitas vezes é a busca pelos culpados de tal fracasso e, a partir daí, percebe-se um jogo onde ora se culpa a criança, ora a família, ora uma determinada classe social, ora todo um sistema econômico, político e educacional.

No entanto, se a aprendizagem acontece em um vínculo, se ela é um processo que ocorre entre subjetividades, nunca uma única pessoa pode ser culpada. Alicia Fernández nos lembra que “a culpa, o considerar-se culpado, em geral, está no nível imaginário” (FERNANDEZ, 1994). Compreende-se então, que o reverso da culpa é a responsabilidade. Não existe culpado e sim um responsável por tal fracasso, como também para ser responsável por seus atos, é necessário poder sair do lugar da culpa.

RUBINSTEIN, assim como FERNÁNDEZ (1991) e PAÍN (1985) sugere, ainda, o uso de jogos considerando que o aprendente através desses possa manifestar, suas defesas e seus desejos escondidos em seu inconsciente. Dito que no enfoque psicopedagógico os jogos representam situações-problemas a serem resolvidas, pois envolvem regras, apresentam desafios e possibilita observar como o sujeito age frente a eles, qual sua estrutura de pensamento, como reage diante de dificuldades.

Caberá ao terapeuta saber utilizar-se com habilidade destes recursos e extrair deles o máximo proveito em cada situação vivida com o cliente. Tais instrumentos em si podem ter um efeito terapêutico pelas características que se impõem e que se ajustam as necessidades do paciente. Para que a aprendizagem seja significativa é necessário que se estabeleça relações entre o conhecimento novo e ao anterior. Caso contrario o novo não se sustenta.

Assim sendo, em cada área de atuação, seja em escolas ou em organizações empresariais, o Psicopedagogo precisa ter conhecimento e domínio sobre o assunto pesquisado, elaborando novas aprendizagens, sejam elas afetivas, relacionais, motoras, de hábitos e de atitudes, esse deve estar em constante construção de conhecimento, dentro do ambiente em que o individuo está inserido, mostrando que aprender é ser capaz de fazer, de refletir sobre essa capacidade e transformá-la, não se esquecendo de reconhecer que aprendizagem é vital e inevitável.

REFERENCIAS

CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPP, In: Revista Psicopedagogia. São Paulo. v.12, Nº25, p.36-37, ABPp, 1993.

HOUAISS, Antonio: Minidicionário da língua portuguesa 2ª Ed. Rio de Janeiro: Objetivas 2004

RUBINSTEIN, Edith: Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. SP, Casa do Psicólogo, 1999

SITES DE PESQUISAS:

Disponível em: http://www.partes.com.br/educacao/trajetoria_da_psicopedagogia.asp

Pesquisado em 27/07/2010

Disponível em: http://www2.funedi.edu.br/revista/revista-eletronica3/artigo12-3.htm

Pesquisado em 27/07/2010

Disponível http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/artigos_teresinha_recursospsicop.htm

Pesquisado em 03/08/2010


[1] Pós – Graduanda do Curso de Especialização em Psicopedagogia Institucional e Clínica, no CESUCA – Faculdade INEDI. Professora Me Eliane Moura