Exercicios Musculação

A musculação é um tipo de exercício resistido, com variáveis de carga, amplitude, tempo de contração e velocidade controláveis. Desse modo pode ser aplicada da forma isométrica (contração mantida), isocinética (com velocidade angular constante) ou isotônica (alternância de contrações concêntricas e excêntricas), contínua ou intervalada, suave ou intensa, com recursos aeróbios ou anaeróbios. Esta possibilidade de controle de tantas variáveis torna a musculação uma atividade física altamente versátil que pode ser usada para diferentes objetivos.

A aptidão física de um atleta comporta vários componentes~ os quais terão de ser sujeitos a treinos específicos e devidamente executados. Dela fazem parte a endurance cardiovascular, a força, a velocidade e a flexi­bilidade musculares, a técnica de execução do gesto desportivo, vários aspectos psicológicos, como por exemplo a motivação e o grau de resis­tência à dor e à fadiga, e outros.

A força é, como foi referido, um indicador de aptidão física e um factor de performance atlética. Ela pode ser definida como a capacida­de que um músculo isolado pode exercer contra uma resistência num esforço máximo, podendo haver ou não a realização de trabalho, tudo dependendo ou não da existência de movimento.

É sabido que os músculos fortes tomam os atletas mais capazes e mais saudáveis. Um músculo que não esteja adequadamente treinado fatigar-se-á mais rapidamente e perderá a sua capacidade de produzir a energia necessária à execução do movimento. Mas se o músculo esti­ver bem tonificado ele poderá suportar e compensar todo o excesso de treino que acontece em determinada altura. De igual modo, eles prote­gerão melhor as articulações que cruzam, diminuindo a probabilidade de lesão, quer seja em movimentos mais suaves mas duradouros quer seja em gestos súbitos ou violentos.

Num estudo por nós efectuado em oito atletas completamente assin­tomáticos e nos quais se observava atrofia do músculo vasto medial re­lativamente ao músculo contralateral, demonstrou-se e desencadeou-se dor na superfície posterior da rótula correspondente aquando da reali­zação do exame físico. Esta artralgia patelo-femura! causou surpresa nos atletas, porquanto nunca a haviam experimentado e o motivo da visita médica era outro. O exame da rótula do joelho com o músculo vasto medial correspondente adequadamente treinado foi na quase totalidade dos casos normal. Constatámos assim que uma atrofia muscular, pelo desequilíbrio dinâmico que causava, havia poduzido sofrimento patelo­-femural, que no futuro poderia tornar-se altamente incapacitante. É no entanto necessário ter em atenção que nem sempre maiores dimensões do músculo correspondem necessariamente a uma maior capacidade de tensão produzida, pois por vezes o aumento do volume muscular pode corresponder a um aumento do teor de colagénio.

Um outro exemplo aconteceu num atleta de râguebi que apesar das suas qualidades técnicas teve de abandonar a modalidade (pelo menos temporariamente) e aguardar cirurgia, pois a sua deficiente musculatu­ra periescapular não foi suficiente para evitar duas luxações do mesmo ombro.

Os músculos surgem, então, não apenas como elementos geradores de força mas também como responsáveis pela estabilização das arti­culações, permitindo que estas suportem cargas maiores. No joelho, o músculo quadricípite ajuda de sobremaneira a acção dos ligamentos e da cápsula articular na estabilização articular. Mas para além de uma boa tonificação deste grupo muscular é necessário que o seu grupo an­tagonista, o grupo isquiotibial, interno e externo, esteja igualmente «em forma», para que o equilíbrio de forças aconteça. //