A renovação da geografia escolar – uma geografia libertária e humanista

Hoje o mundo esta voltado para os acontecimentos que estão sempre em destaque nas mídias como crise, globalização e os efeitos que vem ocorrendo no nosso planeta causado pela ação humana. Tudo esta interligado e é na escola em que colocamos os maiores problemas da humanidade, e nela que em seus diversos níveis se coloca como contribuinte para achar soluções e meios de superar as crises.

 

Porém não podemos deixar de colocar outros problemas que afligem a sociedade e nos impeça de detectar crises presentes que conduz a nossa sociedade a banalização em relação à vida, seja o preconceito, o desrespeito, injustiças e violências, recorro  às palavras de Freire (2009, p.36): “a pratica preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia”.

O papel da geografia no processo da democratização e humanização diante das rápidas transformações econômicas, políticas e tecnológicas é de formar cidadãos críticos, capazes de intervir quando necessário, em qualquer mudanças ou transformações que afetem o meio em que se insere , seja social ou  ambiental.

 

A nova era, com o avanço tecnológico, onde as pessoas se comunicam atraves de aparelhos, resolvem questões financeiras, estudam, se divertem entre outras atividades esta tecendo uma distância, não havendo aquele contato físico entre pessoas, que se faz necessário a socialização. A máquina se tornou indispensável, e para muitos o melhor amigo, onde confia , escreve seus problemas, declara seus medos, se confessa e se entrega, afinal não tem que olhar nos olhos do outro. O calor humano,  a troca de carinhos e amor estão se tornando virtuais.

Com o final do século XX e a chegada do século XXI, o ensino em geral se deparou com essas transformações motivadas pela revolução técnico-científica-informacional, caracterizada pelas mudanças na organização do espaço e das relações de trabalho e de convivência na sociedade, o que intima os cientistas, pesquisadores e educadores, a uma revisão dos conceitos que embasam as novas pratica.

A Geografia, como ciências, teve grandes progressos em seus vários ramos, até mesmo no ensino. Porém desde o século XVIII ate a última década do século XX, observa-se uma grande transformação escolar resultante do processo de industrialização e urbanização e nesse contexto surge a necessidade de repensar as novas praticas educativas,  as escolhas teóricas,  didáticas e pedagógicas dos professores de Geografia em geral, que trabalham dentro de uma didática humanística.

 

Nesse início do século XXI, é necessário repensar no ensino da Geografia. Uma Geografia que estabeleça um diálogo com o mundo real, comprometida com o conhecimento e proteção do mundo e a formação de cidadania sensível que aprenda o que é solidariedade, abraçar o próximo, ouvir e compreender os problemas de cada um, ajudando a superar dificuldades, não carrega no colo, mas ensina a prosseguir, olhar para frente superando suas deficiências.

 

A  geografia como ciência ou como matéria de ensino se faz presente na vida cotidiana de todo cidadão, seja pelo desejo de conhecer o mundo, pela vontade de entender as mudanças e transformações que ocorrem, pelos desafios postos pelo meio ambiente e todas as previsões catastrófica ou sensatas a esse respeito, pela exigências de planejamento territorial, pelo turismo, ou simplesmente como tarefas escolares do ensino básico. (Callai 1999).

 

Conforme Callai, estudar Geografia nos leva a caminhos onde procuramos se encontra e se atuar como sujeitos capazes de agir e realizar transformações que afetam as sociedades humanas em qualquer parte do planeta, no entanto é preciso determinar uma Geografia crítica sobre o   processo didático-pedagógico no âmbito do domínio dos objetos, das técnicas e da informação. Da mesma forma, levanta questões sobre o ensinar e para que ensinar Geografia.

As diferenças entre as mudanças sócio-históricas e a cultura das instituições, empresas e escolas desse novo século pode ser visto no sistema educacional com a reorganização no sentido de  superar as novas regras impostas pela retração do mercado de trabalho assalariado, aumento ainda mais a diferença entre o ensino ministrado nas classes menos favorecidas e formando indivíduos não críticos, mas para assumir seu lugar na menor escala de empregos por necessidade ou por falta de capacidade para entender o sistema acabam se anulando como cidadão capaz de reivindicar igualdade e mudanças no sistema educacional.

 

Por muito tempo  a tradição geográfica apoiava-se no conhecimento oriundo do trabalho empírico, onde a observação e descrição das paisagens eram os principais pontos de partida para seu desenvolvimento enquanto ciência. Pensar no ensino de Geografia, hoje, leva-nos á compreensão do movimento de renovação desta ciência nos últimos anos.

 

O tema em torno da concepção geográfica levou a variadas construções, gerando reflexões e discussões diferentes acerca do objeto e métodos do pensar e fazer geográfico, e essas tendências influenciaram e influência as práticas de ensino no que se refere ao processo ensino-aprendizagem. As novas abordagens centram-se na concepção da formação como um processo permanente, marcada pelo desenvolvimento da capacidade reflexiva, crítica e criativa, conferindo ao professor autonomia na profissional e elevando seu estatuto profissional. Pontuschka (2007, p.92).

 

O ensino da Geografia não pode, mas ficar amarrado a concepções tradicionalistas, onde a memorização tem o seu principal papel no ensino-aprendizagem, e como uma área do conhecimento com a responsabilidade em tornar o mundo perceptível e explicável para os educandos,  cabendo ao educador criar, planejar e propor situações que abranjam procedimentos de problematização, observação, registro, descrição, documentação, representação dos fenômenos sociais, culturais ou naturais que compõem a paisagem e o espaço geográfico.

 

Se trabalhar no coletivo em muitos casos o resultado é sempre positivo, mas se trabalhar o individualismo na unidade escolar é de grande relevância para um resultado de qualidade e humanizado. Trabalhar com o olhar voltado para a individualidade nos dirige para um referencial contrario a diversidade, as diferenças e desigualdades que configuram nossa formação  política, econômica e cultural.

 

“Sem dúvidas, quando começamos a tomar

consciência da universidade dos  problemas  e  da

repercussão  no universo do local, qualquer  projeto

de educação deve tomar a natureza como o ponto

de partida  de  qualquer  proposta  política,

econômica  e  social. (HENRIZ. 2009, p. 17).”

 

A Constituição Federal de 1988 reconhece o Brasil como um país multiético e pluriculturalismo. As escolas abrem espaços para os debates sobre nossas origens históricas e sua formação social diversas. Na educação a mesma Constituição bem como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), de 1996 garante direitos iguais literários á educação. Direitos esses que devem ser repensados e debatidos afinal. A enorme diversidade cultural, social, econômica e política se encontram inserida nos alunos de hoje.

 

Reconhecer as diferenças nos envolvidos é um grande salto para se trabalhar as diversidades. A própria educação na sua dimensão já é diversificada, pois as diferenças individualizadas entre todos os membros e essas diferenças têm que ser colocadas em primeiro lugar, dialogada, discutida, antes de se fazer qualquer planejamento para extrair desse conjunto os pontos principais que enriqueceram e flexibilizaram o conteúdo dos currículos, as diferenças devem  ser respeitadas e aproveitadas para enriquecer e flexibilizar o conteúdo curricular.

 

A escola deve promover a diversidade, a formação a todos respeitando suas diferenças e preparando para serem agentes críticos, agentes transformadores e capazes de colocar o próprio homem, o ser humano, no centro de todo o processo evidenciando a importância da educação na vida de todos os seres humanos. E nesse processo educacional pelo qual passa o homem, prepara-o para a vida e também para a convivência. “Quanto melhor educada a pessoa for, maior será a facilidade para compreender as demais, para aceitar as diferenças que existem entre os indivíduos e para dar apoio ao desenvolvimento interior e social das outras pessoas”. (edu. Humaniz pag 124).

 

Se espera da unidade escolar uma sincronia entre o pensar e o sentir, associando o conhecimento a afetividade, raciocínio, pensamento e sentimentos, valores, uma construção integral. Não foi por acaso que a UNESCO em 1966, contemplou essas posições quando definiu os quatros pilares básicos da educação como sendo “aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a ser e aprender a conviver”.

 

Na nova ordem mundial trabalhar se torna uma forma relevante de inserção social. Hoje é mais importante se ter um trabalhão do que estudar e conseguir títulos, afinal viveu num mundo em que o homem é “ferramenta” e esses precisa ser utilizado.